<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342</id><updated>2012-02-16T16:43:27.291-08:00</updated><title type='text'>full is not heavy as empty - not nearly, my love</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><link rel='next' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default?start-index=101&amp;max-results=100'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>158</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-357869708107278076</id><published>2012-01-26T19:26:00.000-08:00</published><updated>2012-01-26T19:26:43.490-08:00</updated><title type='text'>1, 2 e 3</title><content type='html'>1. &lt;span class="messageBody" data-ft="{&amp;quot;type&amp;quot;:3}"&gt;não sei que dia é hoje. 2012 começou me arrancando do tempo. &lt;br /&gt; tenho transformado as lágrimas em cigarro, e o que deveria me deixar em paz entraz cada vez mais: &lt;br /&gt; primeiro pela boca, depois pelos pulmões (o que me impede o grito e troca a angústia por um punhado de tosse).&lt;br /&gt; olhei pelo umbral e vi um dia lindo. se eu jogasse todos os cigarros pela varanda e assobiasse a vida que está dentro de mim, talvez eu conseguisse transformas esses muros à minha volta em flores e poesia.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; trago, me enveneno e fecho os olhos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="messageBody" data-ft="{&amp;quot;type&amp;quot;:3}"&gt;2. &lt;span class="messageBody" data-ft="{&amp;quot;type&amp;quot;:3}"&gt;quando choro não é por meu amor ou cicatriz. &lt;br /&gt; não.&lt;br /&gt; é pelo mundo, pelas flores que morrem cedo, pelas secas lágrimas derramadas pelo nordeste. &lt;br /&gt; joguei tudo fora, menos essa fagulha que ainda espirra fogo e cinzas em mim.&lt;br /&gt; disse adeus às pílulas anestesiadoras, agentes futuras da cirurgia final: a de não sentir as explosões que matam e corroem tudo à nossa volta.&lt;br /&gt; &lt;br /&gt; cheque-mate.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="messageBody" data-ft="{&amp;quot;type&amp;quot;:3}"&gt;&lt;span class="messageBody" data-ft="{&amp;quot;type&amp;quot;:3}"&gt;3. &lt;span class="messageBody" data-ft="{&amp;quot;type&amp;quot;:3}"&gt;não, meu amor, a vida não é uma distração. é o pôr do sol nascendo nos olhos nossos, o perfume do mar caindo como chuva de verão nos corpos perto e longe da prainha.&lt;br /&gt; sabe quando o vento vem? ele te deixa pedaços de ontem e planta sementes escondidas pelos poros que vão ser flores ou ramos luminosos um dia.&lt;br /&gt; o jardim primavera é vida, apesar do que eu disse naquele dia bêbada. também é dor, mas é mais do que um cenário cheio de balas ácidas e olhos nas janelas. é um acordar, bocejar, cheirar o mundo, aveludar as mãos só para depois tirar as luvas e sentir as gotas do mar que chegou ali de qualquer forma.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-357869708107278076?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/357869708107278076/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=357869708107278076&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/357869708107278076'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/357869708107278076'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2012/01/1-2-e-3.html' title='1, 2 e 3'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-779003590384536636</id><published>2011-12-05T15:52:00.001-08:00</published><updated>2011-12-05T16:35:53.426-08:00</updated><title type='text'>gestos</title><content type='html'>não há nada mais perigoso do que deixar-se levar. não por uma brisa ou um trem, nem mesmo por barcos (que tanto amo os caminhos por onde vão e o cheiro e som da maresia), mas por alguém. tento desviar os olhos dos seus porque são como janelas de fora do mundo para dentro de uma casa silenciosa e cheia de palavras pintadas e sussurradas pelas paredes.&lt;br /&gt;hoje eu queria te chamar para deitar no asfalto comigo. sentir o calor da terra queimando os anos e o suor do trabalho. lembrar das rodas passando por aqui e soltando a fumaça que também exalamos ao fumar o cigarro vendo o pôr do sol. dá até para amar as estrelas (não é como no interior de minas gerais, mas talvez seja esse esconder-se que as deixa mais lindas).&lt;br /&gt;pode tocar a pele, os cabelos, beijar os olhos, fazer acorde onde não há som, cantar uma música no violão, mas não encostar em mim, não aquela sensação de que está tudo bem (não está), muito menos um amanhecer com o sol batendo nos sorrisos.&lt;br /&gt;se me perguntassem agora o que eu quero, eu diria que 'um pouco mais, não tudo'. mas é verdade? não sei se quero um pouco mais e também não sei se quero tudo. tudo é algo pralém do que somos, porque mudamos tanto e cada segundo que o tudo está em constante transformação. e um pouco mais já seria ultrapassar o corpo, para onde eu mandaria o que me inunda, o que atravessa os poros deixando rasgos marcas e cicatrizes?&lt;br /&gt;se as palavras fossem nuas, eu mergulharia com elas no mar e nasceria como um sol amanhece num dia quente de verão. são pele sobre pele sobre pele de palavras que não nasceram com o sangue e a dor de um mundo novo, mas vítimas de um desenho que fiz num guarda-chuva para não me molhar. &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-779003590384536636?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/779003590384536636/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=779003590384536636&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/779003590384536636'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/779003590384536636'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2011/12/gestos.html' title='gestos'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-1152610773217950485</id><published>2011-11-16T14:43:00.001-08:00</published><updated>2011-11-16T14:43:25.490-08:00</updated><title type='text'>oásis</title><content type='html'>&lt;div&gt;devagar, você adentrou no meu mundo. passos leves, sorrisos escondidos e mãos no peito. a respiração não podia ultrapassar o próprio corpo, era necessário que ficasse escondida, órgãos com os órgãos, sem espiar o vento ou ar que se estendia tentando entrar pelos poros.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;o quarto na claridade amena, pronto para ser beijado, acalentado e posto para acordar. mas você desviou os olhos e colocou o dedo nos lábios entreabertos: silêncio. a vida é mais do que os barulhos do antes e do agora, fica no susto do que poderia vir a ser e não vem. shhh.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;deitada na cama, o corpo bronzeado de palavras minúsculas e frases trancafiadas, arrastava tudo com seu sono acordado.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- voltei pra te dar isso. não um cigarro ou uma carta. nem um daqueles malditos livros que você tanto gosta. não vou esperar você acordar para que seus cílios pesem em mim o peso dos anos e dos amores perdidos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;esperou. nenhuma resposta, apenas um mexer de cabeça e um aperto nos travesseiro. a janela entreaberta às vezes batia às vezes ficava. parecia indecisa e muito consternada com as palavras do homem que mal chegara e já parecia ido. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;no sonho, tinha em si tantas cores e tantas esperanças, que mal escutava a voz naquele quarto semi-amanhecido. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;- hoje andei por uma rua deserta e, por algum motivo, me lembrei dos seus olhos naquele dia. pareciam a voz do atacama. não pela sua solidão somente, isso também, mas por sua imensidão e beleza. a verdade é que quando te olho acordada sinto como se... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;deixou na cama uma fotografia e foi embora. era o suficiente para dizer até logo, quem sabe um dia. ou até mesmo adeus. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;quando acordou, sentiu a fragrância daquela onda que vem arrastando tudo derrubando casa destruindo lares e arrancando vidas. respirou bem fundo. agora era hora de encarar a areia em que seus pés tocavam.  &lt;/div&gt;&lt;div&gt;    &lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-1152610773217950485?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/1152610773217950485/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=1152610773217950485&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1152610773217950485'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1152610773217950485'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2011/11/oasis.html' title='oásis'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-4312958719337130991</id><published>2011-07-18T21:26:00.000-07:00</published><updated>2011-07-18T21:27:43.805-07:00</updated><title type='text'>mudei de blog :)</title><content type='html'>&lt;a href="http://isso-passa.blogspot.com/"&gt;http://isso-passa.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-4312958719337130991?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/4312958719337130991/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=4312958719337130991&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4312958719337130991'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4312958719337130991'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2011/07/mudei-de-blog.html' title='mudei de blog :)'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-138530597983188828</id><published>2011-06-06T14:05:00.001-07:00</published><updated>2011-06-06T17:19:25.478-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>já andou de barco? eu tinha sempre duas sensações ao colocar os pés perto do mar: magnificência e medo. ao mesmo tempo em que tudo era tão grande, tão belo, tão vontade de viver e respirar cada pedaço que estava à frente, a imensidão me engulia e me causava uma dor e falta de ar que se prolongavam por alguns instantes de pensamento.&lt;br /&gt;sinto que novamente estou assim. mas sem o mar aos meus pés. apesar de eu estar completamente inundada, não sinto cheiro de sal nem o canto do sol nascendo na linha do horizonte. são muitas coisas que me maravilham, e ao mesmo tempo me aterrorizo.&lt;br /&gt;me dão uma moeda e dizem baixinho no meu ouvido: escolhe. cara ou coroa? duas faces do meu rosto, partes que eu quero guardar para mim quando me olhar no espelho, mesmo quando as rugas já tiverem formado um mapa monstruoso (e sem bússola a seguir). &lt;br /&gt;quando estou no mar, não há escolhas, apenas uma fluidez e um balançar que vão indo para onde tiver que ir. posso manejar algumas direções, mas não se anda de barco na terra. é sempre o mar. &lt;br /&gt;diferente de duas faces de uma moeda, uma exclui a outra. o mar não exclui o mar. &lt;br /&gt;eu posso excluir a mim mesma, mesmo com tanta inundação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a resposta é a seguinte: nunca amei tanto. e o amar, como já diz o próprio signo, é muito diferente do mar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-138530597983188828?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/138530597983188828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=138530597983188828&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/138530597983188828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/138530597983188828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2011/06/ja-andou-de-barco-eu-tinha-sempre-duas.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' 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coisas).&lt;br /&gt;a solução foi repetir &lt;span style="font-style:italic;"&gt;vienna&lt;/span&gt; incontáveis vezes no mp3. dá pra acreditar? é que me fez sentir bem, de alguma forma. não consigo nem explicar...&lt;br /&gt;queria qualquer coisa, menos essa não aceitação, essa incompreensão. &lt;br /&gt;uma tentativa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-8508411678534045299?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/8508411678534045299/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=8508411678534045299&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8508411678534045299'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8508411678534045299'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2011/05/vienna-waits-for-you.html' title='vienna waits for you'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-5980461067767355472</id><published>2011-04-22T22:02:00.000-07:00</published><updated>2011-04-22T22:16:41.066-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>há coisas lindas&lt;br /&gt;na boca de um passarinho.&lt;br /&gt;um querer, talvez,&lt;br /&gt;de um céu azul até a eternidade.&lt;br /&gt;ou até mesmo a tardinha de um amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hay cosas más bellas&lt;br /&gt;nos teus olhos tímidos&lt;br /&gt;gosto de mel ou café&lt;br /&gt;guardando o momento que suspiro.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;canta no meu ouvido, beija-flor,&lt;br /&gt;esses olhares criadores&lt;br /&gt;que preciso é de uma música&lt;br /&gt;para embalar tudo que sinto.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-5980461067767355472?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/5980461067767355472/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=5980461067767355472&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5980461067767355472'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5980461067767355472'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2011/04/ha-coisas-lindas-na-boca-de-um.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-4202118398802065690</id><published>2011-04-18T20:14:00.000-07:00</published><updated>2011-04-18T20:26:01.112-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>às vezes é preciso um sopro. sabe, um mexer de lábios inseguro, me conta uma história bonita para eu dormir em paz. porque, vou te dizer, não tenho dormido bem. ando pensando sobre a vida, sobre as coisas, sobre a hora de ir embora. tenho sentido muito medo.&lt;br /&gt;é difícil admitir que se sente medo, não é? às vezes estou tão feliz que tento me agarrar desesperadamente ao agora. mas me vêm imagens, a morte, a dor, a velhice, a angústia. &lt;br /&gt;aquelas crianças naquela escola assassinadas de forma tão brutal. vidas interrompidas. e será que há outra forma de morrer senão interrompendo o que existe de mais belo? por quê, meu deus? não sabemos o que vem depois, e isso é desesperador. por isso sofremos tanto quando as pessoas se vão. além da saudade, é porque tememos por elas.&lt;br /&gt;e eu estou tão convencida de não saber o que fazer que às vezes me pego chorando pensando coisas horríveis. queria ter algo ao que me agarrar para me confortar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acordo pensando assim: hoje farei tudo diferente. quando vejo, o dia já passou e estou aqui escrevendo, na frente do computador. mas sei que, no fundo, não adianta. aliás, não basta. &lt;br /&gt;nada basta.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-4202118398802065690?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/4202118398802065690/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=4202118398802065690&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4202118398802065690'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4202118398802065690'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2011/04/as-vezes-e-preciso-um-sopro.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-2751205875246650106</id><published>2011-03-28T14:25:00.000-07:00</published><updated>2011-03-28T14:47:44.552-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>fotografava as flores chorando. caíam as gotas de orvalho, tal como lágrimas, de suas pétalas até o chão seco. gostava de marcar aquilo, pois era um momento que levaria consigo para sempre, lembranças do cheiro, dos sons, da vida toda que emanava dali para o mundo.&lt;br /&gt;deixava que a flor chorasse em seu lugar. sentia como se o corpo fosse quebrar se se desse ao luxo de soluçar escondida. preferia que chorassem por si, que a beleza tomasse a tristeza que guardava nos clicks e revelações. &lt;br /&gt;seu marido fora embora. parece que tudo, no final, se resume a uma história de amor mal resolvida. mas não! não era isso... pelo contrário, estava com uma felicidade meio culpada por ter sido deixada. as coisas andavam tão mornas, tão hospitalares, que qualquer quebra de silêncio a fazia dançar. mesmo que essa quebra fosse feita por ruídos e gritos sem ritmo.&lt;br /&gt;por toda a sua vida esperou um amor. era a mulher perfeita. sabia cozinhar, passar, andava de saltos altos, era inteligente, conversava sobre livros, era fotógrafa e até discutia um pouquinho de política e futebol. queria casar, é claro, como não poderia querer? um homem de quem cuidasse.&lt;br /&gt;mas o casamento veio, as tarefas diárias lhe tomaram a vida, o sexo era doloroso e sem graça e, ainda por cima, não passava novela aos domingos! ia à igreja, é claro, e pedia a deus um pouco de açúcar nessa merda toda. chegou a um momento tão entediado em sua vida, que esperava os domingos para sonhar com o padre bonito que passara a rezar as missas. &lt;br /&gt;mas, para o mundo, era uma mulher feliz. ainda nova para os filhos, com um marido bonito, a casa límpida e reluzente, as idas ao mercado, as alianças de ouro branco e os passeios aos casamentos e formaturas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;hoje, quando ele foi embora de madrugada, ela sentiu uma preguiça enorme de entender o que se passava. leu a carta, estava fugindo com outra. voltou a dormir. era minha vida uma novela mexicana, meu deus? mas onde está o drama? acordou cedo. calçou os sapatos. tomou seu café com hortelã. decidiu ir fotografar.&lt;br /&gt;não era falta, não era amargo nem frio, era uma idéia do novo. tudo se quebrou. o que parecia era que a casa estava falando com ela, rangendo os cômodos que logo cairiam aos pedaços. &lt;br /&gt;não sabia agora muito bem o que fazer. nunca fora triste, mas se sentia agora livre. não porque ele a prendia, mas porque era tudo uma farsa. não era amor, não era ódio, não era vingança. não era nada, simplesmente. e não se tratava só dele, mas de toda a sua vida até aquele momento. afinal, por quê? por que fez isso e não aquilo? por que se deixou levar pelo que deveria ser? só conseguia pensar num sei lá bem podado e desconexo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;decidiu fazer um álbum de fotografias. não para se lembrar das coisas, porque o que tinha se passado até ali era um livro em branco. quis fazer um álbum para recriar mentiras, contos e poemas que poderiam sanar o que não foi. a arte a salvaria.&lt;br /&gt;e, dali para frente, com a primeira lágrima, formaria uma biografia, não mais um livro fantasioso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-2751205875246650106?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/2751205875246650106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=2751205875246650106&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2751205875246650106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2751205875246650106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2011/03/fotografava-as-flores-chorando.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-7379933955402040128</id><published>2011-03-11T20:17:00.000-08:00</published><updated>2011-03-12T11:02:34.659-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>tornou a espiá-lo (era pelo canto dos olhos que fazia existir o amor). &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;uma tarde adocicada entrava pelo quarto, música calma e viva tocando a pele daquele homem sentado na beirada da cama, as pernas dobradas, como impaciente, os olhos se revirando da janela ao teto e do teto aos pés. &lt;br /&gt;ela estava dentro de um cansaço quase desenfreado, queria se levantar e gritar a dor que estava sentindo, um mundo inteiro de peso nas costas sendo deixado para trás. e queimando cheio de cicatrizes.&lt;br /&gt;ainda estava no umbral, meio enviesada para não tampar os raios de sol que batiam no rosto dele. era como se ele se tornasse parte da natureza ou parte de uma pintura que ela queria poder pendurar no quarto, para admirar até tenras idades. ou jogar para o mundo, colocar dentro de um balão e soltar vida afora.   &lt;br /&gt;lembrou, ali quieta, dos momentos que já pareciam ser parte de outra vida, dos sorrisos e das enganações, de todo o amor que arrumara graciosamente nas palmas das mãos abertas. eram mãos pequenas, mas as unhas eram vermelhas, e as linhas fortes. isso lhe concedia certa dose de mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"não, não há mais o que ter. não quero mais esse anel, essa casa, seus sapatos ao lado da porta. nem quero mais sentir esse gosto doce das lembranças que tentam me possuir, como um demônio de várias línguas.&lt;br /&gt;ontem, chorei por horas a fio ao lado do telefone. depois de meia hora, já não sabia mais por que chorava. só chorava porque estava chorando e chorar machucava e expurgava a vida de tal forma que me fazia tremer até os tímpanos. de repente, como um clímax, percebi que podia parar de chorar em paz. é que eu chorava por algo que não era mais meu (ou quem sabe nunca foi). eu chorava porque queria de volta o que achava que tinha. entende?"&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;"não entendo muito bem. mas peço desculpas, porque, sabe, acho que te deixei meio confusa e perdida. diria até que meio louca. mas o amor existiu, agora é outra coisa. quem somos nós para controlar o que o amor é ou se torna? ficamos exigindo situações, conclusões, ações exatas... e no final das contas, para quê? ser feliz com o seu tempo e suas mudanças é do que preciso. é do que precisamos todos nós."&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não se tratava de nada disso, e ela sabia. já estava superada. queria agora dar um passo à frente, cruzar aquele maldito gosto adocicado -que mais tarde identificaria como saudade- e dirigir para além daquela casa, da janela e de tudo que tinha criado para suprir o que lhe faltava.&lt;br /&gt;só assim poderia fechar os olhos, ainda que um cisco a contorcesse de dor.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-7379933955402040128?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/7379933955402040128/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=7379933955402040128&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7379933955402040128'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7379933955402040128'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2011/03/tornou-espia-lo-era-pelo-canto-dos.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-2186582682652757121</id><published>2011-03-09T14:53:00.001-08:00</published><updated>2011-03-09T14:53:57.445-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>meu quarto está uma bagunça, as goteiras caindo na cabeça, nas mãos e em onde mais conseguirem cair, o corpo desorganizado e recebendo as cores fugidias dos móveis, das fotografias e do cheiro teu que permanece aqui. um copo de água vazio na mesa grita, o vazio do grito quebra o copo cheio de alguma coisa que ainda não sei nomear.&lt;br /&gt;mentira, sei muito bem: é dor. e ela escorre pela escrivaninha, alaga o chão inteiro e vai subindo subindo até encontrar os lábios e beijá-los com um pedido silencioso. é um quase fica. é um quase vai. é um fica mas vai, é um vai mas fica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;canto de ossanha que me perdoe, mas vou, que sou alguém de ir. guardo na bolsa um los hermanos, uma tiê, uma fiona e mais nada. vou-me embora pra onde me deixem mergulhar numa praia deserta, escutar um vinicius de moraes apaixonado. que é disso que preciso, apesar de não precisar absolutamente nada.&lt;br /&gt;o carnaval dançou com o coração em frangalhos. cada samba era lembrança dos toques, da distância, daquilo que mal começou e já foi embora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-2186582682652757121?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/2186582682652757121/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=2186582682652757121&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2186582682652757121'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2186582682652757121'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2011/03/meu-quarto-esta-uma-bagunca-as-goteiras.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-6846375990815642904</id><published>2011-02-18T20:38:00.000-08:00</published><updated>2011-02-18T20:43:24.495-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>tenho em mim agora tantos sonhos, tantas mudanças e tanto desespero que não consigo nem mesmo me mover para o chuveiro. é que algo me diz pra ficar, pra correr os dedos por aqui e chorar tudo que preciso chorar.&lt;br /&gt;preciso de um banho, estou imunda. preciso dizer que estou com raiva, que quero um abraço forte e que acabei de lembrar que há chocolate na geladeira -e que logo irei comê-lo-. &lt;br /&gt;quando saí de lá, senti o desamparo da madrugada, o peso de ser mulher e correr sozinha por esse mundo sujo e sem escrúpulos. logo terei que acordar para ir dar aula, não poderei nem sequer descansar em paz minhas tantas incertezas que dominam tudo que penso nesse exato instante.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-6846375990815642904?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/6846375990815642904/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=6846375990815642904&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6846375990815642904'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6846375990815642904'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2011/02/tenho-em-mim-agora-tantos-sonhos-tantas.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-5975794151406834333</id><published>2011-02-14T16:27:00.000-08:00</published><updated>2011-02-14T16:52:18.972-08:00</updated><title type='text'>minhas palavras finais pra você...</title><content type='html'>minha vó se foi e já deixa saudades. &lt;br /&gt;como aquele cheiro de flor dando adeus, mãos atadas ao peito e um brilho ainda suave na pele. tenho tantas coisas para jurar... e a primeira delas é que tentarei não ficar triste com as lembranças.&lt;br /&gt;quando pisei naquele antro de pessoas que não via há anos, os olhos querendo transformar a sala em um rio minguante, entrei em um desespero de me lançar aos quatro cantos em pedaços. um sofá e mãos no rosto foi tudo que consegui projetar.&lt;br /&gt;o caixão bem à frente, o tumulto, os rostos de preto, o meu choro tremendo o corpo todo. eu só conseguia pensar: minha vó nunca mais vai me responder.&lt;br /&gt;e se foi. e por isso a morte me assusta. porque se vai para nunca mais voltar. nunca é um tempo demais, é algo tenebroso e sem sentido, é sentir falta pra sempre. quando levantei e vi seu rostinho com que até pouco tempo eu costumava brincar... seus cabelos que não serão mais feitos de modelo para maria-chiquinha, as mãozinhas atadas como que em uma oração santa e alheia das explosões do mundo... quis dar um grito. que me chamassem de louca, que me dessem um tapa na cara para que eu percebesse onde eu estava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;dói. bastante. quando minha mãe me acordou e disse 'priscila, sua vó faleceu', eu quis me enterrar embaixo do silêncio, bater a porta do presente e denunciar ao mundo tudo que queria ser chorado. lembro de ter dito incontáveis nãos, de minha mãe ter resmungado que não deveria ter me contado naquela hora, da porta fechando e do telefone tocando várias vezes. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no carro, um choro de realidade. o pé no chão, um segurar tudo dentro de mim pro corpo não desmontar. com o cheiro de flores, o sufoco de dizer adeus e tocar a frieza que agora se tornara minha vó.&lt;br /&gt;penso agora em como você está, o corpinho encolhido, as baratas passando pelos dedos, pela boca, pela sua santinha que tanto segura na mão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se de tudo isso eu pudesse guardar alguma coisa, seria teu sorriso naqueles dias distraídos, quando a lucidez ainda vinha se alimentar dos sentimentos e da luz e do ar em volta... e da vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-5975794151406834333?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/5975794151406834333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=5975794151406834333&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5975794151406834333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5975794151406834333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2011/02/minhas-palavras-finais-pra-voce.html' title='minhas palavras finais pra você...'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-3282298209535527279</id><published>2011-02-13T16:32:00.000-08:00</published><updated>2011-02-13T16:59:45.422-08:00</updated><title type='text'>pra passar.</title><content type='html'>o céu de brasília é uma das coisas mais lindas que já vi. junto com o vento no cabelo, o coração palpitando com o peso das horas (ou dos segundos), o cheiro escaldante do que sei que não é possível... joguei tudo isso dentro da mala e guardei pra mim, quase como uma lembrança para tocar daqui a dez anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-3282298209535527279?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/3282298209535527279/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=3282298209535527279&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3282298209535527279'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3282298209535527279'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2011/02/pra-passar.html' title='pra passar.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-3662628619893799928</id><published>2010-12-28T13:43:00.000-08:00</published><updated>2010-12-28T14:09:35.579-08:00</updated><title type='text'>não sei.</title><content type='html'>é isso que tenho para dizer agora, quase como uma sinceridade obssessiva. você pode agüentar isso, só um pouco? essa sinceridade que tento te dar, como um presente guardado de antes, um folheto de política cheio de sonhos que ainda não se concluíram. pois parece que você não consegue, que tenta me forçar a sentir algo que não sei nem se posso mais sentir, porque estou em um momento de diferenças, não de somas, quase como um parto sem dor.&lt;br /&gt;é a vida. é isso, meu deus, por que juntar as migalhas que já foram comidas pelos pássaros? as coisas são, não se pretendem. as migalhas não estão mais no chão, não há mais o que ser junto. e a vida passa, nos beija, deixa cartas por baixo da porta, me dá uma bala no final do dia pra eu conseguir sobreviver à amargura. &lt;br /&gt;nada do que você me diz dói de verdade. porque é tudo mentira, mas não uma mentira dita de propósito, pensada e criada. mas uma mentira em que você acredita, porque há num enorme vazio entre o que sou e o que você pensa. não que eu consiga me definir, e é óbvio que sempre estou. mas o que sinto o que vejo e o que respiro agora está longe, muito longe, de qualquer coisa.&lt;br /&gt;não peço nada. na verdade, nem sei muito bem por que estou escrevendo isso. acho que preciso me esclarecer no mundo também. não é para você que escrevo, afinal, mas para mim. &lt;br /&gt;eu só queria que você entedesse algumas coisas. a primeira é que a vida é fatalista. as coisas acontecem, independente de nós, como uma doença degenerativa e desesperadora. é isso. só nos resta chorar e tomar um vinho à noite, com a escuridão nos dando um banho de dor. a segunda é que as coisas são bem mais simples do que pensamos que são.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é preciso cheirar o mundo. sentir ou não sentir tudo que nos acerta, um carro desenfreado cheio de jovens bêbados que irão morrer em alguns segundos. &lt;br /&gt;afinal, depois de todo os escândalos, choramos sozinhos na madrugada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-3662628619893799928?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/3662628619893799928/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=3662628619893799928&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3662628619893799928'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3662628619893799928'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/12/nao-sei.html' title='não sei.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-1656732924687496521</id><published>2010-11-29T16:23:00.001-08:00</published><updated>2010-11-29T16:23:32.797-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>mudo. mudo tanto que chegam a doer os tímpanos. é que essa mudança grita, mesmo muda, no corpo que sua e seca. ontem eu olhei para você e me surpreendi, pois não era mais quem fui que te olhava. eram sílabas e sons e gostos e (o que mais?) sentidos distantes, mundos que se desprenderam sem um relógio de pulso.&lt;br /&gt;vou te contar que tive medo, como um recém nascido descobrindo a fome. não conseguia mais tocar dizer ou contar os segredos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acabou? acho que sim. novamente não sinto mais nada. seus passos estrangeiros, os abraços sem braços, a cadeira vazia no topo da escada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pode ser cansaço? acho que é um tédio escroto que me engole. repetições, incômodo, não há o que descobrir (rasguei tudo muito rápido, ferocidade querer tocar viver).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque os vai-e-vens agora me dão nojo. não estou mais ansiosa ou à espera. estou livre. tão livre que me sinto infeliz. não porque queira estar presa, porque não quero! mas porque não me possuo. não posso nem mais dizer que um mísero fio de cabelo seja meu. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acho que vou te pintar um quadro. tentar recriar o que hoje me falta. lambuzar o vazio de cores disformes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;casei sozinha. subi no altar e disse sim por dizer. é que a música que tocava me emocionou, precisei chorar e fingir uma felicidade morna. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;agora aqui sei que vou sair dessa sala e quase entrar em desespero, pois levarei um soco no estômago que me fará vomitar tudo, tudo, até ficar sem escolhas. também não teria nada a escolher, se guardasse o que deixei sair d emim. não deixei, meu deus! saiu porque levei um soco.&lt;br /&gt;eu sabia disso. tentei até ter uma gravidez psicológica para me salvar da crueldade. é que daí eu carregaria a vida, receberia proteção divina e seria mãe! ah! eu teria posse de algo, um filho meu.&lt;br /&gt;mas desisti. abortei uma invenção, sangrei até cair e levantar com as mãos sujas e vazias...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como tem que ser.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-1656732924687496521?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/1656732924687496521/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=1656732924687496521&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1656732924687496521'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1656732924687496521'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/11/mudo.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-1001982859969176106</id><published>2010-11-26T12:50:00.000-08:00</published><updated>2010-11-26T13:08:45.175-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>a violência sobe pelos braços, dormência única que não para a dor de ver e sentir o medo e o cansaço. quero um colete que prove que a vida ainda vale a pena para aquelas pessoas que me abraçam e me beijam e me pedem socorro com os olhares na televisão.&lt;br /&gt;os corpos descem morro abaixo e parece -algo me diz- que são enterrados no meu quintal. vou deixar flores aos pés, mas o sangue faz nascer outra coisa da terra, algo gelado e quente, das entranhas do trabalho e do incômodo que é estar nesse mundo, assim agora sem saída sem nada mãos vazias e cabelos nos olhos armas apontadas para o nosso ventre - a vida que é violentada até no que poderia ser...&lt;br /&gt;meu deus, e a escola? e a quintandinha do seu josé? e a igrejinha repleta de degraus para lugar nenhum oração quem sabe um pedaço de céu? quero abraçar esse mundo, ganhar esse sangue que cai não em gotas mas em metal duro e concreto, dar as flores que joguei nos túmulos e transformá-las no que sei que não pode ser feito só com flores.&lt;br /&gt;tudo é violência. violência escondida, embaixo do travesseiro, pedindo para entrar e usar o banheiro da casinha. é preciso ser violentado - mais do que se já é - é preciso perceber a violência e amarrá-la e deixar que machuque e chorá-la e querer um dia poder arrancá-la do corpo e transformar esse substantivo num grande vazio passado que não poderá ser recriado nem em poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque essa violência que vemos... porque essa violência que sentimos e deixamos e sabemos esquecer&lt;br /&gt;ela tá aí. como quem mata sem deixar pistas, sem deixar vácuo, apenas sofrimento morno, e dor de perda justificada.&lt;br /&gt;não é possível! que nada disso se justifica, realidade de merda escrota filha da puta.&lt;br /&gt;isso é um não agüentar que voa de todos os poros até as lágrimas que caem e as palavras que conseguem escapar de uma boca rouca e velha quanto esses olhos que não duvidam mas não aceitam o que vêem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-1001982859969176106?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/1001982859969176106/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=1001982859969176106&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1001982859969176106'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1001982859969176106'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/11/violencia-sobe-pelos-bracos-dormencia.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-7642015133888874161</id><published>2010-11-10T07:09:00.000-08:00</published><updated>2010-11-10T07:41:44.247-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>é engraçado eu estar aqui, agora. não queria nada disso, sentir esse amontoado de linhas paralelas, loucas e incosntantes. queria ser a gatinha da lygia, que brinca com papéis, que pula da cama, cai no chão, se estatela e esquece tudo, tudo, no dia seguinte. mas reconhece pelo cheiro, pelo amor perdido, pelo suor do tempo e pelo pulso que seu coração se torna ao abrir a porta de casa à tardinha.&lt;br /&gt;será que um dia eu amei? é que o amor me está tão longe que às vezes tenho medo de ter inventado tudo. mas eu era outra (eu sei), e talvez por isso não consiga mais escutar a beleza ranger nos meus ouvidos. é doce e viva essa sensação, mas triste, tão triste que chega a dar uma monotonia e quase um tempo morno de felicidade.&lt;br /&gt;fui pegar uma bala pra ver se eu mastigo um pouquinho do que é o amor. aqui em casa há uma sala cheia de doces, sorvetes e pipas. parece que é a minha infância engaiolada e dormente, pronta para me atormentar e gritar o que eu sou. &lt;br /&gt;os livros estão dormindo na cama, um diário azul e pronto para ser jogado no lixo, um copo de guaravita, o papel de bala amssado na minha frente. acho que vou guardar esse papel como forma de aprender a embrulhar a idéia de amor. não há nada ali, nada, só o cheiro da bala. e não é assim que tudo fica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu queria pedir alguma coisa, sabe? acordar, calçar os chinelos, correr para o mundo e gritar "alguém me dá o que eu preciso!". mas nem eu sei ainda, talvez seja um olhar profundo, um esgar de lábios devagar e com muita semântica. não, semântica não, não precisa ter isso, nunca, mas sentir, e sentir muito.&lt;br /&gt;pensei em jogar tudo fora, pela janela, pelas frestas da porta, abrir a cortina e dar um grito que pintasse o céu, que desenhasse o que eu quisesse, como um poema que antes de nascer já é poesia.&lt;br /&gt;você consegue ver? eu não, o grito quase me cegou, pintou não o céu mas meu corpo, os olhos se tornaram bolhas de sabão que estouram depois de serem violentadas por dedos e vento e amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acho que o amor me atormenta. de uma forma que nem eu percebo. passeia pelo meu corpo, finge que vem, mas engana. ameaça e vai vai para sei lá onde, algum lugar onde possa brincar de esconde-esconde. &lt;br /&gt;não vou procurar, porque estou cansada, suor de correr de outras coisas, da vida, pelas ruas, amontoados de dias e passos e sons. deixo ele se perder, calado, chorando, sempre à espera, com uma máscara empoeirada que eu costumava usar nos carnavais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(vou te contar uma coisa: caí numa confusão de pêlos, olhares, lágrimas, corpo palpitante de momento, mentiras, promessas nunca ditas, cama e eternidade de ânsia, uma ânsia muito forte. nenhum medo, mas uma profunda irritação pela indiferença) &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vou dançar. o corpo em tormentos no meio da sala, sonidos tocando os músculos e os poros. &lt;br /&gt;fico tonta, mas posso sorrir em paz.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-7642015133888874161?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/7642015133888874161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=7642015133888874161&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7642015133888874161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7642015133888874161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/11/e-engracado-eu-estar-aqui-agora.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-8517341516532839838</id><published>2010-11-07T18:15:00.001-08:00</published><updated>2010-11-07T18:15:39.026-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>minha ocupação é ser poeta&lt;br /&gt;rir com os rios,&lt;br /&gt;chorar enfartos de sílabas soluçantes&lt;br /&gt;saber o momento de calar,&lt;br /&gt;mas mentir no silêncio&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;trabalho com as rimas do asfalto&lt;br /&gt;marcas passageiras no corpo do chão&lt;br /&gt;passantes e vivos no caminho do verso&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nada sei sobre o mundo &lt;br /&gt;apenas sinto o que agora as mãos me permitem:&lt;br /&gt;um salário vazio&lt;br /&gt;mas cheio de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-8517341516532839838?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/8517341516532839838/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=8517341516532839838&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8517341516532839838'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8517341516532839838'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/11/minha-ocupacao-e-ser-poeta-rir-com-os.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-8464581244426553337</id><published>2010-11-01T07:39:00.001-07:00</published><updated>2010-11-01T07:39:45.688-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>minha vó está deitada na cama. sinto vontade de abraçá-la forte e de dizer vó, vai ficar tudo bem. mas ela não vai entender, vai dar uma risada ou um gemido baixinho e voltar para o seu mundo e para fora de mim. talvez seja melhor ela não ter entendido, pois não precisou engolir minha mentira. porque não vai ficar tudo bem. não, não vai. ela está sozinha e vai sofrer, o corpo mole e desolado, lábios solitários e sentidos surdos.&lt;br /&gt;sinto vontade de chorar por nós duas. ela nem chorar mais consegue, não consegue mais ficar triste ou se lamentar, não entra em desespero. olha para o teto como quem vê a gávea dos pobres, a época de ser faxineira e não poder tomar conta dos próprios filhos. o abandono daquele nordestino safado, ser só na vida, a morte do seu quase marido camelô.&lt;br /&gt;lembro de uma vez, vó, que você fez pizza pr'eu comer, lá no minhocão. e que eu achei tão ruim... cuspi na hora, e você ficou irritadíssima, me chamou de mal educada! lembro de tantas coisas, lembro de fazer penteados no seu cabelo, de jogar jogo da velha, de passear contigo. e você sempre foi tão parecida comigo... pequena, as mãos de criança, os olhos perdidos em qualquer lugar.  &lt;br /&gt;eu queria que você me entedesse para eu dizer que não foi culpa sua... que não adiantaria você ter chegado lá a tempo, ter parado de ver a novela para fazer o café mais cedo, ter tido vontade de subir para ir ao banheiro e passar pelo quarto. a morte, quando vem, não deixa culpados. não dessa forma. e talvez tenha sido melhor assim, não sei, juro que não sei. &lt;br /&gt;também não foi culpa sua ter nascido pobre e ter sido abandonada. é culpa de... não quero falar sobre a culpa agora. mas ela está bem, na medida do possível, conseguiu sobreviver. e agora está cuidando de você como um filha. minha mãe é forte, de certa forma.&lt;br /&gt;vó, eu queria te salvar. queria te mostrar fotos das coisas lindas, te contar histórias, te levar à praia num dia chato de domingo. colocar a minha mão na sua e ver uma lágrima de tristeza cair. &lt;br /&gt;você já foi embora há muito tempo, deixou apenas o corpo pesado para trás. eu não gostava de ir ao hospital... tinha medo, ficava mal por dias, seus cabelo sem estar em você, um não saber nos olhos de uma vida longa. depois a cadeira de roda, a perda de sentidos, a surdez aprofundada, o vazio, o tomar banho em desespero, a merda no lençol. &lt;br /&gt;por que eu não conseguia? um dia, minha mãe, irritada, me puxou até o banheiro e começou a gritar comigo para eu te dar banho. minhas pernas tremeram, chorei chorei, pedi pelo amor de deus para ela me deixar ir. vim para o quarto e me joguei na cama, um profundo mal estar me tomava, precisava respirar muito, oxigênio, tive a ânsia de vomitar tudo e de fugir dali.&lt;br /&gt;isso machuca tanto. te ver deitada na cama, o chapeuzinho que você tanto gosta na cabeça, a camisola rosa, sua pele com cor de adeus. a cadeira de rodas na sala, a porta do banheiro fechada, meus dedos não agüentando mais o peso do que sinto. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabe, vó, eu estou chorando agora. porque tudo é tão incontrolável, esse não poder fazer me arranca todos os fios de cabelo e me deixa nua. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;me desculpe por querer mentir para você. mas é que eu também queria acreditar nessa mentira. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um abraço, talvez, mesmo que você não sinta, é tudo que posso dar agora.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-8464581244426553337?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/8464581244426553337/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=8464581244426553337&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8464581244426553337'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8464581244426553337'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/11/minha-vo-esta-deitada-na-cama.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-3631895874474416525</id><published>2010-10-31T20:14:00.001-07:00</published><updated>2010-10-31T20:14:11.234-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>a vida está me chamando. me chama tanto que chega a machucar meu corpo, meus sentidos, minha dor. coloca nas minhas mãos um sopro do que ela pode ser, um orvalho que ainda vai surgir do sereno da noite tão longa. quer que eu seja mãe e dê a esse orvalho um lugar por onde escorrer e se fazer existir.&lt;br /&gt;eu digo pra vida que ela espere. que eu tenho medo, tanto medo, de um dia acordar e não saber onde estou, cair no meio do asfalto e ser queimada pelo sol. como queima! o calor de agora me invade me possui cada poro sai pelas festas que dançam nos meus dedos.&lt;br /&gt;como posso como posso criar um orvalho se não crio nem a mim mesma? um orvalho que nasce na esperança de ser, de ser muito, de crescer e passear pelo mundo, de sentir as pessoas, suas flores suas vozes. é uma continuação do que sinto para fora para dentro para lugar nenhum. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu queria chorar agora. pedir implorar que alguém me dê a mão e que me salve. as horas passam os mundos se encostam a vida me exige&lt;br /&gt;hoje eu li uma coisa que me deixou assustada. no seu rosto vi algumas dores segredos passados sentidos nada mais que vontades de antes e depois, e o agora? o agora eu passava o orvalho que a vida me deu pel sua pele pra você sentir um pouquinho e para eu admirar o que é sentir e querer mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você me encostou. eu quis te empurrar, deixei a vida cair no chão desarmada sozinha esmagada pelos milhares de passos que um dia se confundiram por ali. corri pelo tempo lembrei dos rostos das coisas que inventei dos sonhos das malas desfeitas.&lt;br /&gt;não, eu não inventava nem desfazia malas, só ficava observando a escuridão ao redor e os olhos pedindo revolta vergonha amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;inundação: abraços toques e distância. a vida que se levanta sem perceber e foge carregando a repsiração ofegante da gente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ondas me acertam sempre,&lt;br /&gt;esses momentos me afogam e me guardam para si, só para si.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-3631895874474416525?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/3631895874474416525/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=3631895874474416525&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3631895874474416525'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3631895874474416525'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/10/vida-esta-me-chamando.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-4790758469615564024</id><published>2010-10-25T19:19:00.000-07:00</published><updated>2010-10-25T19:24:30.980-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>vou escrever o que sinto, de verdade:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;acho que estou. &lt;br /&gt;dizer o quê? já é demais. &lt;br /&gt;mas estou, mesmo. &lt;br /&gt;e tenho medo e uma tristeza profunda, porque sei que... só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a lua olhos fechados os passos o silêncio do mundo do lado de fora e o barulho explodido dentro de mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ah!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-4790758469615564024?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/4790758469615564024/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=4790758469615564024&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4790758469615564024'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4790758469615564024'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/10/vou-escrever-o-que-sinto-de-verdade.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-1856156115363638582</id><published>2010-10-02T08:11:00.000-07:00</published><updated>2010-10-02T08:23:09.603-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>a poesia morre(dentro de mim)&lt;br /&gt;agora!&lt;br /&gt;calada por beijos apressados,&lt;br /&gt;sozinha,&lt;br /&gt;com as dores já não consigo ter.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;muitos versos sempre ansiei&lt;br /&gt;cadentes contornos do corpo&lt;br /&gt;silêncio das gêmeas horas&lt;br /&gt;edifício desnudo escrito por ninguém&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando me olha o espelho,&lt;br /&gt;me vêem livros rasgados&lt;br /&gt;recortes de outros tempos já presos e prévios&lt;br /&gt;irmãos que partiram antes de nós&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a poesia não me beija&lt;br /&gt;romance sem clichê e final&lt;br /&gt;ligação tardia e dolorosa &lt;br /&gt;reticência que sopra a vida &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(agradecimentos ao ramon, que fez parte da construção desse poema :P)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-1856156115363638582?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/1856156115363638582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=1856156115363638582&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1856156115363638582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1856156115363638582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/10/poesia-morredentro-de-mim-agora-calada.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-1639425063314795885</id><published>2010-09-26T13:51:00.001-07:00</published><updated>2010-09-26T14:03:39.332-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>mudo os planos:&lt;br /&gt;a janela agora é um quadro do mundo&lt;br /&gt;guardo nas mão fechadas &lt;br /&gt;o pincel que vai desenhar o carnaval  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ligo a música&lt;br /&gt;vomito as cores presas em mim&lt;br /&gt;danço com os passantes&lt;br /&gt;giros que não acabam&lt;br /&gt;passos nas folhas secas da nota que não toca mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;inverno quente esse no meu corpo&lt;br /&gt;escorrem risos e abraços&lt;br /&gt;suor vivo alcançando a vida&lt;br /&gt;vida que roda na palma da minha mão&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-1639425063314795885?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/1639425063314795885/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=1639425063314795885&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1639425063314795885'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1639425063314795885'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/09/mudo-os-planos-janela-agora-e-um-quadro.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-3407753129110914026</id><published>2010-09-25T15:48:00.000-07:00</published><updated>2010-09-25T16:16:56.041-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>acho engraçada essa minha vontade de tomar as coisas de súbito. agora que aprendi a beber as saudades, arranco todos os copos que vejo pela frente e dou um longo gole. como se não bastasse, gosto do cheiro e do suor da tempo, respiro e passo a saliva pelas horas, canto com os segundos que me vão transformando em companheira e irmã das confissões no escuro. &lt;br /&gt;sinto como se estivesse vivendo o mundo, sede de ser e sermos, coragem de entrar na roda e se deixar embalar. outro dia eu rodei rodei sozinha no meio da sala, rodei até ficar tonta e cair no chão, rindo. sensação do embaçado, cores todas juntas, movimentos mais rápidos que eu, a vida que segue em ritmo de música e embriaguez.&lt;br /&gt;não vou esquecer o que você me disse no ponto do ônibus. os passageiros olhando nossa espera, o medo do assalto e da violência, apesar de, naquele momento, já termos sido assaltados e violentados por muitas coisas. você olhou para aquele viaduto longe, alto e com um porte de respeito. 'acho que não temos controle sobre nada'. eu concordei, porque me sentia tomada por tudo ali, menos por mim mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;[...]&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-3407753129110914026?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/3407753129110914026/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=3407753129110914026&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3407753129110914026'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3407753129110914026'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/09/acho-engracada-essa-minha-vontade-de.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-6438359478905615360</id><published>2010-08-08T21:00:00.000-07:00</published><updated>2010-09-22T15:32:09.412-07:00</updated><title type='text'>(por que não?)</title><content type='html'>sinto falta de como as coisas eram. olha, sei que tudo muda, e deve faltar muita maturidade dentro de mim para que eu possa entender sem um sofrimento perturbador e aceitar os fatos. mas eu não acredito ainda, não consigo, dói, fico horas deitada olhando para o teto sem conseguir nem ao menos mover os olhos. entro em depressão, fico arrasada, choro, tenho medo. tudo junto. e não há ninguém para quem eu possa ligar, dizendo: me dá uma página em branco para eu secar a tristeza.&lt;br /&gt;esse texto já está clichê o suficiente, eu sei. mas eu não me importo, não agora. já passa de 1 da manhã, e eu não consigo dormir. &lt;br /&gt;quero ouvir música, olhar as estrelas, salvar o mundo. quero voltar àquele dia em que eu não estava sentindo nada disso. quero, sinceramente, não querer mais nada. apenas que as coisas sejam naturais, mas não efêmeras. nossa, por que a efemeridade me ataca tanto?&lt;br /&gt;hoje eu me fiz uma pergunta. na verdade, duas: &lt;br /&gt;o amor é uma flor?&lt;br /&gt;eu sou uma flor?&lt;br /&gt;eu não quero ser uma maldita flor! mas eu juro juro juro que seria uma flor à beira da morte se eu pudesse salvar o amor de sê-lo. e aí é que eu acho que a eternidade me faz chorar, quando olhamos para o álbum de fotografia e não nos reconhecemos mais.&lt;br /&gt;por que eu preciso da eternidade? eu queria ser mais forte, mais presente no agora. por isso a solidão...&lt;br /&gt;porque tudo passa muito rápido, e eu fico lentamente para trás. não. algo de mim fica para trás, algo que eu quero de volta mas nunca mais consigo encostar. &lt;br /&gt;é a falta de mim mesma. não que eu não me tenha agora, porque eu tenho, mas eu crio espécies de relacionamentos inseparavéis com juras de amor eterno com as partes que deixei ontem.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-6438359478905615360?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/6438359478905615360/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=6438359478905615360&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6438359478905615360'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6438359478905615360'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/08/por-que-nao.html' title='(por que não?)'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-627613581211341297</id><published>2010-08-06T22:21:00.000-07:00</published><updated>2010-08-06T22:52:01.754-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>eu quero pedir desculpas pela sua vida. as mais sinceras e profundas. &lt;br /&gt;hoje, quando te vi, juro que senti a vontade dos olhos de Capitu, aquele impulso de amor e flor que pede para ficar mas vai embora rapidamente. queria ter te abraçado e prometido que as coisas não precisam ser assim. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- preciso me distrair.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;você me disse, jogando o pão sem fermento na areia. eu senti uma pena profunda pelo seu desejo de distração e quis chorar. na verdade, o que me veio como ventania no rosto foi cada pequeno momento encostando em você e indo embora, enquanto você dormia. às vezes, sonâmbulo, consigo te ver encostar nos móveis da casa, tentando escapar do quarto para o mundo, correndo e tropeçando correndo e tropeçando, no sonho de que não há o agora sem você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ela me deixou aqui, depois de tudo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mentira. você já tinha deixado o tudo antes de ele próprio acontecer. tantas foram as vezes que a vi correndo de madrugada pela rua, querendo respirar, enquanto você, silencioso, sentado na soleira da porta, apenas engolia o ar no compasso simétrico e sem sentido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ana, você está escutando uma palavra do que eu digo?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não. quer dizer, me desculpe, eu estava pensando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não sei mais o que fazer, não tenho horizonte!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- mas tem o mar... você não consegue ver o horizonte à noite, só o mar pintado de céu (ou o contrário, quem sabe). talvez você esteja vivendo uma noite longa e duradoura e talvez você precise deixar de dormir, de sonambular pelo mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- ana, por favor, não me venha com essas loucuras. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- não são loucuras. são minhas últimas palavras. preciso me desculpar... por tudo que fiz e não fiz ou não falei. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- você está indo embora? eu não vou conseguir...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vai. e essa é a melhor parte de estar dormindo. você pode cair e morrer o quanto for preciso, sempre acordará em sua cama, com os pulmões prontos para sentirem o ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e quando acordar, tudo estará bem, e você não precisará se distrair.&lt;br /&gt;só viver.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-627613581211341297?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/627613581211341297/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=627613581211341297&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/627613581211341297'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/627613581211341297'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/08/eu-quero-pedir-desculpas-pela-sua-vida.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-7897778905624817271</id><published>2010-07-19T14:34:00.001-07:00</published><updated>2010-07-19T14:54:28.416-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>não sou mais tão pequena quanto ontem. já não posso embrulhar-me num guardanapo e entrar dentro do seu bolso. eu olhava o mundo pelos furos, você sabe, mas também tinha um imenso medo de cair. às vezes você tropeçava, e eu juro que, por alguns segundos, eu fingia que não existia, bem fingido, mentindo pra mim mesma só para não desaguar um rio inteiro no meu sertão.&lt;br /&gt;há dias em que eu preciso ir para trás da porta, porque tenho medo dessa grandeza. mato tantas formigas por dia que não posso nem mais dizer que tenho medo de morrer. sou uma assassina, mas não como aquelas cartas que você (ainda) me envia. elas, sim, me matam de todas as formas, com uma crueldade que nem sinto ser cruel, como se o doce tivesse uma pitada muito fina de amargo.&lt;br /&gt;a solidão de ser grande é bem maior que a de ser pequeno. quando eu ainda era um botão, eu via as coisas difusas, não sabia isso, inventava aquilo, comia brócolis pensando ser batata-frita. agora não. de todas as formas, tudo me é tão claro quanto a dor (porque a dor sempre é. ao contrário de todo o resto, que sempre vai sendo. e que tantas vezes vem inventado com o vento), e não há mais nada em que eu possa me segurar, mesmo que eu não vá cair de lugar algum, não mais.&lt;br /&gt;o meu cair é ler suas cartas, é a lembrança do que ainda não veio, é não poder mais morrer em paz sem que todas as bactérias minúsculas decomponham meus corpos antigos. preciso saber guardar os pedacinhos do meu corpo ou queimá-los no mar. &lt;br /&gt;eu não vou responder as suas cartas. todo esse mundo novo, e tão pequeno, me machuca, fere meus últimos momentos de vida, me desabrocha como flor que, efêmera, já nasce dando adeus à vida. não quero escrever sobre essa imensidão na palma de minha mão!&lt;br /&gt;se quiser, estou no jardim do livro que leram para mim, há muito tempo. sou a flor silvestre, pequena (ali onde estou), vermelha. e parada. não surgi botão, não murcharei. a pintura é eterna naquelas páginas de livro. e nem você, com suas cartas, poderá me matar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-7897778905624817271?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/7897778905624817271/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=7897778905624817271&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7897778905624817271'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7897778905624817271'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/07/nao-sou-mais-tao-pequena-quanto-ontem.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-7169174032951606972</id><published>2010-06-18T19:29:00.000-07:00</published><updated>2010-06-18T19:39:14.344-07:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>gosto de te olhar tocando violão.&lt;br /&gt;não porque você toca bem &lt;br /&gt;- porque não toca -&lt;br /&gt;mas porque os cabelos encostam nos olhos&lt;br /&gt;e as cordas na alma. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;eu queria saber fazer isso,&lt;br /&gt;sabe? :&lt;br /&gt;tocar na alma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só sei desafinar as palavras,&lt;br /&gt;chorar as notícias,&lt;br /&gt;rezar para o tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;me ensina a tocar violão?&lt;br /&gt;quem sabe eu aprendo a cantar black bird.&lt;br /&gt;e fazê-lo voar com as fitinhas da memória para longe...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas precisa de ritmo?&lt;br /&gt;não tenho compasso&lt;br /&gt;e sou desritmada.&lt;br /&gt;nem bater os sapatos eu sei.&lt;br /&gt;(na verdade, ando descalça e meus pés são tortos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deixei um recado na sua caixa postal,&lt;br /&gt;passei na banca de jornal e comprei uns livros de música.&lt;br /&gt;mas tenho certeza que vão ficar jogados no armário...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assim como essas palavras.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-7169174032951606972?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/7169174032951606972/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=7169174032951606972&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7169174032951606972'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7169174032951606972'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/06/gosto-de-te-olhar-tocando-violao.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-5187347626672201717</id><published>2010-04-25T09:09:00.000-07:00</published><updated>2010-04-25T09:39:25.306-07:00</updated><title type='text'>_</title><content type='html'>fiquei o dia inteiro lendo um livro. um fato normal no cotidiano dos afazeres e pensamentos da efemeridade. mas o que me surpreende é a capacidade de me sentir companhia de todas as horas, amiga e amante das páginas brancas e negras, sonho de promessas de vida eterna.&lt;br /&gt;porque, ao abrir (docemente, como pernas prontas para o ato sexual) aquela capa dura e azul-escura, eu era vítima e assassina. o local do crime sempre o mesmo, com outras cores e outros toques, os personagens disfarçados de gente real, as minhas vontades soluçantes arranhando aquelas folhas.&lt;br /&gt;o desespero ora leite ora álcool ia me encantando os dedos, as vozes em minha cabeça já não faziam parte só-de mim. a parte era o todo, e o todo era o abismo infinito entre mim e os milhares de eus translúcidos saltando da história e quebrando as lentes -tão finas- dos meus óculos.&lt;br /&gt;de repente a campainha toca. fiquei atordoada, pois estava já presa por auréolas àquela narração de vida dormente. não sabia de onde vinha o som. acompanhei as pistas até a porta de casa, com o livro ainda sobre os dedos, e me deparei com o jornal de todos os dias. tive uma cesso de raiva! a realidade intransponível se encontrava quase encostada na beira dos meus pés. bati a porta furiosamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(sobre o desespero que se torna fúria: acordar e querer dormir, escovar os dentes e não conseguir arrancar o mau hálito dos que ainda sonham, afogar-se todos os dias na ducha fria e veloz que percorre o corpo como o tempo cansa as senhoras idosas de esperar pelo navio que nunca chega no horizonte, vestir-se e ver-se nua no espelho embaçado, ligar a televisão e só ter um canal com ruídos, comer o pão como quem tem sede e não há água (ou vinho) para sarar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ainda, tentar dar as mãos para o desenho feito quando criança e colorido com lápis de cera e sentir a imensa solidão emanando da mentira e da falta do agora.)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o livro expressava e comprimia. queria suprir tudo dali, daquelas falas silenciosas, do amor e do ódio e da vida tão presente e nunca passageira das horas. poderia? precisava escolher os finais, inventava novas idéias e histórias para cada detalhe e gesto. &lt;br /&gt;do desespero surgiu a criação. passaram a crescer as flores em cima do jardim seco, a regá-las de grafite conseguiu ser salva. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;da luz que se dá algo, surge um preenchimento temporário.&lt;br /&gt;vitimada, exerceu sua vontade de assassina e mãe.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-5187347626672201717?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/5187347626672201717/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=5187347626672201717&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5187347626672201717'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5187347626672201717'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/04/blog-post.html' title='_'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-7345677943256639620</id><published>2010-04-20T21:30:00.000-07:00</published><updated>2010-04-20T21:31:38.301-07:00</updated><title type='text'>asas e facas.</title><content type='html'>sei que haverá uma noite em que acordarei aos prantos, e minha mãe estará chorando sobre o corpo morto de meu pai.&lt;br /&gt;o tempo sua pelo corpo, vida em partitura de música italiana. janelas abertas para o mundo entrar nas casas, um sopro de tudo na poeira dos cantos dos cômodos.&lt;br /&gt;mamãe costumava dizer que morcegos são pássaros esquecidos. fazem barulho à noite, assustam, cegos voam pelas árvores e por cima dos pensamentos. papai, com o sorriso no corpo, lia alguns de seus poemas sobre pássaros que fingiam ser morcegos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- mãe!&lt;br /&gt;os dedos passeios de carruagem enferrujada sobre os pêlos, poros, sol. sal invadindo a cachoeira crescente, brilho único de adeus. ainda de camisola, jazia estendida ao chão, as orelhas congelando no mármore branco, enquanto suas mãos apoiavam no coração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- está fingindo, amor. &lt;br /&gt;sufoquei com a explosão torturante que queria ser vomitada dos meus lábios. havia sonhado com o horizonte, com alguma música e instrumentos. sentia a vontade de voltar para a calmaria que emanava da cama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela ficou ali o dia inteiro. senti o cheiro de podridão vinda do corpo. sentei-me na cadeira de balanço só para sentir o terrível gosto do vai e vem. conversava com papai de vez em quando, arrastava o rosto na pedra dura, resmungava sobre a noite mal dormida. senti pena.&lt;br /&gt;à noite, tive forças para parar de balançar. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- chegou a hora, você sabe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;levantou-se sem espirros, o sangue todo parecia estar no rosto.&lt;br /&gt;os punhos fechados, como se guardassem algo dentro. &lt;br /&gt;foi até a janela do apartamento e jogou um ser morto oito andares abaixo.&lt;br /&gt;era um morcego.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não escutei a queda, quase que ironicamente, mas os seus grunhidos finos e perdidos: é besteira, não importa! é besteira, ouviu? onde estava com a cabeça?&lt;br /&gt;fiquei assustada em alguns momentos, com vontade de chorar e gargalhar, mas o mais terrível de tudo foi mamãe ter aparecido com um pássaro engaiolado e cego para cuidar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;no enterro de papai rezei por piedade.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-7345677943256639620?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/7345677943256639620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=7345677943256639620&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7345677943256639620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7345677943256639620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/04/asas-e-facas.html' title='asas e facas.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-1417845108492233078</id><published>2010-03-07T20:46:00.000-08:00</published><updated>2010-03-07T21:08:43.475-08:00</updated><title type='text'></title><content type='html'>de repente tudo ardeu. e arde, como fogo em casa longe do mar. meu corpo em incêndio de noite de são joão, a vida em cirandas mentirosas e cansadas. a parede ao meu lado chora, a janela lacra as cortinas de folhas, a menina sentada na varanda acena para o mundo negro e faminto.&lt;br /&gt;porque, em um segundo, sinto a água de 1 real tocar meus lábios e meus lábios tocarem os lábios secos do homem pedindo esmola. vem a sensação de passageiro no ônibus, não, meu deus, na ambulância, estou em chamas me salvem!&lt;br /&gt;a poesia grita. grita Grita GRita GRIta GRITa GRITA! como se fosse um nome, como se grita fosse alguém que pudesse fazê-la respirar! sufocada. engolindo a água de preço inventado, o descaso com ela mesma.&lt;br /&gt;ela invade a a minha mente e pede para eu atirar bem fundo. desenha uma arma e me dá de presente e diz: vai. mas eu não vou, não consigo, fico parada, a arma escorrendo pela tinta a fora. deixo virar um borrão e passo os dedos na sua textura. passo os dedos pelo rosto e fico suja de violência, os poros absorvendo e enviando tudo pro sangue.&lt;br /&gt;começo a pulsar - vida que estoura de medo, de vergonha, de anseio. preciso. e repito: preciso! o precisar passa a um querer profundo. o sangue pulsando no ritmo dos tiros.&lt;br /&gt;perguntei prum menino onde ele havia guardado. ele me respondeu que nunca teve. eu disse é mentira! mas não era, não não, não era e aquilo me desesperava. ele não tinha guardado num baú e trancado, ou escondido só pra ele. tinha cicatrizes, sim, mas só lembranças. às vezes ela vinha, mas como chuva de verão, depois deixava tudo para trás, pobre nordeste.&lt;br /&gt;me chamou prum cantinho e sussurou no meu ouvido: ela grita! mas ninguém escuta, porque é um grito silenciado pelas buzinas.&lt;br /&gt;seus olhos sem formato, seus lábios quis beijar. peguei na mão dele e disse: poesia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- meu amor, de que o mundo precisa?&lt;br /&gt;- de poesia.&lt;br /&gt;- mas tem tanta gente passando fome, morrendo por aí...&lt;br /&gt;- exatamente.&lt;br /&gt;- não entendi...&lt;br /&gt;- a poesia está muda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;porque ataram seu grito com uma nota de 1 real.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-1417845108492233078?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/1417845108492233078/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=1417845108492233078&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1417845108492233078'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1417845108492233078'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/03/de-repente-tudo-ardeu.html' title=''/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-7467278922319830006</id><published>2010-01-26T19:52:00.000-08:00</published><updated>2010-01-26T20:27:17.585-08:00</updated><title type='text'>-</title><content type='html'>aqueles gritos demoraram a sair da minha casa, dos cômodos, do pozinho entre as teclas do meu computador. entraram como uma orquestra, para todos os lados, pela fresta da minha janela e me alcançaram no chão onde eu estava deitada.&lt;br /&gt;acordei sobressaltada, por saber que me tomavam os ombros e sacudiam. eu me deixava tocar como o piano em que meus pés encostavam. mas naquela noite, com o barulho me arranhando, eu queria ser muda. fui até a rua, era madrugada e meus olhos também pesavam como se houvesse uma gota de orvalho pendurada em cada cílio.&lt;br /&gt;havia faltado luz no bairro inteiro - os gritos eram feito chamas. a janela de frente à minha casa estava aberta e uma mulher chorava.&lt;br /&gt;cada grito, que como uma sinfonia crescia e diminuia, me consumia mais e mais. comecei a sentir o corpo quente. joguei água, mas não adiantou, tudo estava em carne viva. desde o chão em que eu pisava até os olhos assustados e com uma ponta de sentimento se escondendo nas dobraduras do piscar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pessoas na rua já sussurravam.&lt;br /&gt;- acho que morreu alguém.&lt;br /&gt;- nossa, não somos ninguém diante disso tudo, não é mesmo?&lt;br /&gt;- é.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;entrei. teimosia de querer se distrair da vida. já disse que não quero distrações: quero sentir. como escrevo agora parece que foi um fato comum em um dia quente e sem sorte. realmente foi, não minto.&lt;br /&gt;mas tudo me fogia do controle:&lt;br /&gt;grito, fogo, dor, água. grito, dor, água, fogo. grito, fogo, fogo, dor. grito, grito, grito... fogo, grito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;um homem morreu, meu deus, e agora? como aquela mulher vai olhar para o mundo? como se as coisas já são duras e há de se limpar a casa toda sexta-feira? como se os chinelos ainda estão ao lado da cama! e o vidro ainda está embaçado com o frio do inverno passado.&lt;br /&gt;fui para o banheiro e apoiei a cabeça na parede, a mão no peito. meu coração gargalhava.&lt;br /&gt;era medo? era dor? era culpa? era falta?&lt;br /&gt;o piano da sala parecia tocar sozinho, as pessoas na rua continuavam a olhar, os braços na cintura, a cabeça balançando, um conforto religioso afagando-lhes o pensamento.&lt;br /&gt;quero um abraço, que me digam que sentem muito, que lamentam o repentino. talvez assim eu consiga me distrair um pouco do inevitável, porque os sentidos já me deixaram.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;voltei a dormir. os dias seguintes devagar e estagnados.&lt;br /&gt;o que mais me angustia é que a janela aberta por toda aquela noite continua fechada e os gritos, calados.&lt;br /&gt;renderam-se, tal como eu (deiticamente), ao tempo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-7467278922319830006?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/7467278922319830006/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=7467278922319830006&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7467278922319830006'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7467278922319830006'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/01/blog-post.html' title='-'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-6975282878656475224</id><published>2010-01-04T19:09:00.000-08:00</published><updated>2010-01-04T19:13:51.022-08:00</updated><title type='text'>"pra você eu digo..."</title><content type='html'>gostava de assoprar as bolinhas de sabão e ver como estouravam facilmente. sabia que era tão passageiro como uma viagem de ônibus até itacuruçá naquelas férias de verão.&lt;br /&gt;a bolinha sobe, diz que não quer nada, sente o mundo por alguns segundos e...&lt;br /&gt;às vezes tentava pegá-las com a mão, mas era muito difícil! escorregadias, espertas, medrosas. as bolhas de sabãos conseguiam ser mais sábias que a menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ela, sim, deixava-se agarrar. aliás, jogava-se nas presas ferozes com a coragem nos olhos fumegantes. abria os braços como quem diz me abraça forte never let me go.&lt;br /&gt;também surgiam, com isso, as vontades de eternidade.&lt;br /&gt;quero que isso não se acabe, não não, como poderia deixar de ser isso para ser aquilo, como? fica, fica, não se esvai, não se deixe voar pela brisa até misturar-se e deixar de ser algo senão ela mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;corria. o céu em seu rosto, estrelas penduradas em seus cabelos. precisava alcançar o depois e guardá-lo dentro do peito como um grito que não, não quer sair. fica, fica!&lt;br /&gt;preciso tanto de você como é, estático e brilhante. luz que pisca, mas nunca acaba. desejo de estar aqui agora eu você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com um sim: estourou a bolha e viu as gotinhas d'água caindo no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;com um não: continuou a olhar a bolha esperta, que subia colorida a tentar alcançar o céu e tornar-se arco-íris.&lt;br /&gt;-fotografia-&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;às vezes prefiro um talvez.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-6975282878656475224?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/6975282878656475224/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=6975282878656475224&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6975282878656475224'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6975282878656475224'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2010/01/pra-voce-eu-digo.html' title='&quot;pra você eu digo...&quot;'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-8958087765302245868</id><published>2009-11-18T12:31:00.000-08:00</published><updated>2009-11-20T06:14:13.786-08:00</updated><title type='text'>sussurros em forma de olhar no gramado noturno.</title><content type='html'>- meu amor, a vida corre. -&lt;br /&gt;aqui estou, passageira do orvalho,&lt;br /&gt;contando as estrelas através das batidas do seu coração&lt;br /&gt;esperando, calma e serena, o mundo girar mais uma vez&lt;br /&gt;e as nuvens se transfigurarem como algodão-doce em mão de criança.&lt;br /&gt;- meu amor, meu sussurro é silêncio que chora. -&lt;br /&gt;olho suas mãos mal-feitas, as unhas crescendo tortas,&lt;br /&gt;as notas do piano marcadas em suas digitais.&lt;br /&gt;toca uma música?&lt;br /&gt;isso, passeia os dedos pelo meu corpo e me faz acorde sem som.&lt;br /&gt;a pele nunca fala. ela transpira.&lt;br /&gt;- meu amor, preciso de oxigênio. -&lt;br /&gt;que eu já não posso respirar esse ar ora doce ora contínuo ora amargo ora lúcido. porque me corrói, viver está me matando.&lt;br /&gt;sinto cada estrela morrendo comigo, sinto cada lua iluminando meu túmulo.&lt;br /&gt;- meu amor, o dia termina. -&lt;br /&gt;e o silêncio vai silenciando. meus lábios tornam-se botões de rosa para nascer amanhã. cada gota de verdade se perde nos poros sem fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meus olhos chamam a aurora: a noite estrelada, os sussuros cadentes... morrem com o brilho cansado do sol insistente de cada dia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-8958087765302245868?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/8958087765302245868/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=8958087765302245868&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8958087765302245868'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8958087765302245868'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/11/sussuros-em-forma-de-olhar-no-gramado.html' title='sussurros em forma de olhar no gramado noturno.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-6774104778659925103</id><published>2009-11-11T15:56:00.000-08:00</published><updated>2009-11-14T16:59:45.632-08:00</updated><title type='text'>~</title><content type='html'>sempre associei a morte a um gosto. não consigo lembrar de mais nada agora, sentado neste sofá roído. nem dos seus olhos nem da sua pele macia e branca nem de nada. mas sinto o gosto. um gosto meio doce meio amargo meio saudade meio beijo, daquelas balas que enganam no início e depois se mostram sem a camada de açúcar.&lt;br /&gt;no início, não houve lágrimas ou gritos. aceitei como um imposto de renda (ou se paga ou se é calado - eu me calei). vêm as cores do pôr-do-sol lamber os meus olhos como pesadas pálpebras terra e depois estou sentado na lua observando-a apoiada na janela.&lt;br /&gt;a última vez em que vi você foi um até logo sussurrado aos bocejos. té, amor. levantou-se com o olhar triste, caminhou até a porta, apoiou a cabecinha na parede e piscou os olhos pra mim, distante, distante. você queria que eu levantasse, abraçasse forte e não a deixasse ir. mas eu não fiz isso.&lt;br /&gt;depois você saiu com uma lágrima secreta, trancafiada a cem chaves. eu sempre consegui ver pela fechadura. não me movi. você era minha, não precisava me esforçar para continuar sendo.&lt;br /&gt;como o clichê segue: você não voltou. quando recebi a notícia o sangue ainda estava fresco, lembro de correr até o local e vê-la jogada no chão, os braços agarrados a um livro de poesia. senti a ironia daquilo tudo.&lt;br /&gt;não consegui chorar. voltei pra casa, apaguei as luzes, fechei as cortinas e fiquei só.&lt;br /&gt;quando olho para a porta, vejo seus olhos.&lt;br /&gt;o cheiro do repentino não sai do seu perfume, o gosto da morte rodeia meu tempo e o arrependimento me inunda por dentro e seca meu sertão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-6774104778659925103?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/6774104778659925103/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=6774104778659925103&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6774104778659925103'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6774104778659925103'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/11/blog-post.html' title='~'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-4087035510189486716</id><published>2009-10-06T16:43:00.001-07:00</published><updated>2009-10-06T17:29:19.007-07:00</updated><title type='text'>i[m]und?ação!</title><content type='html'>luísa abriu os olhos e deixou que as gotas de chuva entrassem em si, ardendo como chama. estava deitada no meio da tempestada sobre nuvens de concreto e pensamentos ladrilhados. a vida corria tão difícil como aqueles livros chatos e intermináveis (pedimos à nossa doce consciência que nos libere do ardoroso fárduo de terminar de lê-los, que possamos fechá-los e deixar que a poeira leve a história para o fundo do armário).&lt;br /&gt;as imagens vinham à mente como assaltantes armados. chegavam, sacavam a pistola e... às vezes roubavam tudo que tinha; outras, atiravam até o sangue escorrer pelos poros em dúvida de morrer ou apenas trazer a dor.  ah, era difícil. naquele momento, ela apenas queria abaixar o tom de voz até chegar a um sussurro auto-piedoso: me ajuda.&lt;br /&gt;a semana inteira havia se tornado tempo de opressão para consigo mesma. adoecera, e lhe pareceu que tudo à sua volta também se tornara doentio. todos os dias, incontáveis, ia para o trabalho. luísa era professora de matemática. já fechava a porta de casa fazendo contas, contava os passos e os suspiros que fugiam impetuosos do seu peito: ah-ah-ah! 1,2,3 [x] infinito cortado (não há tempo para suspiros (nem números)). dava suas aulas, voltava para casa e ia assistir à televisão ou ler um livro. sempre gostou das palavras, apesar de ter trocado juras de amor com a exatidão. seguia a vida normal, suando e transpirando, catando um tempinho aqui e ali no final de semana para ir ao cinema. mas então a doença veio e avassalou sua vida.&lt;br /&gt;teve que ficar de cama durante uma semana. e, nesse tempinho, luísa resolveu ver todos os noticiários que nunca havia visto antes (era só novela, ora essa). cada vez que uma notícia surgia, ela abria bem os olhos e prestava atenção, afinal, não é que todos dizem ser importante ser bem informado? também vou ser!&lt;br /&gt;conforme as horas foram correndo, mais se fixava na cama, mais apertava os dedinhos embaixo da coberta. descobriu um canal pirata na sua televisão, um bandnews que às vezes surge mal sintonizado. prestava atenção em cada mínimo detalhe, em cada parêntesis ou vírgula que as imagens cotinham.&lt;br /&gt;começou a ser o que via. quando as milhares milhares milhares milhares milhare milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhare milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhare milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhare milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhare milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhare milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhare milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhare milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares milhares de crianças passando fome na áfrica apareciam por meio de palavras ou com a cortante presença física, luísa sentia a dor crescer e fervilhar dentro de seu peito. o estômago roncava e pedia comida, por favor, só um pouquinho, dói tanto, quero um pedaço de pão. mas nem migalhas vinham.&lt;br /&gt;quando a favela aparecia, escutava os tiros rompendo do seu lado e um medo terrível perpassava todo o seu corpo. medo medo medo medo medo de morrer e nem saber por que de onde para onde como. apenas a culpa no final, e os homens de cinza com olhares de lei nos olhos espancando com porretes de falsa moral a vida que corre sem sentido para os corpos jogados nos rios no fim de tarde.&lt;br /&gt;de repente os trabalhadores sendo explorados, reprimidos, sem tempo para criação ou verbo-ser. a identificação foi real. e todos os momentos abusivos se tornaram raízes por seu corpo e deram frutos de raiva e indignação.&lt;br /&gt;morte, corrupção, fome, violência, repressão&lt;br /&gt;- alienação?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;luísa estava deitada no meio da rua olhando para o céu. queria sentir aquele chão cheio de petróleo e lembrar-se que o suor do povo estava enterrado ali. seu suor também estava, cravado e escondido, bem ao lado do da sua vizinha, dos seus amigos de trabalho, do senhor carlos, dono da vendinha de legumes que almoça para não jantar.&lt;br /&gt;sua vida não poderia continuar como era antes. não depois de toda absorção e luz que ganhou graças ao que a sociedade chama de doença. a doença que teve fê-la sofrer, mas arrancou toda miopia, astigmatismo e catarata que tinha nos olhos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a semana seguinte seria ... forte.&lt;br /&gt;suas mãos agora são sangue pulsante, força que lateja e não pára.&lt;br /&gt;sabia que tudo estava errado, e uma reciclagem aqui e ali não bastaria.&lt;br /&gt;é preciso jogar tudo no lixo!&lt;br /&gt;e criar vida nova.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-4087035510189486716?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/4087035510189486716/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=4087035510189486716&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4087035510189486716'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4087035510189486716'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/10/imnundacao.html' title='i[m]und?ação!'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-190215079686050918</id><published>2009-10-04T19:10:00.000-07:00</published><updated>2009-10-06T19:02:56.195-07:00</updated><title type='text'>janela entreaberta.</title><content type='html'>abri os olhos e você me olhava. amêndoas arco-íris pedindo pr'eu cantar uma música de ninar. dorme, meu bem, que o tempo lá fora nos espera, dorme, meu amor, que a vida nos exige, e o caminho é longo, descansa agora enquanto eu mexo nos seus cabelos de poesia infinita.&lt;br /&gt;len-ta-men-te, você se deixou embalar pelo meu canto sereno. por um momento, pude ver a fragilidade da sua respiração leve e cheia de vida. quis sentir como você sentia. o ar entrando, saindo, paz.&lt;br /&gt;cobri seu corpo macio e delicado e sentei no parapeito da janela.&lt;br /&gt;olá, estrelas.&lt;br /&gt;milhares de pontinhos brilhantes acenavam para mim. são os vagalumes da eternidade. eu poderia ficar ali até os fins dos tempos, tecendo, sustenido por sustenido, a doce melodia que é viver.&lt;br /&gt;você bocejou sonhos. eu costurava o dia. quando a manhã chegasse, certamente o raio de sol mais forte despontaria seu rosto para um sorriso girante, como o girassol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas um chamado vindo de fora da janela me assustou.&lt;span style="font-style: italic;"&gt; moça dos cabelos de corda e dos dedos de harpa!&lt;/span&gt; não sei de onde veio ou por que me tirou a tranqüilidade: abri as asas e voei com o orvalho caindo dos olhos, deixando tulipas nascendo por onde passava... para o azul do mundo lá fora.&lt;br /&gt;quando você acordou, apenas a música ficou presa no quarto, e aquele gosto de mel-primavera querendo voltar a ser doce.&lt;br /&gt;no chão, uma estrela caída ainda cintilava.&lt;br /&gt;-(era um vagalume ferido)-&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-190215079686050918?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/190215079686050918/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=190215079686050918&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/190215079686050918'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/190215079686050918'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/10/janela-entreaberta.html' title='janela entreaberta.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-5442158722604704894</id><published>2009-09-28T15:18:00.000-07:00</published><updated>2009-09-28T16:03:44.778-07:00</updated><title type='text'>até.</title><content type='html'>é tudo mentira. mesmo que todas as lágrimas que cantam para o meu sono vir secassem, eu ainda estaria de joelhos para o espelho, tentando enxergar um pingo de chuva no chão refletido. &lt;br /&gt;nada é como o querer. por isso a invenção, essa magnitude viva de construir cidades inteiras com o meu desejo (e depois desabá-las com apenas um sopro de realidade). sabe, como se o que existe me doesse ou não me bastasse, como se eu quisesse mais, como se eu precisasse de um abraço longo e demorado que me arranhasse até a alma. &lt;br /&gt;porque tudo é tão difícil. parece redundante falar isso quando as palavras já me são tão duras, quando você vira a esquina e leva consigo o olhar e o meu sentimento. e ele é maleável, deixa-se carregar fácil, é doce e sereno, e tem medo.&lt;br /&gt;eu sentei no chão para sacudir um pouco as estrelas do céu com meu olhar delirante. vi que você estava perdido. também estava. mesmo nós dois estando com as mãos atadas como asas que voam e não voltam mais. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cena 1:&lt;br /&gt;- você viu?&lt;br /&gt;- o quê?&lt;br /&gt;- uma estrela cadente.&lt;br /&gt;- seus olhos?&lt;br /&gt;- não, lá no céu.&lt;br /&gt;- seu sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;cena 2:&lt;br /&gt;- você viu?&lt;br /&gt;- o quê?&lt;br /&gt;- os fogos explodindo no céu!&lt;br /&gt;- não, não vi.&lt;br /&gt;- ah.&lt;br /&gt;- já é tarde, você está alucinando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas as estrelas, e o ar rarefeito, e o sereno... nunca é tarde para se agarrar às luzes que atacam meu coração. depois você levantou devagar, foi tragar um cigarro no banquinho ao lado do portão. &lt;br /&gt;eu precisava tanto, tanto. ao mesmo tempo em que precisava do lado oposto. queria gritar me dá a mão; ou vai embora.&lt;br /&gt;talvez eu realmente estivesse alucinando, porque comecei a rezar baixinho que deus me salvasse daqueles momentos, que o dia viesse logo e que tudo acabasse. que tudo voltasse ao normal, que eu fosse novamente luísa e não luzia sem luz.&lt;br /&gt;esses são os momentos de pesadelos que se aliviam logo após acordarmos e descobrirmos que nada era de verdade. mas aquilo era real: você sentado distante na pedra, os pulsos finos e tatuados, a cicatriz dolorosa nos olhos.&lt;br /&gt;cravei as mãos na terra e te esqueci. era melhor agora chorar escondida, dentro dos armários, a me encarnevivar.&lt;br /&gt;levantei como uma senhora e cheguei perto: - beijei o ar carbônico que saía de você, tão mortífero quanto o olhar que trocamos. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;entrei em casa e tranquei a porta. fui dormir, como se acreditasse que acordaria no dia seguinte com a saborosa lembrança distante do sonho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-5442158722604704894?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/5442158722604704894/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=5442158722604704894&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5442158722604704894'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5442158722604704894'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/09/ate.html' title='até.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-7948770128873618333</id><published>2009-09-19T05:26:00.000-07:00</published><updated>2009-09-19T05:57:08.711-07:00</updated><title type='text'>_</title><content type='html'>tudo não passa de um olhar para dentro&lt;br /&gt;e de perceber que há uma cadeira vazia,&lt;br /&gt;pedindo pr'eu descansar.&lt;br /&gt;meus pés estão tão cansados,&lt;br /&gt;de correr pra não sei aonde.&lt;br /&gt;parar é preciso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;minhas roupas já tão amarrotadas,&lt;br /&gt;meus sonhos saias de algodão.&lt;br /&gt;a música que toca me deixa tonta&lt;br /&gt;mesmo sentada sinto o cansaço do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;escondida, me guardo&lt;br /&gt;nas páginas que não podem ser lidas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-7948770128873618333?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/7948770128873618333/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=7948770128873618333&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7948770128873618333'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7948770128873618333'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/09/blog-post.html' title='_'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-2540894234461043696</id><published>2009-09-03T16:21:00.000-07:00</published><updated>2009-09-03T16:26:15.042-07:00</updated><title type='text'>descoberta.</title><content type='html'>pura e simples, &lt;br /&gt;a gota de orvalho me faz flor.&lt;br /&gt;desce dos cabelos e planta sementes&lt;br /&gt;no pensamento chuvoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;coloridos são os olhos,&lt;br /&gt;formadores de lacrimosas pontes,&lt;br /&gt;deliciosos suspiros de madrugada passada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de água o corpo é todo doce,&lt;br /&gt;misturado ao sal das piscadas silenciosas,&lt;br /&gt;pausa fora mundo dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se eu voar&lt;br /&gt;as gotas me choram,&lt;br /&gt;mas não secam:&lt;br /&gt;- escorrem, lentas,&lt;br /&gt;tornam-se cobertores-retalhos de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-2540894234461043696?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/2540894234461043696/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=2540894234461043696&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2540894234461043696'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2540894234461043696'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/09/descoberta.html' title='descoberta.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-5690947139303102498</id><published>2009-09-03T16:17:00.000-07:00</published><updated>2009-09-03T18:34:26.076-07:00</updated><title type='text'>me dá um gole.</title><content type='html'>esse céu, as estrelas, seus olhos&lt;br /&gt;são a bebida na escrivaninha&lt;br /&gt;ao lado do papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o líquido multicolor&lt;br /&gt;borra a folha em branco&lt;br /&gt;e forma um pássaro colorido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não preciso de palavras&lt;br /&gt;para ler a poesia que do vidro escorre&lt;br /&gt;e crava o vício nos lábios secos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-5690947139303102498?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/5690947139303102498/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=5690947139303102498&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5690947139303102498'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5690947139303102498'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/09/me-da-um-gole.html' title='me dá um gole.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-8623181371940192002</id><published>2009-09-03T16:13:00.000-07:00</published><updated>2009-09-03T16:17:04.818-07:00</updated><title type='text'>gatilho.</title><content type='html'>de repente você sacou a arma,&lt;br /&gt;e, com um tiro,&lt;br /&gt;arrancou toda minha vontade.&lt;br /&gt;me deixou perdida,&lt;br /&gt;fora do espaço entre nós.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;fui para longe,&lt;br /&gt;onde a pólvora não tinha força,&lt;br /&gt;morta e com a bala pesada nas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;joguei no lixo a minha tarde,&lt;br /&gt;o pôr-do-sol,&lt;br /&gt;todos os pulsos que me nutriam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o sangue-sentimento é doce,&lt;br /&gt;mas agora só sinto um gosto&lt;br /&gt;salgado queimando minha face.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a dor voa no ar&lt;br /&gt;como estalo sinfônico.&lt;br /&gt;eu caio no chão&lt;br /&gt;como silêncio de pausa.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-8623181371940192002?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/8623181371940192002/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=8623181371940192002&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8623181371940192002'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8623181371940192002'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/09/gatilho.html' title='gatilho.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-2961242555164840466</id><published>2009-08-12T22:58:00.000-07:00</published><updated>2009-08-12T23:06:50.173-07:00</updated><title type='text'>huuum-ah.</title><content type='html'>seu cheiro impregna o meu cheiro.&lt;br /&gt;e o ar que eu respiro já é todo você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o perfume é doce.&lt;br /&gt;textura impermeável de choro.&lt;br /&gt;gosto de maçã com açúcar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;posso lacrá-lo em um papel?&lt;br /&gt;para que eu possa tê-lo só,&lt;br /&gt;inspirá-lo de quando em quando,&lt;br /&gt;sentir que esse cheiro vive até na poesia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-2961242555164840466?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/2961242555164840466/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=2961242555164840466&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2961242555164840466'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2961242555164840466'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/08/huuum-ah.html' title='huuum-ah.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-1808502443836283168</id><published>2009-08-08T21:06:00.000-07:00</published><updated>2009-08-08T22:10:54.726-07:00</updated><title type='text'>roda-pé.</title><content type='html'>- você pode ficar só mais um pouquinho?&lt;br /&gt;sorriu, e as migalhas caíram de suas mãos. como se mais um dia inteiro tivesse passado em vão, naquele tempo sem relógio, onde a noite e o dia ou o dia e a noite e as tardes são todas iguais. era como uma cadeira de balanço quebrada: você quer balançar, mas não consegue; quer dormir, mas ela range. &lt;br /&gt;o sorriso foi pequenino, tímido, medroso, mas ainda assim conseguiu gritar para o mundo alguma coisa disforme, profunda, pingando de sentimentos. ficou muda, paradinha, os olhos piscando. fica, por favor.&lt;br /&gt;não sabia direito o que estava fazendo: tirou as sandalinhas, o lenço que cobria seu pescoço e estendeu a mão nos pensamentos. nenhum movimento. a janela ainda ventava sem cortina, o mundo em holofotes lá fora.&lt;br /&gt;o vento frio entrou e congelou o quarto devagar. mas ela não se moveu.&lt;br /&gt;- disse algo?&lt;br /&gt;- disse.&lt;br /&gt;- o quê?&lt;br /&gt;- posso te contar uma mentira?&lt;br /&gt;- por quê?&lt;br /&gt;- posso?&lt;br /&gt;- pode.&lt;br /&gt;- eu te amo.&lt;br /&gt;- isso é uma mentira?&lt;br /&gt;- não. mas tudo o que está por trás disso é.&lt;br /&gt;- incompreensível. preciso ir, te vejo amanhã.&lt;br /&gt;fica.&lt;br /&gt;foi e fechou a porta. a janela aberta. frio frio frio. o quarto deliciosamente inundando dos cantos até o teto, do teto até a janela, da janela até o mundo. e o mundo lá fora indiferente, se deixando inundar, mar lacrimar de pessoas-peixes.&lt;br /&gt;ia morrer afogada. procurou as migalhas no chão. morreria com dignidade. catou-as, meteu tudo no bolso.&lt;br /&gt;mas o bolso estava furado.&lt;br /&gt;ele voltou no dia seguinte. o cheiro salgado alastrando a casa. a cadeira de balanço úmida e com vontade de balançar. o silêncio estava mudo. &lt;br /&gt;o rádio ligado no quarto. chopin pianotava por ali.&lt;br /&gt;- meu bem?&lt;br /&gt;- tive um sonho.&lt;br /&gt;- sonhou o quê?&lt;br /&gt;- sonhei que a casa era um oceano e que eu podia nadar, apesar de morrer afogada logo depois.&lt;br /&gt;- deus me livre!&lt;br /&gt;- posso ao menos nadar e voar nos meus sonhos...&lt;br /&gt;- deixa de besteira, isso é coisa de artista. vou te levar para dar umas voltas.&lt;br /&gt;- não quero. quero ficar aqui.&lt;br /&gt;- eu não gosto de ficar aqui dentro, preso.&lt;br /&gt;- eu sou presa aqui dentro ou lá fora, qual a diferença?&lt;br /&gt;- não quer passear?&lt;br /&gt;- não.&lt;br /&gt;- vou embora.&lt;br /&gt;fica.&lt;br /&gt;vai.&lt;br /&gt;fica.&lt;br /&gt;fica.&lt;br /&gt;vai.&lt;br /&gt;me empurra para um mundo em que o voar sejam passos no chão; me empurra até que eu não precise mais ser empurrada. &lt;br /&gt;ele foi embora.&lt;br /&gt;ela ficou deitada. a cadeira de balanço estava longe, longe. &lt;br /&gt;voltou a sonhar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-1808502443836283168?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/1808502443836283168/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=1808502443836283168&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1808502443836283168'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1808502443836283168'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/08/roda-pe.html' title='roda-pé.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-5734574474815030122</id><published>2009-08-02T20:13:00.001-07:00</published><updated>2009-08-02T20:17:20.232-07:00</updated><title type='text'>Placa Enferrujada.</title><content type='html'>Precisa-se de algo&lt;br /&gt;ainda não descoberto.&lt;br /&gt;Pode ser de maracujá&lt;br /&gt;ou quente como chocolate.&lt;br /&gt;Pode ser rosa, amarelo, &lt;br /&gt;negro, vermelho,&lt;br /&gt;de amor, de odio, explosão!&lt;br /&gt;Mas tem de preencher&lt;br /&gt;ausência aberta,&lt;br /&gt;falta fermentada.&lt;br /&gt;Tem de curar vícios&lt;br /&gt;e medo de escuro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisa-se. &lt;br /&gt;(por enquanto ainda na intransitividade clandestina)&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-5734574474815030122?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/5734574474815030122/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=5734574474815030122&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5734574474815030122'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5734574474815030122'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/08/placa-enferrujada.html' title='Placa Enferrujada.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-3459798777912658313</id><published>2009-08-01T10:08:00.000-07:00</published><updated>2009-08-01T10:10:43.466-07:00</updated><title type='text'>posse de abstrato.</title><content type='html'>eu tenho uma loucura dentro de mim&lt;br /&gt;que canta, dança, roda.&lt;br /&gt;explode em fogo adverso,&lt;br /&gt;queima as cortinas de veludo &lt;br /&gt;que cobrem as palmas de minhas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sabê-la é como ler labirintos,&lt;br /&gt;mapas em branco aos pedaços.&lt;br /&gt;abrir o baú que a guarda&lt;br /&gt;é volta ao pensar universo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não que consiga liberdade,&lt;br /&gt;fera única de dois gumes.&lt;br /&gt;o que tem é meu ar,&lt;br /&gt;minha vida, a paixão de acordar e ser.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;como fui enganada!, &lt;br /&gt;e a água que me envolve reflete o real,&lt;br /&gt;ouço um riso histérico de prazer:&lt;br /&gt;eu sou tida por ela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- paciente, nunca sujeito de mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-3459798777912658313?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/3459798777912658313/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=3459798777912658313&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3459798777912658313'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3459798777912658313'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/08/posse-de-abstrato.html' title='posse de abstrato.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-4588492123567566281</id><published>2009-07-27T15:28:00.000-07:00</published><updated>2009-07-27T15:33:32.689-07:00</updated><title type='text'>a madeira da beira.</title><content type='html'>a porta entreaberta,&lt;br /&gt;o mundo entre farpas.&lt;br /&gt;uma de suas lágrimas me olha,&lt;br /&gt;mas só fumaça me cheira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a frestra é sombra,&lt;br /&gt;dança desordenada.&lt;br /&gt;o cigarro me atinge,&lt;br /&gt;(você fuma a dor como quem ri)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu deus, tudo se fecha!&lt;br /&gt;a luz vai embora &lt;br /&gt;-acendo o isqueiro-&lt;br /&gt;letreiro na porta: abismo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-4588492123567566281?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/4588492123567566281/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=4588492123567566281&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4588492123567566281'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4588492123567566281'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/07/madeira-da-beira.html' title='a madeira da beira.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-5368044345857348361</id><published>2009-07-10T20:01:00.000-07:00</published><updated>2009-08-01T10:03:54.763-07:00</updated><title type='text'>desespero silabal.</title><content type='html'>você é tudo que tenho agora. você e um pouco do desespero. porque isso vem, me sacode, me machuca, me silencia, joga felicidade em forma de pílula para dentro de mim e depois vai embora. vai, voando, como uma mariposa que eu desenhei e depois fugiu do papel para o mundo, deixando-me em branco. &lt;br /&gt;mas você, você não vai fugir, porque você não é desenho. você tem vida, tem asas, mas não vai a lugar algum. vai ficar aqui comigo. não vai?&lt;br /&gt;ah, eu afirmo, mas não tenho certeza de nada. eu posso um dia acordar, correr até a gaveta, abrir o caderno... e você não está mais lá! nenhuma palavra.&lt;br /&gt;é sobre isso que estou falando realmente?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vou te contar um segredo. eu acordei hoje à noite e o sol ainda estava no céu e as nuvens ainda desenhavam o seu rosto nelas e eu ainda consegui sorrir por um tempinho até escutar o despertador tocar e eu acordar de manhã. estava nublado. não havia nuvens nem seu rosto nem meu sorriso. &lt;br /&gt;mês passado eu subi no telhado quando estava chuvendo e fiquei vendo os raios caírem por todos os lugares. desejei que um raio caísse em cima de mim, desejei sentir sentir o raio. mentira! eu queria ser o raio, queria ser raio e não...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ah meu deus, estou apaixonada por você. e escrevi tudo exatamente para que não me deixasse nunca nunca. assim: era uma vez um doce menino chamado lucas que tropeçava nas pessoas e caía no ar. um dia esse menino tropeçou em uma menina, mas ela não deixou lucas cair. não! ela o segurou pelas pernas, e os dois flutuaram por aí. &lt;br /&gt;fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não é como se fosse uma mentira, porque não é como se eu realmente acreditasse nisso. mentira é o fato d'eu afirmar que só tenho isso agora. não, eu não tenho só isso. aliás, não tenho nada disso. não consigo nem ao menos escrever agora.&lt;br /&gt;o que me resta é apenas o desespero.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-5368044345857348361?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/5368044345857348361/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=5368044345857348361&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5368044345857348361'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5368044345857348361'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/07/desespero-silabal.html' title='desespero silabal.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-4498020459559955021</id><published>2009-07-05T06:56:00.000-07:00</published><updated>2009-07-05T06:57:14.177-07:00</updated><title type='text'>maquiagem.</title><content type='html'>sentada neste sofá,&lt;br /&gt;pernas cruzadas,&lt;br /&gt;salto quebrado,&lt;br /&gt;visualiza o homem-gravata&lt;br /&gt;abanar seu chá de maçã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;qual o problema?&lt;br /&gt;ele pergunta sem açúcar.&lt;br /&gt;ela corre para o banheiro&lt;br /&gt;e vomita a fala na privada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;aquele gosto de bebida fermentada,&lt;br /&gt;a falta de vontade de reagir.&lt;br /&gt;senta-se de novo e vê o homem nu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;qual o problema?&lt;br /&gt;ela pergunta adocicada.&lt;br /&gt;ele corre para a janela&lt;br /&gt;e sai voando para a casa ao lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- as marcas de batom caíram todas no chão.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-4498020459559955021?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/4498020459559955021/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=4498020459559955021&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4498020459559955021'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4498020459559955021'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/07/maquiagem.html' title='maquiagem.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-7311452330351043574</id><published>2009-06-21T10:59:00.001-07:00</published><updated>2009-06-21T10:59:33.365-07:00</updated><title type='text'>antileitura.</title><content type='html'>com toda vontade e sede&lt;br /&gt;abri o livro que me continha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;deixei que o mundo me lesse.&lt;br /&gt;página por página de tinta borrada,&lt;br /&gt;palavras em negror profundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;senti os dedos úmidos tocarem meu corpo,&lt;br /&gt;me passearem,&lt;br /&gt;interpretações à flor da pele fugidia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas nem toda a linguagem possível&lt;br /&gt;conseguia me ditar em concretismo impessoal.&lt;br /&gt;o que eu possuia era muito mais&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ser indefinível e realidade que não se escreve.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-7311452330351043574?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/7311452330351043574/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=7311452330351043574&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7311452330351043574'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7311452330351043574'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/06/antileitura.html' title='antileitura.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-5901095227992173535</id><published>2009-05-16T20:46:00.000-07:00</published><updated>2009-05-16T21:20:30.221-07:00</updated><title type='text'>=</title><content type='html'>o sinal vermelho, mas carro nenhum. parei os pés no meio-fio, os pensamentos escorrendo pelo corpo até cair no ralo. a rua estava vazia e queria dar as mãos ao deserto que me acompanha. senti o frio vivo do vento que não tocava em nada, apenas esparramava meus cabelos para junto de sua essência feita de sopro.&lt;br /&gt;ainda vermelho-sangue, pulsante, doloroso. há quanto tempo eu estava ali, à espera, tremendo e sendo desfigurada? não me lembro. o sinal verde não pisca, tudo sem nada, e eu adentrando no clima frio-árido. &lt;br /&gt;as pernas não se moviam. estagnaram-se. precisava esperar a cor mudar, não, não posso correr pela faixa com essa proibição. era isso: eu estava proibida.&lt;br /&gt;a chuva caiu lavando o presente. bambeei e fui esparramada na calçada, os joelhos ralados, os olhos chuvosos. você apareceu na porta do meu deserto, sussurrando: um dia de maio eu te amei amei amei um outro dia qualquer eu te nem mais lembrava apaguei a idéia do que sentia e te guardei dentro daquele globo de neve tão adorável de se sacudir e tudo se fez enfeite de natal pueril.&lt;br /&gt;pisquei incontrolavelmente. pisquei como se me tivesse tornado um brinquedo natalino de fato. podem os sentimentos sumir, cravar as garras e depois arrastá-las até deixar o corpo em carne-viva? sim, eles podem. eles podem até teimar em existir sem nem ao menos terem nascido. vêm sorrateiros e enganam. ah, eu fui enganada pelos seus sentimentos, tal como você também o foi.&lt;br /&gt;eu estava tão sozinha do mundo e de mim mesma que, quando você apareceu e me chamou para dançar, eu aceitei. fui guiada pelo salão, esbarrando em outros (e como me foi incrível esbarrar-lhes!). a música parecia incessante, e, naqueles passos tortos e apressados, eu vi o meu deserto ser destruído pouco a pouco.&lt;br /&gt;mas uma vez, me lembro bem, estava conversando com meu reflexo e me foi dito: o seu deserto é infinito. quebrei o espelho com raiva, as mãos sangrando feridas. ainda tenho as cicatrizes da minha mentira. dei um golpe no meu rosto e desapareci com o que ainda restava de supostamente real dentro de mim.&lt;br /&gt;eu continuo caída na calçada. a culpa é minha!, um grito no silêncio. me deixei dançar e girrar e girar e girar até ficar tonta e cair como estou agora. o tango cresce como uma rosa, emana odores, floresce e depois murcha. eu murchei, e, mesmo que tivesse dançado uma valsa (flor de plástico, doce arte), murcharia: - meu deserto é forte.&lt;br /&gt;meu... amor? ... escorrendo com a chuva, brincando de morrer com a noite. o sinal fechado, a dor aberta. o mundo é trânsito, eu sou a pedestre impedida e os carros livres inexistentes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-5901095227992173535?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/5901095227992173535/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=5901095227992173535&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5901095227992173535'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5901095227992173535'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/05/blog-post.html' title='='/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-7974595384357685575</id><published>2009-05-10T10:54:00.001-07:00</published><updated>2009-05-10T10:54:57.562-07:00</updated><title type='text'>parto contínuo.</title><content type='html'>estou grávida de mim mesma. a descoberta foi feita de repente: de inesperado, eu estava para nascer. como isso foi acontecer eu não sei. contei tudo certo, cada pequeno detalhe, cada escapada louca para dentro de um quarto aos fogos de artíficio.&lt;br /&gt;você já viu os fogos de copacabana? eu só gosto de vê-los através do mar. eles se refletem e ficam tão mais bonitos do que realmente são. tão mais ser e tão menos estar.&lt;br /&gt;em um dia desses, passeando pela praia à noite, olhando os brilhos coloridos nas águas, senti algo me chutar. profundamente. chutava querendo sair, querendo gritar, liberte-me! fiquei com medo. o que poderia ser?&lt;br /&gt;não é nada, repeti para mim mesma. devo ser algum efeito colateral de tanto orvalho que tenho bebido.&lt;br /&gt;já lhe disse o quanto gosto de beber o suor das coisas? às vezes a lua pinga pinga muito, e eu fico deitada de boca aberta recebendo sua essência para dentro de mim. as coisas suam, suam de calor, suam de frio, suam apenas por serem. e é um suor delicioso e sagrado.&lt;br /&gt;mas não era efeito. era dor, dor de parto, uma dor que somente cresceria, porque o que estava dentro de mim exigia liberdade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;não passaram nove meses. que absurdo se passassem! foi muito rápido: estava grávida e o que estava dentro de mim explodiu.&lt;br /&gt;pensei em abortar, não mentirei. estava carregando a minha barriga imensa que não parava de crescer a cada... (posso chamar isso de segundo?)... que corria. fui a uma clínica clandestina e pedi: por gentileza, um aborto, rápido e indolor, não quero isso que carrego. a resposta foi-me dura e repentina: não podemos, senhora, já passou o tempo para isso, abortar agora seria a morte do seu filho e também a sua.&lt;br /&gt;então eu morreria junto com o que estava se apossando cada vez mais de mim. e não era isso que eu mais temia? a morte. então aceitei o destino - seria mãe de algo que nunca concebi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;nos segundos que se passaram (e que na verdade eram só um momento), senti enjôos, náuseas, sangrei e senti vontade de agarrar-me a alguma centelha de de vida que não fosse ausência. porque eu precisava de alguém comigo, alguém que me amparasse, que segurasse meus cabelos, que me ajudasse a levantar quando eu escorregava. será que escorreguei de propósito?, me perguntava. será que escorreguei para matar o que eu carregava, porque não queria tê-lo?&lt;br /&gt;não sei. mas tudo que eu conseguia fazer era colocar todo o suor que havia bebido para fora do meu corpo, como se me estivesse limpando do mundo.&lt;br /&gt;mas eu não queria ser limpa! meu deus, claro que não! queria continuar suja, suja, suja. com o suor de tudo misturado ao meu suor, com o suor de tudo invadindo minhas veias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando não havia mais como adiar a vinda do que estava dentro de mim, respirei fundo. eu sei apenas que, conforme aquilo se ia desprendendo, percebi que era meu e que eu era a luz, pois eu estava dando e recebendo. eu era a luz que dá à luz.&lt;br /&gt;não preciso dizer o quanto morri quando nasci. o quanto não tinha mais o mundo dentro de mim, o quanto estava limpa e órfã e perdida. estava órfã de mim mesma.&lt;br /&gt;a minha alma suja sumia no mar, sendo carregada pelo suor das águas até o fundo.&lt;br /&gt;e eu agora começo a me sujar e encontrar-me através das pegadas que havia deixado para sempre na areia. seguirei novos caminhos, mas sei da trilha por onde passei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;foi assim que engravidei, morri e nasci.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-7974595384357685575?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/7974595384357685575/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=7974595384357685575&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7974595384357685575'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7974595384357685575'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/05/parto-continuo.html' title='parto contínuo.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-6943127886247321354</id><published>2009-05-05T16:02:00.001-07:00</published><updated>2009-05-10T09:35:38.142-07:00</updated><title type='text'>o que tenho.</title><content type='html'>as pessoas me encostam, me empurram, silenciam o meu grito por um momento. e eu consigo visualizá-las, tocá-las de volta, passar os dedos pelos seus cabelos ondulados de conchas raras.&lt;br /&gt;mas é só por um agora, que passa e que parece nunca existir, como um piscar de olhos que já não se percebe, pois é automático e estalante.&lt;br /&gt;e no estalo eu consigo sorrir. sorrio realmente como quem quer chocolate no inverno, como quem quer banho frio após um sentimento escaldante e violento.&lt;br /&gt;mas passa, passa bruscamente e eu me deparo em frente a um espelho sem reflexo, pois já não me consigo reconhecer. encosto no grande buraco entre mim e o infinito e me sou inalcançável. meus dedos tocam o ar. meus dedos sentem, mas eu não os vejo. não vejo nada.&lt;br /&gt;logo então você, que é a mais completa expansão de mim, me abraça. forte. escuto o seu coração invadindo tudo o que é vasto dentro dos meus sentires. e a vontade de colocar-me para fora cresce, cresce, cresce, quero gritar profundamente a angustiante necessidade de encontrar-me na multidão.&lt;br /&gt;não, já disse que não me reconheço, por isso estou perdida entre os milhares de rostos.&lt;br /&gt;suprimo o grito. suprimo o que seriam idéias de lágrimas. você vira o rosto e eu afundo. não me percebo. tenho medo. tenho tudo dentro de mim, mas nada consegue me definir.&lt;br /&gt;quero agarrar-me a algo, nem que seja uma personificação, por mais doentio e cruel que isso seja.&lt;br /&gt;ah, como tenho medo e nada do que se possa dizer conseguiria acalmar o que vejo como minha realidade. não, é mentira, não vejo. a realidade me é fragmentária, angustiante, criada e recriada. a realidade me devora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quero ser salva. quero uma personificação.&lt;br /&gt;quero que mintam para mim. eu não me importo, quero que mintam, mintam verdadeiramente, como se acreditassem que a mentira é verdade. e talvez seja! ah, lá me estou eu mentindo para mim mesma novamente.&lt;br /&gt;eu abro os olhos e sinto vontade de jorrar-me através deles. quero que me guardem em uma jarra quando eu escorrer através da minha pele. quero que coloquem uma rosa nessa jarra e que ela cresça. quero ter medo por cada pétala dessa rosa e esquecer que tenho medo por algo que é meu.&lt;br /&gt;você pode fazer isso para mim?&lt;br /&gt;você, que é tão dependente do que o eu sou, você pode existir por alguns momentos?&lt;br /&gt;porque eu preciso.&lt;br /&gt;preciso que me abrace e que me voe para longe, para onde o infinito se torne finito, para que eu possa me encontrar, porque estou perdida. estou tão perdida que nem sei o que você está se tornando...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;só vejo uma solução: esquecer. voltar ao sorriso imediato e tentar fingir que sou e que me sinto.&lt;br /&gt;mas o que sinto para fora não é fingimento, é tão relativamente real, que eu poderia até mesmo escrever sobre isso.&lt;br /&gt;mas por enquanto abstenho-me a escrever sobre o que não posso escrever, pois assim é uma forma de construir um mínimo pedaço de vidro do meu espelho.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-6943127886247321354?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/6943127886247321354/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=6943127886247321354&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6943127886247321354'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6943127886247321354'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/05/o-que-tenho.html' title='o que tenho.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-3608509816447486710</id><published>2009-04-28T18:36:00.000-07:00</published><updated>2009-04-28T18:52:11.922-07:00</updated><title type='text'>na minha [casa], eu [m]i[nto].</title><content type='html'>você me deixou de joelhos&lt;br /&gt;no altar da igreja do mundo.&lt;br /&gt;um anel de pensamentos no meu dedo,&lt;br /&gt;um anel de sonhos enferrujado no chão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;partiu rasgando meu véu,&lt;br /&gt;arrastando-o pelas escadas sem fim.&lt;br /&gt;caíram lantejoulas feitas de pele&lt;br /&gt;pelos degraus cada vez mais átomos&lt;br /&gt;que você ousou descer com pressa sorrindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;meu deus! - um grito.&lt;br /&gt;fui cortada ao meio pela música&lt;br /&gt;do órgão que não cessava.&lt;br /&gt;as notas invadiram minha voz!&lt;br /&gt;e, ao levantar-me, cantei,&lt;br /&gt;enquanto jogava o buquê de folhas secas para o alto,&lt;br /&gt;bem alto, infinito,&lt;br /&gt;______________ não volta mais!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;corri.&lt;br /&gt;corri de-ses-pe-ra-da-men-te.&lt;br /&gt;pelo tapete vermelho rasgado.&lt;br /&gt;meu vestido se ia dissolvendo,&lt;br /&gt;sumindo, deixando de ser.&lt;br /&gt;até me criar nua.&lt;br /&gt;nua em completo,&lt;br /&gt;sem lágrimas, sem vastidão,&lt;br /&gt;sem anel, sem mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rolei pelo caminho,&lt;br /&gt;grudando ao meu corpo as pétalas que não caíram.&lt;br /&gt;meus olhos respiraram o céu de fora,&lt;br /&gt;e chorei um choro de falta,&lt;br /&gt;ao tocar na água limpa&lt;br /&gt;e não mais ver seu rosto de noivo-mulher.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-3608509816447486710?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/3608509816447486710/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=3608509816447486710&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3608509816447486710'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3608509816447486710'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/04/na-minha-casa-eu-minto.html' title='na minha [casa], eu [m]i[nto].'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-2983949456967344912</id><published>2009-04-23T16:48:00.001-07:00</published><updated>2009-04-23T17:15:24.829-07:00</updated><title type='text'>em um segundo.</title><content type='html'>Sinto falta daquela brisa. Aquela que trazia junto consigo as gotas do mar e um pouco de cada pessoa. Gostava de ser tocada por cada pequena parte de cada grande sentimento. Eu me sentia viva, dentro do mundo, dentro do mínimo que se maximizava quando me nutria. Mas girou o uni_verso em_versos in_versos...&lt;br /&gt;Um grito dentro de mim silenciou: volta. O vento tornou-se vácuo, o mar tornou-se sal. Fiz o meu casaco de balão e soprei soprei soprei. Precisava inventar o ar. Mas não sabia para onde ir. Porque não havia mais onde ou quando. Apenas... as minhas pernas fora do chão e o meu corpo flutuando pelo céu azul.&lt;br /&gt;Reparti os meus cabelos ao meio e fiz um lápis de fio molhado. Desenhei, em uma nuvem, uma janela para o passado, e minhas lágrimas, ao vê-lo, inundaram o mundo. Criaram novos oceanos salgados, com peixes brilhantes carregando sinais de trânsito e de todas as dores do mundo. Peixes verdes, amarelos e vermelhos, que se esbarravam por todos os lados.&lt;br /&gt;Não consigo compreender ainda como tudo tornou-se o agora. Mas é. E o que vejo me invade e se torna parte de mim tão perfeitamente. Não posso nem ao menos fechar os olhos, porque os peixes não têm pálpebras e a visão deles é também a minha visão. Meus olhos são caleidoscópios invertidos e milhares. &lt;br /&gt;Quando pousar os pés de sapatilha arco-íris na terra firme ou na areia movediça, preciso conter minhas gotas infinitas. Porque já irá ser hora do sorriso girar as flores-cataventos ao redor da vida.&lt;br /&gt;E eu serei a sereia da brisa que voltou a habitar minha face.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-2983949456967344912?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/2983949456967344912/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=2983949456967344912&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2983949456967344912'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2983949456967344912'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/04/em-um-segundo.html' title='em um segundo.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-9099051621823206982</id><published>2009-04-22T19:23:00.000-07:00</published><updated>2009-04-22T19:31:12.698-07:00</updated><title type='text'>expressão da falta que é sempre preenchida?</title><content type='html'>há pessoas que têm dinheiro,&lt;br /&gt;há pessoas que têm amor.&lt;br /&gt;eu não tenho nada disso: &lt;br /&gt;tenho medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o dinheiro de nada me vale,&lt;br /&gt;prefiro as notas em que escrevo.&lt;br /&gt;e o amor...&lt;br /&gt;esse não se tem.&lt;br /&gt;se sente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;por não ter nada&lt;br /&gt;que normalmente todos dizem ter,&lt;br /&gt;tiro os óculos do mundo&lt;br /&gt;e deixo que me vejam puramente embaçado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o meu medo é feito de cartolina,&lt;br /&gt;com canetinha e colagem de cordel&lt;br /&gt;e está guardado profundamente &lt;br /&gt;dentro das minhas palavras,&lt;br /&gt;que, você sabe, são sempre silenciosas.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-9099051621823206982?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/9099051621823206982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=9099051621823206982&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/9099051621823206982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/9099051621823206982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/04/expressao-da-falta-que-e-sempre.html' title='expressão da falta que é sempre preenchida?'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-7442350398291203452</id><published>2009-04-22T18:14:00.000-07:00</published><updated>2009-04-22T18:18:43.129-07:00</updated><title type='text'>medo ao avesso.</title><content type='html'>tudo o que sempre quis foram pétalas.&lt;br /&gt;coloridas, secas, vivas.&lt;br /&gt;cada cor dentro de um baú:&lt;br /&gt;guardá-las é parte do meu sonho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas a vida soprou-as para longe,&lt;br /&gt;para além do meu jardim.&lt;br /&gt;e minhas flores antigas &lt;br /&gt;tornaram-se nada mais que botões sem tempo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;colei todo orvalho pelo meu corpo&lt;br /&gt;e me fiz flor por um momento.&lt;br /&gt;meus cabelos tornaram-se as pétalas,&lt;br /&gt;e minha alma gritou: eterniza!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-7442350398291203452?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/7442350398291203452/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=7442350398291203452&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7442350398291203452'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7442350398291203452'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/04/medo-ao-avesso.html' title='medo ao avesso.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-8408784813368985970</id><published>2009-04-21T07:18:00.000-07:00</published><updated>2009-04-21T07:30:41.463-07:00</updated><title type='text'>Abstrato.</title><content type='html'>caiu o seu retrato da parede&lt;br /&gt;e sua face espalhou-se sobre o chão da sala.&lt;br /&gt;suas expressões correram para os cantos&lt;br /&gt;e guardaram-se nos buracos dos sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;corri atrás do seu sorriso,&lt;br /&gt;capturei-o na tocata de sua fuga.&lt;br /&gt;beijei, amei e senti:&lt;br /&gt;joguei-o no bolso da arte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;comecei a pintar um quadro difuso,&lt;br /&gt;onde coloquei o seu sorriso &lt;br /&gt;no centro do pensamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;delineadas as linhas,&lt;br /&gt;coloridas as formas,&lt;br /&gt;seu sorriso chorou&lt;br /&gt;por falta de todo&lt;br /&gt;e solidão expressiva.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-8408784813368985970?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/8408784813368985970/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=8408784813368985970&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8408784813368985970'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8408784813368985970'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/04/abstrato.html' title='Abstrato.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-6347639134784998171</id><published>2009-04-05T18:23:00.000-07:00</published><updated>2009-04-05T18:24:42.043-07:00</updated><title type='text'>a terra é plana.</title><content type='html'>quero chorar.&lt;br /&gt;agora.&lt;br /&gt;o completo mar que está dentro de mim.&lt;br /&gt;colocá-lo para fora em um grito que afogue o mundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;pois minha mente já está inundada,&lt;br /&gt;e os sentimentos flutuam pelas minhas veias,&lt;br /&gt;como uma navegação desequilibrada e caótica,&lt;br /&gt;perdida no oceano eterno de vida submersa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;respiro.&lt;br /&gt;e a água penetra meu coração,&lt;br /&gt;enche meu corpo tão completo&lt;br /&gt;de sal e areia e marfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a escuridão me toma,&lt;br /&gt;me beija, me escolhe,&lt;br /&gt;me silencia.&lt;br /&gt;é surda, muda e cega.&lt;br /&gt;me quer amar e perder.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;mas quem se perde sou eu&lt;br /&gt;na linha do horizonte,&lt;br /&gt;sem antes nem depois,&lt;br /&gt;caindo na idéia do velho mundo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de que o mar acaba em um abismo sem fim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-6347639134784998171?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/6347639134784998171/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=6347639134784998171&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6347639134784998171'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6347639134784998171'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/04/terra-e-plana.html' title='a terra é plana.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-8104825575531794480</id><published>2009-03-23T10:01:00.000-07:00</published><updated>2009-03-23T11:17:45.999-07:00</updated><title type='text'>eXtereótipos.</title><content type='html'>o que são minhas mãos,&lt;br /&gt;senão pedaços de vidro&lt;br /&gt;transformados em areia?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e meus olhos dois grandes oceanos,&lt;br /&gt;ora castanhos, ora sem cor...&lt;br /&gt;salgados e violentos como o mar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sou mão e olhos...&lt;br /&gt;arte e alma.&lt;br /&gt;criação e sentimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;minha duplicidade é forma,&lt;br /&gt;vida e existência.&lt;br /&gt;é a prisão para o que expresso,&lt;br /&gt;sinto e... sou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;beijo o mundo com as lágrimas&lt;br /&gt;que correm dos meus olhos&lt;br /&gt;e se esparramam em minhas mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;toco os átomos invisíveis,&lt;br /&gt;suas nuances e segredos:&lt;br /&gt;sinto o mundo com minhas digitais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo é membro e órgão&lt;br /&gt;até a noite raiar,&lt;br /&gt;quando os olhos se fecham&lt;br /&gt;e as mãos enluvam-se em cetim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-8104825575531794480?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/8104825575531794480/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=8104825575531794480&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8104825575531794480'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8104825575531794480'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/03/exteriotipos.html' title='eXtereótipos.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-9125417399112935022</id><published>2009-03-11T18:59:00.000-07:00</published><updated>2009-03-11T19:26:11.159-07:00</updated><title type='text'>ciclo momentâneo e vicioso.</title><content type='html'>Estava caminhando e o mundo me doía. As pessoas desfalecem, sofrem, sangram, enquanto dou mais um passo à minha casa. Cada pequena formiga é pisoteada por minhas células gigantes, por meus sentimentos miúdos. As bactérias sãos inspiradas para dentro de mim e, talvez, quem sabe, passem pelo meu coração devagar. Tumtum, tumtum... tum... tum... tum.&lt;br /&gt;Eu nunca soube. Ou nunca quis saber. Não que isso me faça importância agora, rastros do passado distante. Entro em casa e jogo-me no sofá. Tenho medo, um medo egoísta de encarar qualquer coisa à minha volta. Por isso, bem sei, sou encarada. Tornei-me passiva, não sou mais agente dos meus atos. O controle remoto fixa seus botões em minha alma remota. Ele quer se mexer, gritar, implorar! Mas não pode. Ele não faz parte da crueldade da natureza. Não, nada disso se lhe é verdade. Enquanto eu, ah, eu desejo ser contida imediatamente, desejo não ter opções. Desejo não ter desejo.&lt;br /&gt;Mas sinto-lhe pena e tudo volta à minha mente: a menina suja, por favor, dinheiropãoáguavida! Eu passei, mas uma parte de mim ficou parada ali para sempre, naquela dor tão completa... até ser consumida profundamente pelas pessoas que não se dividiram como eu (pessoas retas, certas, pessoas uma só). E aquilo me sugou. Como tudo que já me vinha sugando há anos, corroendo a essência que habita dentro de mim. Mas aquilo, aqueles olhos implorativos, aquelas minúsculas mãos cortadas, aquela alma que pede, obsequiosamente, que lhe dêem algum sentido!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu deus, estou chorando! E como choro pelo meu egoísmo, que foi transformado em medo. Não tenho coragem de pegar o controle remoto e ligar a televisão e deparar-me, ah, com o caos de sentimentos, de perda de fé, da realidade que tanto me abala! Como posso, como? Muito menos tenho acapacidade (força!) para comer, tomar banho ou dormir. Não sei como estou respirando. Não me consigo mover. Não, tudo que me lembro é do beco escuro e da menina e do cheiro e do sabor salgado. Sou incapaz de recordar mais. Talvez aquela senhora...&lt;br /&gt;Não, por favor, não! Não me lembre de mais. Ah, mas eu sei. Eu estava cega e, por isso, conseguia ser feliz. Eu era como Tobias, meu cachorro que está brincando com a bolinha de borracha neste exato momento. O mundo é esse brinquedo, que pode ser mordido, rolado, chutado, ser feito pleno dentro de uma plenitude relativa. Não importa, o mundo é todo seu, e de mais ninguém. Ele rola atrás da bola... ladra, pula, lambe. Ah, Tobias!&lt;br /&gt;Mas sou humana, e sou gritantemente culpada por sê-lo. Fingi ser inocente, quando tudo se passava em flash em volta da minha bola de borracha, soltando faíscas claras e queimantes em cima de mim.&lt;br /&gt;O que eu sou, senão o símbolo maior da culpa? Do conformismo e da falta de coragem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo é falta, na situação em que me encontro. Agora, aqui, sentada e paciente, vejo com a visão real como minhas paredes estão descascando, como os pisos de madeira estão corroídos pelos cupins. A vontade de gritar é estridente e sobe à garganta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não grito. Sou muda. Vejo e escuto, mas não solto o que senti. Não expresso. Tenho a catarse, mas a epifania é só minha.&lt;br /&gt;Egoísmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A visão de tudo aos poucos volta a clarear. Acalmo. Acalanto. Ligo o som e escuto a música leve que me faz ter vontade de dançar. &lt;br /&gt;Canto. &lt;br /&gt;Sou folha, pena e nuvem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo passa...&lt;br /&gt;Esqueci.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há algo para lembrar? &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fui dormir e acordei ansiosa com o final de semana que vinha pela frente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;menina, beco, dor, fome...?&lt;br /&gt;vocábulos não inerentes ao livro da minha vida.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-9125417399112935022?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/9125417399112935022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=9125417399112935022&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/9125417399112935022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/9125417399112935022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/03/ciclo-momentaneo-e-vicioso.html' title='ciclo momentâneo e vicioso.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-2100402939569262130</id><published>2009-03-09T16:43:00.000-07:00</published><updated>2009-03-09T16:47:56.119-07:00</updated><title type='text'>íris.</title><content type='html'>às vezes abro os olhos,&lt;br /&gt;mas não vejo o mundo.&lt;br /&gt;não sei o que vejo,&lt;br /&gt;mas sei o que sinto.&lt;br /&gt;- E é forte.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;as pessoas dizem &lt;br /&gt;que meus olhos não existem.&lt;br /&gt;é só brancura.&lt;br /&gt;Eu rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o rio flui.&lt;br /&gt;dentro de mim as águas voam&lt;br /&gt;e me chamam.&lt;br /&gt;Não, não quero me afogar!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quero apenas ser,&lt;br /&gt;não o mundo!,&lt;br /&gt;mas o que sempre fui.&lt;br /&gt;Apenas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;assim foram percebendo&lt;br /&gt;que meus olhos estavam ali.&lt;br /&gt;e que a íris tão colorida&lt;br /&gt;só poderia estar voltada&lt;br /&gt;para dentro de mim...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-2100402939569262130?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/2100402939569262130/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=2100402939569262130&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2100402939569262130'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2100402939569262130'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/03/iris.html' title='íris.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-4861990186224290017</id><published>2009-03-05T19:37:00.001-08:00</published><updated>2009-03-05T19:37:47.537-08:00</updated><title type='text'>retina.</title><content type='html'>sinto minha falta,&lt;br /&gt;quando abro as janelas&lt;br /&gt;e rasgo as cortinas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;o céu azul me encara,&lt;br /&gt;me zomba, me mata,&lt;br /&gt;me chama.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;vem, menina,&lt;br /&gt;vem voar em mim.&lt;br /&gt;solte seus cabelos estrelados&lt;br /&gt;em minha pele escura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tenho medo!&lt;br /&gt;- eu grito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;medo de quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;de desexistir.&lt;br /&gt;de ser apenas luz vista&lt;br /&gt;daqui a milhões de anos&lt;br /&gt;pelas pessoas de mãos dadas&lt;br /&gt;na grama verde-escura da terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tudo se transforma,&lt;br /&gt;reluzente pequena.&lt;br /&gt;sua luz se tornará eterna&lt;br /&gt;enquanto houver pessoas&lt;br /&gt;para vê-la e senti-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;e depois que todos se forem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;restará a poesia&lt;br /&gt;que está sendo escrita&lt;br /&gt;por uma parte de você,&lt;br /&gt;que é luz e eternidade,&lt;br /&gt;escuridão e fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ah!&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-4861990186224290017?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/4861990186224290017/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=4861990186224290017&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4861990186224290017'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4861990186224290017'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/03/retina.html' title='retina.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-3892136089421738400</id><published>2009-02-20T13:22:00.001-08:00</published><updated>2009-02-20T13:28:16.782-08:00</updated><title type='text'>uma piada sobre mim.</title><content type='html'>Agora eu compreendo muito bem o meu medo, o meu pavor perante a tudo que demonstre ter falta de sentimento ou vida. A verdade é tão exata, tão completa e infinita. A minha verdade, a verdade sobre o que penso, sinto e... permuto. Tudo parece agora de uma claridade crescente, como se eu tivesse colocado um par de óculos e enxergasse tudo tão mais completo.&lt;br /&gt;Você nunca foi a razão de minha mudança, Vitória. Nem um pouco. Agora, após um ano do seu abandono, sei com a certeza mais certeira. Ah, como adoro redundâncias. Não sinto sua falta, não a amo e nem ao menos consigo lembrar como foi a sensação de tê-la amado. Você consegue sentir a veracidade dessas palavras? Nunca fui tão sincero. Mas nada disso é sobre você.&lt;br /&gt;É sobre a minha descoberta. O sentido do meu desespero. Como agora sei os porquês de muitas das minhas perguntas, porém sem saber suas respostas. E como eu costumava chorar, enquanto tremia interminavelmente... nos seus braços. Você não entendia. E eu não conseguia explicar. De maneira alguma. Como poderia? Eu não conseguia gritar o quanto eu precisava de você, o quanto sua simplicidade me comovia, o quanto eu a invejava. Eu queria sentir o mundo como você sentia! Como todas as pessoas sentiam! Eu tinha ódio de todos, de cada pequena alma que sorria com o raiar do sol e andava calmamente de bicicleta pelas ruas quentes.&lt;br /&gt;Achavam que eu tinha problemas psicológicos. E eu achava graça dessas pessoas. Invejava a sua falta de conhecimento e queria, por um momento, transportar-me para dentro de algum pensamento simples... O que comeríamos no almoço?&lt;br /&gt;Mas eu não conseguia, prendia-me dentro do meu niilismo sem fim. Que paradoxo, não é mesmo? Niilismo sem fim. Que seja. Eu prendia-me a isso.&lt;br /&gt;Mas quando conheci você, o amor surgiu-me mais uma vez, após tantos anos enclausurado na minha adolescência risonha e, ah, tão simples! Por alguns momentos, eu achava que conseguia esquecer de tudo. Ah, Vitória, eu conseguia sorrir verdadeiramente. Por alguns minutos eu conseguia apagar da minha alma cada detalhe de cada pensamento soturno que invadia minha mente e controlava-me sem piedade.&lt;br /&gt;Por isso, agarrei-me tão profundamente a você, como se sua chama de felicidade e falta de realidade me aquecesse. Você consegue entender? É claro que não.&lt;br /&gt;Mas cada vez mais comecei a descobrir o meu medo. Inicialmente achava que não me importava com nada, que minha vida não merecia existir. Isso tudo não era desespero, era aceitação. O desespero veio realmente quando apaixonei-me pelos lugares, pelas pessoas, por minha imagem no espelho, pelos livros, pelos filmes, pela sonoridade deliciosa de Chopin! Quanta coisa, quanto sentimento. E a cada vez que tudo acabava, que eu fechava um livro, que eu desligava o rádio, que dava adeus a alguém, uma dor insurpotável apossavasse de mim. E à noite tudo voltava à minha mente, aquela filosofia incontrolável, aquela metafísica que, se eu pudesse, estrangularia até vê-la sangrar e sumir do mundo.&lt;br /&gt;Mas eu não podia agüentar isso tudo. Essa felicidade era muito mais dolorosa do que a minha indiferença. Vai acabar, eu pensava. Vai tudo mudar. Em um piscar de olhos.&lt;br /&gt;A mudança começou quando você me deixou. Você não foi a causa. Não, não você, Vitória. Mas o que sua imagem representava para mim. Veja bem, você me proporcionou o amor que me proporcionou felicidade que me proporcionou vontade que me proporcionou o esquecimento que me proporcionou a capacidade de sentir o mundo que me proporcionou o desespero porque tudo...&lt;br /&gt;Tudo é tão mutável.&lt;br /&gt;O meu medo é simples. Percebo-o agora. Pode ser até mesmo um medo comum. É com toda certeza melhor sentir esse medo do que sentir o nada propriamente dito, o ermo, a falta de sentido todos os dias, a cada segundo.&lt;br /&gt;É muito melhor enlouquecer de despero do que de razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você não me compreende, não é, minha querida Vitória?&lt;br /&gt;Certamente você sente medo do desconhecido, medo do que vem após.&lt;br /&gt;Mas não se deixa dominar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não, não se deixe. Por que deixaria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não quer acabar inventando uma mentira como essa que estou inventando. Inventar uma pessoa, inventar sentimentos e sentidos, para que consiga fugir da absoluta falta de algo. Por que inventar que sente a vontade?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou realmente um desesperado e invejoso.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-3892136089421738400?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/3892136089421738400/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=3892136089421738400&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3892136089421738400'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3892136089421738400'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/02/uma-piada-sobre-mim.html' title='uma piada sobre mim.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-5057690339444658283</id><published>2009-02-10T18:51:00.000-08:00</published><updated>2009-02-10T19:11:22.355-08:00</updated><title type='text'>//</title><content type='html'>Eu nunca imaginaria, nem por um segundo, a imagem que tenho de mim mesma agora. Nem por toda a certeza no mundo, nem por uma vidente que sempre acertasse.&lt;br /&gt;Como cheguei até aqui?&lt;br /&gt;Parece que, de tanta absorção, eu tornei-me um grande espaço em branco. Algo inacreditável, uma muralha de sentimentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há uma voz na minha cabeça repetindo repetindo repetindo repetindo: isso é errado. isso não é normal, como poderia ser? que inocência, que sonhos, que sentimento! isso não existe. e tudo que sai da sua boca não é aceitável, não é plausível. você não pode ser assim, não, meu amor, não, minha querida.&lt;br /&gt;E essa voz parece ser a de uma senhora. Uma sombra com um véu nos cabelos grisalhos. Se eu conseguisse dizer o que me está apavorando, o que me deixa sentir como a pessoa mais enclausurada em um canto que jamais existiu...&lt;br /&gt;Mas não haveria entendimentos. Só a certeza de que há algo errado. Algo errado comigo. E com o que eu sinto. O que eu sinto mais profundamente. E o quanto eu sei que é inacreditável que eu possa sentir.&lt;br /&gt;E eu tenho medo de deixar tudo cair, de retrair-me, de deixar-me desacreditar e achar que estou errada. Que tudo realmente não pode ser assim. Há de ser de outra forma, por favor. De repente, pode reaparecer a sensação de completo vazio. Mas um vazio pode ser completo?&lt;br /&gt;Não quero lembrar do vazio. nem um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sou sozinha. Sou sozinha mais do que qualquer pessoa cogite adivinhar. Sozinha dentro de mim, dos meus pensamentos jamais revelados e da dor que sinto por ser. Por isso agarrei-me tão fortemente à grande luz avassaladora e quente e que me fazia sentir sede.&lt;br /&gt;Não existe o saciar-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu não quero explicar a minha solidão.    &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O que eu quero explicar é que finalmente consegui. E sei que não consigo mais que isso. Nem um pouco mais, nem com ninguém!&lt;br /&gt;E isso é difícil de entender. É difícil para uma pessoa que não eu...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso.&lt;br /&gt;Ar.&lt;br /&gt;Por isso quando escuto que há algo muito errado com tal sentimento, eu tenho medo. Pois é tudo que eu sinto.&lt;br /&gt;Então tudo foi um erro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu nunca deveria ter sentido.&lt;br /&gt;Porque não há outra forma, para mim, de sentir.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-5057690339444658283?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/5057690339444658283/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=5057690339444658283&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5057690339444658283'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5057690339444658283'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2009/02/blog-post.html' title='//'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-6637949804685226483</id><published>2008-12-27T20:34:00.000-08:00</published><updated>2008-12-27T20:56:23.768-08:00</updated><title type='text'>o canto esquerdo da sala.</title><content type='html'>tudo que surge de racionalização&lt;br /&gt;tudo que surge das asas de um anjo&lt;br /&gt;nada que não venha da sua parte mental&lt;br /&gt;nada que seja tão escuro quanto o céu&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é a simples caída de pétalas&lt;br /&gt;o piscar de olhos infantis&lt;br /&gt;o sonho que, apenas em sua natureza, alimenta de cores.&lt;br /&gt;Os sinos que tocam por seus lábios:&lt;br /&gt;- um beijo que voa com o vento&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;até,&lt;br /&gt;em encontro,&lt;br /&gt;tocar&lt;br /&gt;os meus lábios:&lt;br /&gt;- smack !&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;sou uma assasina, em fase de cogitação:&lt;br /&gt;mato seus olhos com sangue em pensamento. Se escapa-se-lhe a faca, que em 2 gumes lhe corta a face, cairia em vida, pela morte que deixou.&lt;br /&gt;Sinais de trânsito e de todas as dores do mundo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-6637949804685226483?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/6637949804685226483/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=6637949804685226483&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6637949804685226483'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6637949804685226483'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/12/o-canto-esquerdo-da-sala.html' title='o canto esquerdo da sala.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-3139437285726189372</id><published>2008-12-24T06:55:00.000-08:00</published><updated>2008-12-24T08:07:35.356-08:00</updated><title type='text'>O anel que tu me deste era vidro e se quebrou...</title><content type='html'>Se pudesse, teria apertado o coração. Se pudesse, realmente, teria feito tantas coisas... Levantar, jogar os travesseiros pela janela e sair correndo pela rua. Queria apertá-lo para senti-lo, pois agora ele batia de uma forma avassaladora e ela tinha medo que aquilo fosse momentâneo e que estivesse gastando a bateria que nunca se renova.&lt;br /&gt;Eles estavam em um restaurante à moda antiga, com violinistas, mesas com pano vermelho e rosas por todos os lados. Mal chegaram, ela quis ir ao banheiro. E que banheiro! Espelhos gigantes e com bordas francesas, todo dourado, pinturas na parede... Ela passou a mão por tudo, por tudo, apesar de sentir o vidro (e não a realidade) tocar seus dedos. Aquele tinha de ser o dia mais feliz de sua vida! (se o banheiro era daquela forma, imagine o que mais estava por vir!) Sorriu devagar, com um certo ar de realeza. Passou a mão pelo seu corpo e suspirou. Era linda.&lt;br /&gt;Voltou para a mesa. Ah, queria-lhe dizer tantas, tantas coisas, que cada palavra poderia ser o infinito mais um. Passou a mão pelos cabelos e sua voz soou estranha e com vontade própria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Estou muito contente por ter-me trazido aqui - Não! Não era assim que devia ser, não eram essas as palavras que pretendia dizer. Ela queria gritar e pular-lhe no pescoço! Emoção, meu deus!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Faço de tudo para agradar-lhe, meu amor - Ele correspondia, oh, com toda a alma. Seus olhos verdes eram os mais lindos do mundo e tinha certeza que uma surpresa (prevista) aguardava-a.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A comida chegou. Não lembrava de ter pedido peixe. Não, devia haver algo errado. Ela não gostava de peixe. Gostava de massa. Por que estava comendo peixe? Não importa, não importa. Ele está ali, com ela, e tudo parece eterno. E ela estava tão linda, tão perfumada (com aquela aparência, imagina-se o cheiro suave, como em uma sinestesia) e os momentos eram perfeitos.&lt;br /&gt;Só sentia-se confusa com as conversas sobre lembranças, férias de quatro anos atrás e passeios caros e divertidos. Devia ser o vinho. Nunca gostou de vinho branco, mas parecia combinar perfeitamente com o peixe, então deixou-se beber. Sentia-se como se não tivesse escolha.&lt;br /&gt;E talvez não tivesse, pois queria continuar sentada, mas dirigiu-se novamente ao banheiro. Foi retocar a maquiagem e fazer uma ligação importante, simples, falou automaticamente e nem prestou atenção ao que estava sendo dito. Lavou as mãos delicadas (esmalte rosa claro, que maravilha) e voltou ansiosa para o seu amado.&lt;br /&gt;A iluminação do restaurante estava mais escura, e achou isso um pouco estranho. Talvez estivesse com dor de cabeça, quem sabe. Mas e daí? Os violinistas aproximavam-se e ela sentia o que estava por vir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Meu amor... você é a pessoa mais especial para mim, amo-a de todas as formas possíveis, gostaria, neste momento, de pedir-lhe em casamento - ajoelhando-se, abriu uma caixa com um anel de diamantes dentro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tocava uma música melódica e romântica ao fundo, quando...&lt;br /&gt;&lt;span style="font-weight: bold;font-size:78%;" &gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0); font-weight: bold;font-size:180%;" &gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Blackout.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A casa inteira apagou-se. Um homem pelado saiu do banheiro aos gritos, dizendo que a água estava congelando, e que a mulher sabia porque sabia que não podia deixar a luz acesa com o ventilador e a televisão ligados, enquanto ele toma banho. Ela estava paralisada ainda, em choque, com os lábios entreabertos, como se fossem proferir algo, mas não conseguissem. O homem ligou para o síndico, aos berros, dizendo que a casa não tinha luz e virou-se para a mulher reclamando que demorariam dez minutos para mexerem no relógio, e, pelo amor de deus, ele teria que ficar emsaboado até a água quente voltar. Resolveu ir para o quarto.&lt;br /&gt;Ela ficou sozinha, olhando para a televisão, as mãos sobre as pernas, tímidas e piedosas. As unhas não eram rosas, mas sujas e roídas. Dez minutos. Não haveria mais casamento. Ela não aceitou. Ela não conseguiu aceitar. E agora estava na completa escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma lágrima saiu de seus olhos, quando as luzes acenderam-se. Ligou a televisão rapidamente, mas já eram oito horas.&lt;br /&gt;E eles viveriam felizes para sempre.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Resolveu ir passar roupa.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-3139437285726189372?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/3139437285726189372/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=3139437285726189372&amp;isPopup=true' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3139437285726189372'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3139437285726189372'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/12/se-pudesse-teria-apertado-o-corao.html' title='O anel que tu me deste era vidro e se quebrou...'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-2866620645671660670</id><published>2008-12-14T22:05:00.000-08:00</published><updated>2008-12-22T15:20:46.030-08:00</updated><title type='text'>Peças atrás.</title><content type='html'>&lt;p&gt;Não existe mais nada agora. Nem um pingo de água, nem um milésimo de poeira, nem um átomo. Eu limpei tudo, cada vestígio de pegada, todo pequeno som que se escondia atrás da porta e embaixo dos tapetes. Rasguei as cortinas do meu quarto e abri as janelas.&lt;br /&gt;Tão profundo.&lt;br /&gt;Vi as pessoas passeando pela rua e achei-as tão belas, tão felizes, tão humanas. E eu, ah!, eu passava as mãos pelo meu pescoço e tentava não arranhar minha alma. Porque eu queria, naquele momento, acabar com tudo. Jogar-me da janela, gritar, impedir! Sonhar.&lt;br /&gt;Eu descobri que nunca precisei de nada. Por isso acabei com tudo. Mas agora tinha inveja. Completamente. Queria ter a pele menos pálida e mais viva, queria ter meias vermelhas e poder correr pelo parque aos domingos e não, não de novo. Eu quebraria os balanços e as gangorras. Tenho certeza.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Puxem as cortinas, por favor!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Estão rasgadas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu rasguei-as. Para que não me tentasse a puxá-las e esconder o mundo inteiro de fora. Porque tudo que eu consigo fazer agora é olhar para minhas mãos (e ainda assim achá-las estranhas!) e perceber o quanto são minhas. O quanto têm curvas e linhas e desenhos e o quanto de mim está ali. E se eu olhasse para a mão de qualquer outra pessoa, iria querer gritar! Gritar de susto, de vastidão e de distância. Não, não posso ser tocada.&lt;br /&gt;Depois que você abriu a porta e bateu-a, vi você acenar da rua para mim e achei seus dedos mentirosos e mesquinhos. A verdade é que você não acenou e não havia dedos com sentimentos. Você nunca existiu. Os sapatos com que eu gritava todos os dias nunca conheceram o mundo. E eu sempre reclamava que empoeiravam a casa e que não conseguiam ficar embaixo da cama por nem um dia! A poeira era falsa, criada. Escrita? Totalmente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu tornei-me algo mais que não eu. Fingia todos os dias e imaginava. Até… até não sei quando. Lembro-me apenas de você (quem?) ter quebrado o espelho e também minha realidade. De ter-me deixado sozinha verdadeiramente. Sempre estive e agora sei. Quando o sol descia, e íamos à beira da praia, sentia-me plena, completa e feliz. Deve ter sido tudo apenas uma armadilha do mar e daquelas intermináveis ondas que me sugavam o olhar para o horizonte e para onde parecia ser o coração do mundo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Por que minhas mãos têm vida própria e assustam-me? Parecem tão fora e tão dentro de mim ao mesmo tempo, como se uma fosse parte do tudo e outra parte do que sinto. Se é que o que sinto existe. Pois metade de mim já se provou desexistir.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não há solução para agora. Tudo parecia tão meu, tão perto, tão… tocável, de todas as formas.&lt;br /&gt;Tudo que eu queria era poder puxar as cortinas e impedir o ar contagioso de entrar por entre a janela. Mesmo que a feche, ele entra por imagens e impregna meu quarto de sorrisos e sentimentos milhares.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Por isso, mais uma vez repito, rasguei-a.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Você nunca mais entrará pela fechadura e me trancará. Tudo está aberto. Não! Não quero mãos e dedos diferentes e cheios de vida entrando. Não!&lt;br /&gt;Arrependo-me, não tenho mais cortina, não tenho!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quando a realidade real toca minha realidade imaginária, tudo que posso sentir é medo.&lt;br /&gt;Que pelo menos esse sentimento seja real.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-2866620645671660670?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/2866620645671660670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=2866620645671660670&amp;isPopup=true' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2866620645671660670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2866620645671660670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/12/peas-atrs.html' title='Peças atrás.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-7252605994280076098</id><published>2008-08-22T16:16:00.000-07:00</published><updated>2008-12-22T15:19:55.326-08:00</updated><title type='text'>repentino.</title><content type='html'>&lt;p&gt;Não que seja um ressentimento, não, é menos que isso, é uma indiferença total. Uma entrada pela porta, um bom-dia casual e causal, tão automático, um suspiro longo e demorado. Os olhares eram trocados, mas olhavam para o absoluto nada, não era sobre essência que existiam, mas sim sobre forma. E a forma também era deformada, apesar de ainda guardar um resquício de lembrança longínqua.&lt;br /&gt;Não sei quando deixei de amar (não há você, nada transita, tudo sempre foi), simplesmente. Mas um dia você sorriu para mim e eu não quis achar graça. Veja bem, eu achei. Mas não quis. Uma força dentro de mim dizia que não havia nada do que rir, enquanto meu cérebro maquinava os músculos em uma expressão única de alegria. Perguntava-me, então, por que você havia dito aquilo. Por puro impulso da forma ou realmente pela essência? Mas talvez você não fosse tão mesquinho quanto eu…&lt;br /&gt;Indefinível. Sei que é. De todas as razões, não consigo encontrar uma que seja real. Lembro-me do sorvete, lembro-me muito bem. Eu queria de morango, e você de flocos. Depois trocamos as casquinhas, porque queríamos compartilhar até mesmo o gosto por sorvetes. Sabe de uma coisa? Eu nunca gostei de flocos. Nunca. E quis cuspir naquele maldito preto e branco que você empurrou tão impetuosamente para mim. Mas eu comi, comi realmente achando aquilo delicioso, porque os sentidos estavam-me enganando. Você sabe, os sentidos enganam demais.&lt;br /&gt;Depois, quando voltamos pelo parque, eu tive os olhos brilhando quando você começou a gritar que me amava, que me queria e que eu era, que eu era, que eu era o amor da sua vida. Eu só conseguia gritar, que horror!, Você também!. Vamos nos casar? Vamos! Que grande idéia. E o que eu pensava sobre casamento, sobre ser-só, sobre a vida foi massacrado pelas suas ideologias altamente influentes. E banais. Sempre as odiei. Nunca pretendi casar-me com você.&lt;br /&gt;Mas casei; foi pelo piano, unicamente, tenho certeza. Não posso negar o quanto amei e ainda amo os seus dedos corriqueiros, a melodia interminável e o fato de você não olhar para mim enquanto tocava. Você olhava para o instrumento, como se ele o fosse nutrir, como se fosse o porquê de estar vivo. Naqueles momentos, eu desexistia para você, e isso me fazia livre. Livre em mim mesma. Pois sentia falta de não ser compreendida e de ter alguém a quem não compreender.&lt;br /&gt;Na verdade, talvez nunca tenha amado. Porque era dificultoso sentir, abraçar, possuir saudades. Sentia dor física para poder sofrer pela ausência, entende? Procurava necessidades para dar sentido às coisas. Elas nunca tiveram sentido algum. Você estava sempre feliz ou sempre triste, era tão irritantemente extremo. Enquanto eu apenas era. E era, e fui e fiquei.&lt;br /&gt;Eu não sei por quê, mas não estou afetada. Nem um pouco. Não consigo nem ao menos chorar. E isso, finalmente!, está-me abalando. Sempre chorava com os filmes, mas não com a vida. Juro que queria chorar agora, bater com a cabeça, vomitar durante uma semana escondida no banheiro. Depois ter que ir ao psicólogo.&lt;br /&gt;Não sinto nada disso. E por isso acho que nunca amei. Era tudo mentira. Mentira, escutou? Mentira. Acho que estou repetindo essa palavra para mim mesma há muito tempo. Estou quase inteiramente convencida.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não se intrigue. Se eu não choro pela vida, por que choraria pela morte? Talvez esteja aí a minha resposta.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-7252605994280076098?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/7252605994280076098/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=7252605994280076098&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7252605994280076098'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7252605994280076098'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/08/repentino.html' title='repentino.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-1996780470632918293</id><published>2008-08-16T08:27:00.000-07:00</published><updated>2008-12-22T15:18:49.949-08:00</updated><title type='text'>I e II.</title><content type='html'>&lt;p&gt;I&lt;/p&gt; &lt;p&gt;amanheceu no mar&lt;br /&gt;e sempre lá permaneceu&lt;br /&gt;banhava-se nas águas azuis,&lt;br /&gt;verdes e cinzas&lt;br /&gt;e dormia na areia serena&lt;br /&gt;das mil e uma conchas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;via o céu todos os dias&lt;br /&gt;translúcido, vivo, relutante!&lt;br /&gt;e tinha vontade de subir até ele,&lt;br /&gt;namorar com suas estrelas,&lt;br /&gt;e cantar com a lua&lt;br /&gt;as infinitas serenatas de tristeza.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;mas o mar, zeloso e imponente,&lt;br /&gt;segurava a sua Iemanjá,&lt;br /&gt;menina de suas pérolas,&lt;br /&gt;namorada de suas ondas fabulosas.&lt;br /&gt;não! durma, banhe-se, navegue:&lt;br /&gt;o voar não existe.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;e a sereia das mil pernas&lt;br /&gt;teve seu amor pelo céu naufragado,&lt;br /&gt;e das profundezas&lt;br /&gt;não mais conseguia ouvir&lt;br /&gt;a lua cantando sua solidão.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;II&lt;/p&gt; &lt;p&gt;em um dia entre tantos,&lt;br /&gt;uns bemóis invadiram a imensidão do oceano&lt;br /&gt;e seus cabelos, membros e olhos&lt;br /&gt;foram atraídos para a superfície&lt;br /&gt;onde havia um violino&lt;br /&gt;a suplicar juras de amor.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;de todas as notas possíveis&lt;br /&gt;ela apaixonou-se pelo si,&lt;br /&gt;e se pudesse fugir&lt;br /&gt;fugiria com ele para o mundo do sol.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;mas o mar, bruto e horrendo,&lt;br /&gt;afogou as notas,&lt;br /&gt;as cordas e o violino,&lt;br /&gt;que desafinou sua sinfonia,&lt;br /&gt;desafiando a fúria dos amantes!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;e a sereia quebrou as ondas&lt;br /&gt;salvou o instrumento de sua paixão&lt;br /&gt;e fez o mar adormecer,&lt;br /&gt;em um contenido de sofrimento.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;construiu uma ponte de partitura&lt;br /&gt;e fez da clave de sol sua escada&lt;br /&gt;e das notas os degraus&lt;br /&gt;de sua liberdade!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A ponte levava para a lua,&lt;br /&gt;seu amor eterno e sem luz,&lt;br /&gt;Seu novo lar até o anoitecer&lt;br /&gt;Onde tocaria melodias&lt;br /&gt;sobre o azul do mar.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-1996780470632918293?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/1996780470632918293/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=1996780470632918293&amp;isPopup=true' title='25 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1996780470632918293'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1996780470632918293'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/08/i-e-ii.html' title='I e II.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>25</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-8763030209238703584</id><published>2008-08-10T14:52:00.000-07:00</published><updated>2008-12-22T15:17:38.682-08:00</updated><title type='text'>Por entre a fumaça.</title><content type='html'>&lt;p&gt;- Qual o gosto da vida? - a doce menina perguntou e mexeu nos enrolados cachinhos que caíam por seus ombros.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E ela começou a pensar, a pensar, a pensar no gosto da vida. Ergueu as sombrancelhas, mordeu um pouco os lábios. O gosto da vida? Queria que a resposta resumisse-se a uma bala de hortelã. Mas a vida, a vida, a vida, como já dizia Cecília, é muito mais do que isso. Fechou os olhos profundamente, tão veloz que sentiu a luz misturar-se com escuridão. Lembrava-se da brisa das manhãs de sábado que nunca mais havia vivenciado. Aquela sensação eterna de que tudo perdura, tudo. Mas hoje sabe que nada o faz. Que verdade mais relativamente absoluta!&lt;br /&gt;Não, não sabia qual era o gosto da vida! Não sabia nem mais qual era o gosto da manhã e da tardinha. O que vinha em sua cabeça era uma caixinha de música tocando aquela melodia que sua avó costumava cantar antes de ir dormir… nada de gosto, apenas o som magnífico…&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Eu… não sei. -  respondeu a mulher, de porte forte e seguro.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- O gosto da vida é hortelã, bobinha!- a criança sorriu sapecamente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ela piscou os olhos muitas e muitas vezes. Hortelã? Ela havia pensado nisso! E lembrava-se desse gosto, tão forte, tão puro, tão cheio de significado. Tantas manhãs de sábado, pegando a bicicleta, voando pelas ruas, apostando corridas. Manhê!, me dá um real pra “mim” comprar chiclé na padaria! E riu-se por dentro, com a lembrança da doçura com que sua mãe, já falecida, dava-lhe uma moedinha pelo final de semana inteiro.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Moça, eu não sei… - a menina voltou com sua expressão indignada de interrogação. - Juro que não sei!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Não sabe o quê, querida?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Não sei por que o céu é azul.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Por que o céu é azul? Se fosse há 30 anos atrás diria que é azul porque as fadas jogam pó de anil das nuvens. E quando ele chegava na terra… ah, ah! Ele transformava-se em oceanos e as fadas em sereias. Hoje em dia sabia da explicação científica sobre reflexão e ondas, mas como ia explicar isso à menininha? Ela nunca entenderia nessa idade, não, definitivamente. Por falar nisso, ela lhe lembrava alguém de sua infância…&lt;br /&gt;Poderia inventar-lhe uma estória, a sua estória fantástica e pueril! &lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Bem… ele é azul devido ao pó de anil.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Pó de anil?! - ela arregalou os olhos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Sim! É o pó que as fadas jogam das nuvens, colorindo o céu inteiro de azul. Jura que não sabia?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Não… - ela pareceu realmente muito surpresa. - Você tem um pouco de pó de anil?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Não, mas sei onde você pode conseguir muito - segurou um pouco a respiração e prosseguiu. - Quando o pó de anil desce até nós, ele forma os oceanos e as fadas tornam-se sereias. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Então, quando encosto na água do mar, estou encostando no azul do céu? - ela pareceu maravilhada.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Extamente! E talvez um dia possamos ver uma sereia!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os olhos da menina bilharam profundamente. Suas mãozinhas eram de uma delicadeza profunda. A mulher olhou o relógio algumas vezes e começou a jogar milho para os pombos que estavam ali perto. A menina parecia impaciente para fazer mais perguntas, e a mulher parecia estar esperando alguém importante. Enquanto isso, os balanços da pracinha, vazios, balançavam sozinhos, solitários, empurrados pelo vento. Os escorregadores deslizavam a poeira da terra e as gangorras estavam equilibradas, sem peso em nenhum dos lados.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Para que servem os países? - ela explodiu, como se não agüentasse esperar de curiosidade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Essa era uma pergunta sem resposta. Porque, até hoje, ela questionava-se sobre isso. Não sabia e ponto. Queria que tudo fosse de todos e sem mais conversa. Mas o mundo precisa de fronteiras, de guerras, de economia. O ser humano cresce e quer o que é seu, como se realmente a posse existisse. Que falácia mais acreditada.&lt;br /&gt;Sentiu o peso de sua respiração e de repente lembrou de suas responsabilidades. E quis lamentar-se, pois pareceu-lhe que seu cliente não viria ao encontro marcado. Precisava, portanto, ir embora.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Os países não servem para nada, menina. Apenas para causar conflitos egoístas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A menina mordeu os pequenos lábios. A mulher sentiu-se tão hipócrita por aceitar tantas coisas e ter deixado seus questionamentos de lado. Levantou-se, pegou sua mala e fez um carinho na cabeça da menina. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Qual seu nome, pequeno anjo?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Luciana - ao proferir a palavra levantou-se e saiu correndo, dando adeus com as mãos e o rabo-de-cavalo balançando.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A mulher teve seu coração acelerado. Pôs uma das mãos sobre seu cabelo cacheado, e passou os dedos sobre ele, enquanto via a menina desaparecer por entre a fumaça daquela tão conhecida rua, agora inteiramente quebrada para a construção de um viaduto. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Agora lembrava-se de onde conhecia o rosto daquela criança.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-8763030209238703584?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/8763030209238703584/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=8763030209238703584&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8763030209238703584'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8763030209238703584'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/08/por-entre-fumaa.html' title='Por entre a fumaça.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-5270047902410613154</id><published>2008-06-19T20:11:00.000-07:00</published><updated>2008-12-22T15:16:35.306-08:00</updated><title type='text'>Circunscrição Paterna.</title><content type='html'>&lt;p&gt;Queria saber por quê. Um motivo, uma circunstância circunscrita.&lt;br /&gt;Por que estava em frente ao espelho, escondido, vestindo-se como uma mulher, a maquiagem forte, o batom vermelho, as poses sensuais? E por que, alguns segundos após, sentia-se repugnado de si mesmo, cuspia em seu reflexo e começava a chorar?&lt;br /&gt;Não sabia o que pensar, pois não sabia de mais nada. Apenas sentia o peso doloroso da consciência em cima de seus cabelos, deixados longos por motivos óbvios de gostos musicais. É claro que nunca se havia penteado os cabelos sedosos por horas seguidas, apaixonando-se por si mesmo a cada passada de pente, é claro, claro que não, simplesmente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Você não me pode impedir. Já tenho dezessete, o cabelo é meu. Quero-o assim.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E inicialmente fora por paixão ao rock. Admito. Ele queria parecer revoltado, queria conquistar umas meninas fáceis, queria ser, como todos o querem, diferente. Conseguiu-o. Usava uma jeans rasgada, com símbolos nada religiosos, apenas blusas de bandas estrondosas, óculos escuros finos e redondos e tinha uma tatuagem de uma adaga em seu pulso.&lt;br /&gt;Seu pai nunca aceitara tal situação. Gritava, xingava, batia as mãos na parede. Seu filho parecia não importar-se. Ah, mas se importava! Muitíssimo. Aquilo tudo era apenas carência afetiva, de fato. Mas como as pessoas são cegas…&lt;br /&gt;A situação agravou-se quando o lápis de olho e o batom negro vieram à tona. Seu pai agonizou. Todos os dias, sem falta, desde manhã até a noite jogava indiretas bastante diretas. Mas ninguém vive somente de olhares enviesados.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Chegou o dia em que, colossalmente, o homem explodiu:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Mas tu é um gay de merda.&lt;br /&gt;Um gay de merda.&lt;br /&gt;Um gay de merda.&lt;br /&gt;Tu não é meu filho, diabo!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O garoto riu-se. Gay, ora se fosse! Riu-se ainda por todo o dia e mais além. Na verdade, passou um mês inteiro rindo. E as acusações continuavam. O pai era impiedoso. Os olhos em fúria, as lágrimas vertendo. Gritava pela casa que aquele não era seu filho, que odiava o dia em que ele viera ao mundo, que, se pudesse, matar-se-ia de remorso.&lt;br /&gt;E aquilo, de certa forma, começou a importuná-lo. Começou a perceber que já tinha atenção suficiente. Sim, já a tinha. Agora, finalmente, poderia…&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O poderia permaneceu no tempo verbal em que merece permanecer para sempre.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O homem deu um tiro na cabeça.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O garoto já tinha dezoito anos nessa época. Pode-se perceber a gradatividade da coisa. Não lançou uma única lágrima no velório. Jogou-lhe um lírio no enterro.&lt;br /&gt;Quando encontrou-se sozinho, começou a remexer os dedos incontrolavelmente, os pensamentos voavam por sua cabeça. Então chorou. Quase um crocodiliano. Respirou fundo e foi até a penteadeira. Passou o batom fortemente por todo o rosto, pela testa, pelo nariz, pela boca. Emplastrou-se de perfume francês. Colocou o vestido de sua mãe mais curto e foi até o espelho.&lt;br /&gt;Olhou fixamente para dentro dos seus olhos e disse:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Por quê? Porque tu é um gay de merda.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Uma mentira, repetida muitas vezes, pode tornar-se verdade. Uma mentira, dita por alguém que nunca mais poderá desmenti-la, é, de fato, uma verdade absoluta.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-5270047902410613154?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/5270047902410613154/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=5270047902410613154&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5270047902410613154'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5270047902410613154'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/06/circunscrio-paterna.html' title='Circunscrição Paterna.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-4102774102431860071</id><published>2008-06-17T16:22:00.000-07:00</published><updated>2008-12-22T15:15:45.437-08:00</updated><title type='text'>pensamento.</title><content type='html'>&lt;p&gt;Sorvete seria ótimo agora. Mais uma crise gelada. Uma crise gelada de chocolate. Que delícia. E eu que prometi que não me iria importar! Aliás, eu que achava que não me importava. Que coisa, não? Em um momento as coisas significam absurdamente nada para você, mas basta piscar os malditos olhos que o apego já é imenso e você está com um grande problema. Um problema sentimental, ora. Quando você simplesmente sabe de toda a verdade, puríssima, inteira, total, e vem aquela pessoa infeliz, ah como é infeliz, e cospe-lhe completa na cara.&lt;br /&gt;A verdade é que falamos demais. Concordo plenamente. Falamos o que não temos que falar, apenas porque temos a necessidade de fazê-lo. Incrível. E quando descobrimos que o que fizemos não foi boa coisa, começamos a jogar argumentos, de fato (quanto paradoxo!), falaciosos. Mas então, meus caros, a merda já está fedendo. Nós já magoamos a pessoa, já concluímos que a nossa opinião é a incógnita da questão. Somos os melhores bundões do mundo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mas para que a distância? Por que precisamos tirar as conclusões? Não podemos entender, ao menos um pouco, um mínimo pó, que não sabemos de tudo que se passa com o outro ponto que está na reta? &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mas o “outro”, e são milhares desse estirpe, também não é inocente. Ele nutre a mágoa. E ele distancia-se ainda mais de você. Porque, às vezes, a verdade falaciosa era verdade verdadeira (uau, agora faço uso do caríssimo pleonasmo). &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Não tenho conclusões a respeito disso. Nunca tive e nunca almejei ter. Apenas queria que as pessoas fôssemos (silepse, you know?) um pouco menos orgulhosas e egoístas. Porque o nosso umbigo é algo realmente lindo, foi de lá que viemos etc, mas há outras coisas no mundo, tão mais belas…&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Além disso (como adoro unir parágrafos e assuntos!), a hipocrisia latente tem-me incomodado muito. Cansei. Queria que, em apenas um segundo, todos tirássemos as máscaras e fôssemos para um baile à realidade. Seria tão mais… real? As pessoas dançando ao lado de suas ideologias ainda-não-tão-formadas, acreditando no que querem acreditar, admitindo sem o medo, sem o medo de nada, contornando, em passos rápidos, a mentira que apenas cega.&lt;br /&gt;Isso seria uma utopia, certo? Certíssimo. Mas sonhar é o guia para fora da caverna de Platão. Ver o que está mais além das sombras é o primeiro salto para sermos nós mesmos. Para não mentirmos, para admitirmos o erro. E, poha, como é difícil admitir e fazer o que é moralmente e &lt;strong&gt;relativamente&lt;/strong&gt; correto. Odeio relativismos, mas aceito o que o é. Porque a ética dentro de mim grita por justiça sem punição, sem dor, sem ódio. Uma justiça verdadeira, ideal, nunca mentirosa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A ética dentro de mim grita amor! Porém é difícil doar-se com essa distância. Com essa ponte quebrada que foi criada entre mim e o resto do mundo. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tenho um medo terrível: o medo de que eu esteja adaptando-me à crueldade. E, agora, escrevendo, entendo o que tanto me aflinge. É a realidade que criamos, não a realidade que deveria ser real.&lt;br /&gt;Eu estou começando a enxergar o mundo, as pessoas, as coisas, os sentimentos, os fatos, como não enxergara antes.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E isso dói. Ah se dói. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Porque a utopia desfaz-se.&lt;br /&gt;Desmantela-se.&lt;br /&gt;Acostuma-se.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Até que desaparece eternamente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Not yet, my friends. Not yet.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-4102774102431860071?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/4102774102431860071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=4102774102431860071&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4102774102431860071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4102774102431860071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/06/pensamento.html' title='pensamento.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-5861483718321128583</id><published>2008-06-11T14:24:00.000-07:00</published><updated>2008-12-22T15:12:26.096-08:00</updated><title type='text'>Digitais adormecidas.</title><content type='html'>&lt;p&gt;Não deveria estar ali. Mas simplesmente estava. E agora era inevitável. Uma vez sentido o gosto da amargura, ele torna-se eterno em seus lábios. Não conseguia nem ao menos piscar, com medo de perder algum detalhe mínimo, algum movimento surpresa, mesmo que estivesse a uma distância absurdamente infinita. Os óculos de sol estavam escondendo seus olhares furtivos para o resto do mundo que passeava pelas ruas despreocupado. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;O taxômetro marcava mais de cinqüenta reais. Porém não fazia diferença. Ela poderia ficar ali por séculos, mordendo os lábios, apertando o revólver que estava contido dentro de um pano negro de veludo. Como ela era clichê! E sabia disso. Uma mulher de meia idade, enciumada, planejando encontrar o marido em flagrante e matá-lo com a amante de vinte anos, loira e gostosa. Sentia tamanha repugnância disso, tal como seu orgulho pedia para ela sair dali imediatamente, voltar para casa e pedir o divórcio.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mas a descrença não lhe permitia fazê-lo. Não, não! Por mais que as evidências fossem claras, claríssimas, ela &lt;strong&gt;precisava&lt;/strong&gt; ver, cheirar, sentir o poder da traição e do desapontameto. Porque era isso que a movia até ali. Aquela incerteza tão certeira! Ah, como desejava ser mais jovem, mais bela e mais segura de si. Lembrava-se dos primeiros anos de casamento, quando tudo era eteno, eu te amo e morrerei ao seu lado. Ela realmente acreditou naquilo tudo. Por que não acreditar quando se tem o mundo aos seus pés, uma paixão indefinida e uma beleza invejável? Por que não, meu deus? &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Agora era o reflexo da realidade descoberta. Não só neste momento, mas já há alguns anos. Obviamente, a quebra dos sonhos é gradativa, na maioria das vezes, como em seu caso. Mas há o tipo horrendo, que, com apenas uma pancada, quebra-se em migalhas. Talvez este último às vezes seja o mais justo, mas é certamente o mais doloroso.  &lt;/p&gt; &lt;p&gt;O taxista nada falava, porém sentia a deteminação da mulher misteriosa. Pensava que, se não fosse ainda apaixonado por sua esposa falecida, talvez ficasse encantado com o jeito desta bela senhora. Não olhou, não ensinuou, não mexeu a cabeça: devia pôr-se em seu lugar de empregado, naquele momento. Parecia-lhe que sua passageira não estava muito para palpites ou confabulações para passar o tempo, tempo este que ele próprio não sabia para que estava sendo gasto. Suspirou.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Estava tão nervosa que tinha tiques de cinco em cinco minutos. Cruzava e descruzava as pernas. Grudava o nariz ao vidro. Sentia a vontade louca de gritar suas pétalas queimadas para que todos pudessem entender seu sofrimento antecipado. Mas nada poderiam fazer. Nem um pouco. Não foram eles que seguiram os maridos, logo de manhã, com a desconfiança fluindo por todo o corpo, não eram elesque estavam dentro de um táxi, esperondo algum sinal de…&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E o sinal veio. Veio potente, como a luz. Ela apertou com mais força o pano de volume fortemente marcado por suas unhas. Os olhos, mais abertos do que nunca, estavam tão claros como a água mais limpa do oceano; E ela engoliu o sal, ah, se o engoliu.  Com areia, conchas e o que mais viesse. A água inteira, todos os mares entraram por seus olhos e foram fundir-se com o coração. Ela encostou na porta do veículo. Ia sai de lá, rapidamente, enfiar duas balas naquele maldito e ser presa logo depois, porque não teria coragemde tirar a própia vida de merda.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Senhora?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ela estava parada lá há duas horas, a mão ainda na porta, as unhas ainda rasgando o veludo. Os olhos abriram-se de repente, como se fugitivos de um sonho. Respirou fundo. Não ia chorar. Não agora. Não, já passou. Acabou. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;- De volta para o lugar em que me buscou, sim? &lt;/p&gt; &lt;p&gt;O taxista obedeceu. Puro instrumento fático. A casa aproximou-se, o sentimento nela foi surgindo. Agora assim era o desgaste da comprovação. A pílula da falta de coragem e suicídio interno. &lt;/p&gt; &lt;p&gt;Abriu a porta do lar. Ele estava sentado no sofá, fazendo seus cálculos. Olhou para ela e sorriu. Ela soriu de volta. Por onde esteve, meu amor? Ah, amor. Seu amor sou eu? Beijou-lhe na boca. Foi para o quarto, guardou o pano aveludado e passou a mão pela gaganta, como se fosse capturar o grito preso dentro de si.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Adormeceu uma e acordou outra. Agora, sim, tinha a certeza que corrói: [sobre]viveria em paz.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-5861483718321128583?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/5861483718321128583/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=5861483718321128583&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5861483718321128583'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5861483718321128583'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/06/digitais-adormecidas.html' title='Digitais adormecidas.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-698750650136712834</id><published>2008-05-31T20:59:00.000-07:00</published><updated>2008-05-31T21:00:40.985-07:00</updated><title type='text'>mudei de endereço! :)</title><content type='html'>&lt;a href="http://palavras-nuas.avalon-dream.co.uk/"&gt;http://palavras-nuas.avalon-dream.co.uk/&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-698750650136712834?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/698750650136712834/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=698750650136712834&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/698750650136712834'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/698750650136712834'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/05/mudei-de-endereo.html' title='mudei de endereço! :)'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-3849684919624093896</id><published>2008-05-20T15:01:00.000-07:00</published><updated>2008-12-22T15:11:24.688-08:00</updated><title type='text'>Pela arte, ao fim do que é doce.</title><content type='html'>&lt;p&gt;E lá estava ela. O vestido apertado ao corpo, longo, muito longo, quase encostando no chão de mármore. O cabelo preso em um rabo de cavalo delicado, as unhas grandes, pintadas de rosa-claro. Encarava-me profundamente como se eu tivesse a resposta para todas as suas perguntas. Respostas desnecessárias, eu sabia, pois todas as perguntas eram inúteis. Algumas vezes ela levanta a mão até a altura da boca, como se fosse roer as unhas, mas abaixava-a segundos após, lembrando-se que iria quebrar a perfeição de seu corpo inteiro. E como ela era perfeita!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Era a mulher que eu mais amara durante toda a minha vida. E eu nunca fui muito de amar, não o suficiente para ser considerado amor. A verdade é que o tempo passa, o sentimento é consumido, os verbos são conjugados e o costume torna-se doentio. Tudo que eu sentia agora era oriundo de profunda admiração e nojo. Duas coisas essenciais para olhar aquele par de óculos e querer quebrá-lo em pedaços, para que ela nunca mais o ajeite com aqueles dedos compridos e delicados. Pois, ao quebrá-lo, quebro-lhe também as mãos. E, ao quebrar suas mãos, quebro-lhe toda vida de escritora.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ela continuava a olhar-me, com aqueles olhos famintos, o sorriso enviesado. Às vezes eu queria desesperar-me o suficiente para queimar-lhe a face com o café quente que repousava ao nosso lado. Mas eu não conseguia. Não, era tudo tão forçado, eu abria o jornal, fingia entender as palavras que estava lendo, e ela, ah ela!, estava observando-me para colocar a minha dócil personalidade mentirosa em um de seus contos filosóficos que eu tanto odiava e repugnava.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Açúcar. Ela perguntou-me se havia mais açúcar. Intriguei-me, pois ela sempre gostara de tudo tão moderado, inclusive, é claro, das palavras. Foi absolutamente dócil e surpreendedora, por favor, mais açúcar. E eu fui, solícito, até a cozinha, buscar o pote açucarado. Quando voltei à nossa varanda com vista para o mar, ela estava lendo o jornal exatamente na página de horóscopos, situação que deixou-me deveras constrangido, pois, na verdade, era a página em que eu estava tão concentrado anteriormente. Ela ironizou com os olhos, mas nada disse. Pegou o pote.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Extremamente compenetrada, colocou uma, duas, três, quatro, quinze colheradas de açúcar em seu café. Minha sombrancelha levantou-se e fiz menção de perguntar que absurdo era aquele que se sucedia, mas ela levantou-se imediatamente com a xícara na mão e foi até o meu lado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- A vida é tão amarga, não acha? - Quase um suspiro em meus ouvidos, um sorpo de vento delicioso.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Às vezes -  o impulso levou-me quase a perguntar por que diabos ela estava-me dizendo aquilo e porque tinha uma xícara com mais açúcar que café na mão.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Sempre fui controlado demais. Nunca, nunca disse o que realmente pensava. Se pudesse soltar as palavras, naquele momento, gritaria que ela estava enlouquecendo, que eu a odiava por ter roubado de mim o que mais amava. Não mais conseguia sentir por ela o que inicialmente sentia. Eu quase a odiava completamente. Ela era uma sombra em meu jardim, o vampiro de minhas idéias. Fazia-me consumir quase três maços de cigarro por dia em troca de imaginação alguma.  Sim, ela era a âncora de meus pensamentos. Maldita!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Você não acha que deveríamos pôr mais açúcar em nossos laços, em nossas vidas, em nosso amor?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Amor? Não, querida, não há mais amor. Eu amava-a porque era genial amá-la, assim como suas palavras consumiam meus olhos tristemente. Você era parecida comigo em tantos aspectos que me encantei com a impressão de não estar sozinho no mundo, de ter a compreensão da realidade unitária. Não obstante, você estagnou, literal e literalmente, minhas palavras. Durante todos esses anos não consigo mais escrever como escrevia, pois lá está você, pedindo-me conselhos sobre que idéia usar, como usar e não deixando-me respirar, em momento algum, as idéias que surgiam na minha mente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Gosto da vida azeda. A vida doce demais enjoar-me-ia - pisquei levemente os olhos ao proferir essa frase.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ela assustou-se, definitivamente, pois sua expressão facial alterou-se, coisa que raras as vezes deixava acontecer. Mordeu os lábios levemente e, surpreendendo-me, atirou a xícara de porcelana na parede. Espatifou-se e o açúcar espalhou-se no chão. Algumas lágrimas caíram de seu rosto, enquanto ela involuntariamente corria para o quarto para pegar suas coisas importantes e socar tudo dentro de uma mala. Ela havia percebido tudo que eu queria falar-lhe em apenas uma frase metafórica. E como meu coração palpitou de alegria.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Voltou-se a mim, com um livro de capa vermelha entitulado “Ele” e com duas alianças, com nossos nomes grafados em cada uma delas. Largou-os na mesa e saiu porta afora.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Hoje à noite, quando terminei de ler o livro, senti o peso do que havia feito totalmente em cima de minha consciência. As alianças, coloquei-as dentro de outra xícara, com muito açúcar e despejei tudo na areia em frente à minha casa. Chorei um pouco e gostei de chorar. Há muito tempo não chorava. E era delicioso sofrer. Ah, se era.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Peguei um lápis e um papel e comecei a escrever.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;- Como é amargo ser livre.&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-3849684919624093896?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/3849684919624093896/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=3849684919624093896&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3849684919624093896'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3849684919624093896'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/12/pela-arte-ao-fim-do-que-doce.html' title='Pela arte, ao fim do que é doce.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-8069264299940568957</id><published>2008-04-07T18:31:00.000-07:00</published><updated>2008-04-07T18:33:16.337-07:00</updated><title type='text'>algema real.</title><content type='html'>Tirou bruscamente a pulseira prateada que envolvia seu pulso, como se aquilo a fosse libertar, de alguma forma, do passado eminente. Jogou-a contra a parede e, como em câmera lenta, viu-a cair como água até pousar no chão. Agarrou-se aos joelhos e ficou encarando a jóia morta, desmaida, indefesa, que repousava como um corpo desesperado na madeira.&lt;br /&gt;Pronto. Estava feito. Ninguém mais poderia julgá-la. Não, não agüentava mais as faces das pessoas quando chegava no trabalho: Oh, coitadinha... veja lá, ainda não conseguiu, mas probrezinha, foi tão de repente, é, e com pouquíssimo tempo, não acha? Não conseguiu ainda desfazer-se totalmente...&lt;br /&gt;E que raiva que sentia dos olhares de pena! Do restaurante de portas sarcásticas à sua entrada, da praça com ar de solidariedade. Ela não queria nada daquilo, maldição! Apenas precisava ficar sozinha, sem sentimentos alheios, por um tempo, apenas um tempo, sabia que conseguiria socar tudo isso por terra a dentro e ir ao funeral de seus pensamentos e lembranças.&lt;br /&gt;Hoje, definitivamente, ela não usaria mais essa maldita pulseira. Ficaria ali, estirada no chão, durante quanto tempo fosse preciso, até que ela tomasse coragem para tocá-la. Porque o sacrifício já fora imenso apenas para arrancá-la do pulso e vomitá-la até a parede. Talvez nunca mais conseguisse encostar os dedos ou nem mesmo olhar para aquela parte de seu quarto. Pensando bem, não sabia por que tivera a idéia de tirá-la dentro de casa. Poderia ter sido mais esperta! Jogado-a na rua, no mar, no céu, quem sabe. Ah, mas é claro que não! Para quem está mentindo? Ela planejou tirá-la ali, exatamente ali. Não teria a mínima coragem de tirá-la em outro lugar longe de si.&lt;br /&gt;Por que, perguntava-se todos os dias, ele lhe dera uma pulseira tão em chamas, e não um simples anel dourado? Ah, que ele sempre era singular! O primeiro beijo havia sido embaixo da mesa de sinuca, quando ela desajeitadamente havia-se abaixado para apanhar a bola vermelha. Ele foi tão rápido quanto uma raposa, fingiu esbarrar nela e cair inocentemente sobre os seus lábios doces como acrimel, como assim ele costumava descrever. E quanto ao pedido de namoro! No ônibus, por deus! Ele pediu atenção de todos... e, de repente, estava ajoelhado com uma margarida amarela gigante, dizendo que uma Rosa era seu girassol, e que essa flor dupla sempre fazia-o girar e girar e girar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ficou tonta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era realmente merecedora de pena, pensou. Mal lembrava-se dos momentos e já se colocava a chorar desesperadamente, como uma criança indefesa. O sentimento que possuía neste momento era deveras de desprotegimento total. Não sabia o que ia fazer com aquela pulseira maldita, não sabia o que ia fazer com as vinte e sete cartas dentro da gaveta e nem com os malditos porta-retratos quebrados, que espalharam milhares de pedacinhos de vidro pela casa. Andar sobre migalhas afiadas não seria tão ruim, afinal. Não era o que vinha fazendo durante os últimos cinco meses?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele simplesmente apareceu [coincidentemente no dia em que ela acabara de descobrir algo que pensou ser a notícia mais feliz do mundo] com os olhos piscando demais, coçando um pouco mais do que o normal o corpo, ajeitando os óculos impetuosamente. Correu até ela e jogou-a no sofá, ela sorriu, a boca abrindo-se para a notícia!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu e você... - os lábios quase tocando-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu não te amo mais, - deixou exatamente uma vírgula eterna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele falou. Ela calou-se. Tudo que escutou depois foi que ele vinha buscar as coisas no dia seguinte, estava indo para a Europa com a Vivian, aquela pintora e escritora que ele tanto admirava e que não cansava de falar sobre nos últimos meses. Ela não conseguiu chorar. Não, não enquanto ele estivesse ali. Para quê? Vai, vai embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cinco meses depois ela conseguiu livrar-se da pulseira. Mas não do vínculo até a morte que carregava dele dentro de sua barriga. Era exatamente por isso que ninguém conseguia entender o porquê de ela não querer falar nada para ninguém, o porquê das férias adiantadas, se todos achavam que ela precisava mais é conhecer pessoas e não prender-se dentro de casa.&lt;br /&gt;Então para que dar-se ao trabalho de queimar todos seus rastros se não poderia recomeçar sem ele, sem uma parte de seu rosto, seus traços, seu gene, acompanhando-a para sempre?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não queria saber. Levantou-se, sem olhar para a pulseira e caminhou para a porta da frente. Pensou em ir comprar talvez uma fitinha, que cobrisse a nudez pura do seu pulso. Quem sabe encontrar novas pessoas, com novas idéias, idéias singulares e novos lugares onde pudesse recortar o passado, retalhar o presente e fazer do futuro algo novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Bateu a porta e respirou o dia, com a mão levemente acariciando a barriga.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-8069264299940568957?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/8069264299940568957/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=8069264299940568957&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8069264299940568957'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8069264299940568957'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/04/algema-real.html' title='algema real.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-5437997048158592857</id><published>2008-04-01T16:33:00.000-07:00</published><updated>2008-04-01T17:11:16.349-07:00</updated><title type='text'>simples complexidade.</title><content type='html'>Não conseguia entender o que era tudo, quem ela era e quem nós somos. Não, definitivamente não. Estava cansada de fingir que sabia das coisas, mas por dentro ver e tocar o verdadeiro desconhecido, os porquês, os motivos, a relatividade de seu corpo e de sua alma.&lt;br /&gt;Queria saber por que tinha essa tão impetuosa indiferença, esse não querer e fazer forçado, uma vida sobrevivida, um meio apenas para nicho ecológico. E às vezes perguntava-se qual era sua função, qual era a função do céu e do sinal de trânsito, então. Este último tinha como obrigação impedir a morte de pessoas, acidentes e surtos, mas para quê? Por que ter apenas três cores se a vida depende de milhares delas? E o que ela estava fazendo sentada ali, com as pernas para fora da ponte, olhando metros abaixo o trem das sete passar?&lt;br /&gt;Enrolou os fios de cabelo com a mão e balançou o pé. A idéia estúpida de tentar voar para ver como é passou por sua cabeça, riu logo após, um sorriso enviesado, quase encorajador. Vamos, o que você está esperando? Sinta o ar em você, entrando em seus pulmões, sinta a força da gravidade e... o alimento em vermelho dos trilhos. Cuspiu e voltou a divagar.&lt;br /&gt;Sua cabeça girava, somente de olhar para o horizonte, que se encontrava como uma fumaça muito vasta e escura, juntando-se com o doce cheiro urbano. Ficou enjoada. Por que ela ainda não conseguia levantar-se? Era difícil forçar a obediência das pernas, quando estas queriam descansar e não ouvir o barulho surdo de sua casa. O mundo é realmente engraçado: possui milhares de pessoas, mas apenas uma encontrava-se em uma ponte sozinha a balançar os pés. Onde estavam todas as outras? Jantando em casa, ouvindo música, dormindo, morrendo... mas onde estaria a real ligação?&lt;br /&gt;Levantou-se bem devagar e acendeu um cigarro. Tão nova e já viciada. Os vícios carnais, reais e fatais são os melhores. Ter um vício na alma é muito, muito pior. Ela fumava não pela necessidade da droga, mas por que gostava de ver a fumaça saindo de sua boca e ir subindo, subindo, subindo até desaparecer completamente e misturar-se às nuvens. Que idéia! Como poderia estar apaixonada pela união e perda total de si mesma no céu?&lt;br /&gt;Desceu a ponte até a ruazinha tão doce de Santa Teresa. As pessoas preparando-se para montar suas barraquinhas, agitadas, correndo, olhares ávidos e tristes. Sentiu pena e suspirou. Será que essas pessoas descansavam, pensavam sobre para onde tudo vai e para onde tudo retorna? Não a mulher com olheiras tão espessas que com elas chorava.&lt;br /&gt;Chegou ao sinal. A maior rua da cidade, ela atravessava-a uma vez por mês, quando decidia ver o trem correr para seu objetivo. Verde: os carros passando, as pessoas olhando os relógios de pulso. Tentou forçar os olhos míopes para ver quem estava do outro lado. Sacudiu a cabeça. Não podia ser: quanto mais apertava os nervinhos dos olhos, mais se convencia de que estava olhando para ela mesma, do outro lado da rua. E não apenas isso, mas estava vendo o seu lado exato refletido no outro lado, todas as pessoas que estavam aglomeradas em sua ponta estavam também na outra ponta. Só poderia estar sonhando.&lt;br /&gt;Sinal amarelo: metade.&lt;br /&gt;Sinal vermelho: os transeuntes começaram a andar para o seu rumo. E lá foi ela, pasmada, assustada e ansiosa. Ao olhar para seus lados, percebia as pessoas de um lado passando por dentro de si mesmas opostas e, após isso, tornavam-se almas e corpos diferentes. Cada um indo em uma direção. Parecia que, passado o toque e a passagem, voltavam a ser o que eram, ou talvez o que se tornaram.&lt;br /&gt;Sua vez havia chegado: foi de encontro ao seu eu e sentiu o corpo tremer no momento em que se tocaram com a ponta dos dedos e foram atravessados. Respirou profundamente e pareceu compreender o todo completo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando olhou para trás, a mulher de cabelos compridos e ruivos, os olhos penetrantes e o rosto desconfiado, estava olhando em sua mesma direção com uma expressão de questionamento: mas por que o esbarrão, menina?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltou a olhar para frente e soprou mais uma fumaça, deliciada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-5437997048158592857?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/5437997048158592857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=5437997048158592857&amp;isPopup=true' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5437997048158592857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5437997048158592857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/04/simples-complexidade.html' title='simples complexidade.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-5319595374818532442</id><published>2008-03-18T17:24:00.000-07:00</published><updated>2008-03-18T18:21:01.839-07:00</updated><title type='text'>Tudo engana.</title><content type='html'>Ela sorria demais. Por que eu não sabia, apenas via todos os dias na sala de aula aqueles dentes para fora, dentes que elucidavam a felicidade por completo. Sentia a vontade louca e egoísta de empurrá-la pela janela, bater com a sua cabeça na parede ou sufocá-la com pó de giz, qualquer coisa para aquele brilho de alegria cessar de minha frente. O que eu sentia não era inveja por euforia alheia, mas desprezo e raiva. Eu sofria demais com meus devaneios, meus pensamentos pertinentes invadiam minha consciência e às vezes lágrimas afloravam no meio da aula de cálculo. Primeiramente, eu tinha dezoito anos e estava perdida, sem rumo, em uma faculdade de matemática; não sabia se era realmente aquilo que eu queria. Mas definitivamente eu era racional. Até demais. Trabalhava em uma loja de um shopping à tarde e à noite, e morava em um apartamento dividido com uma hippie drogada. Meus vizinhos tocavam funk até tarde, e eu precisava acordar cedo toda manhã e estudar quando chegava em casa. Além disso, havia os pensamentos, os mais horríveis e niilistas possíveis, a depressão urbana me tomava por completo [eis o pior, meus caros]. Eu suportava o sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Onde eu estaria?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, bem, precisava agüentar uma idiota saltitante sorridente com personalidade caída à perfeição. Todos os dias era a mesma coisa: ela chegava, e chegava mesmo, cheguei. Falava com todas as pessoas, cumprimentava e, arre, sorria. Era loira, os cabelos delineando seu corpo, estatura mediana. Admito: encantadora. Porém, o tipo exato de pessoa que eu evitava. Aliás, eu evitava muitos e muita coisa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em uma quarta-feira, ela veio falar comigo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oi! Suzannah, não é? - sorriu. sorriu. sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- É. - voltei a abaixar a cabeça. Eu havia recebido uma ligação naquele dia: minha mãe estava hospitalizada. Mas eu já esperava, a vida passa, eu sei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Está tudo bem? Você parece meio abatida hoje... - ela dobrou a cabeça para o lado, estupidamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Quem é você para saber como estou ou não? Você nem mesmo me conhece. - falei isso tudo rapidamente, mal senti o movimento dos lábios. Explodi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu... apenas fiquei preocupada... não quis ofendê-la, desculpe, Su..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Escuta, garota,  se liga! Você não sabe nada da minha vida, sua ridícula, acha que a vida é feita de flores? Espera, o que é teu tá guardado. - levantei-me e saí, meio deprimida, meio raivosa, e fui chorar no banheiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O tempo passou, não me arrependi do que disse; ela todos os dias fazia o mesmo ritual. Entrava, balançava um pouco os cabelos, mordia os lábios pintados de rosa-claro, beijava as pessoas. E sorria. E aquele sorriso me rasgava por completo. Como ela podia ser tão feliz no meio disso tudo, dessas coisas que passam pelos olhos rapidamente e já sugam água, desses pensamentos que chegam impetuosos e carregam todos para a escuridão completa, como?&lt;br /&gt;Eu não sabia e não queria saber. Até um dia.&lt;br /&gt;Há sempre dias que marcam a vida. E esse me marcou, definitivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela chegou, sorriu. Sentou, sorriu. Quando estávamos no meio de uma aula absurdamente chata, olhei para ela e... o quê? O quê, como ocorreu? Foi tudo muito rápido. Não, não sorria. Pelo contrário: vi uma lágrima rápida e singular escorrer por seu rosto e também a vi secá-la o mais rápido possível e levantar para ir ao banheiro. O que fora aquilo? Quando ela voltou, estava com o mesmo sorriso estampado no rosto. Fiquei confusa. E com raiva, muita raiva. Não sei exatamente de quê, mas apenas a senti fluir.&lt;br /&gt;No dia seguinte, não conseguia parar de pensar naquela lágrima. Decidi que ia segui-la quando ela fosse até o banheiro, já que, agora passei a reparar, ela ia todos os dias, em quase um mesmo horário programado. Ela e aquele sorriso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava no corredor, sorrateira, seguindo até o banheiro. A porta acabara de ser fechada, quando a abri novamente e vi algo que me arrependo até hoje de ter visto, pois invadi uma parte de uma pessoa que não deveria nunca ter invadido sem sua permissão: estava apoiada na pia, um dos braços no estômago, chorando desesperadamente, vomitando e respirando fundo.&lt;br /&gt;Soltei uma exclamação e ela se virou imediatamente para olhar:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Su... Suzannah... não, eu só estou... - voltou a vomitar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E eu me perguntei por que ela estava tentando desculpar-se.&lt;br /&gt;Fiquei sem ação. Saí imediatamente do banheiro e sentei, encostada na parede em frente à porta. Esperei.&lt;br /&gt;Enfim, ela saiu, sem nenhum sinal de abatimento, exceto até olhar para o meu rosto sério e questionador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu ando meio enjoada ultimamente. Nada sério. Desculpe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- E por que chorou na sala? - meu Deus, que direito eu tinha de questioná-la assim?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela mordeu os lábios. Começou a chorar novamente. Eu não sabia o que fazer, puxei-a para um lugar reservado e exigi respostas apenas com meu olhar.&lt;br /&gt;Desde então eu soube o quanto eu fora ridícula. Ela estava tentando seguir a vida, passar por todos os obstáculos, tentar não pensar. E, principalmente, não colocar todos dentro de sua tristeza. Totalmente o oposto do que eu fazia. E como eu me sentia egoísta.&lt;br /&gt;Ela estava com câncer terminal. Não adiantava nem mesmo fazer radioterapia, descobriram tarde, tarde demais. Mas ela não queria deixar de viver. Queria continuar, sentir a vida, ser feliz. Ou ao menos tentar sê-lo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Hoje estou em seu enterro, e de alguma forma sorrio, mesmo com essas lágrimas incessantes caindo em minha pele. Aprendi e amadureci com essa menina, e me sinto extremamente grata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorrio, pois sei que é isto que ela faria neste momento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-5319595374818532442?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/5319595374818532442/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=5319595374818532442&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5319595374818532442'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5319595374818532442'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/03/tudo-engana.html' title='Tudo engana.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-4857612097939167920</id><published>2008-02-16T06:10:00.000-08:00</published><updated>2008-02-16T07:18:26.155-08:00</updated><title type='text'>Mar, mar, mar, venha me encontrar!</title><content type='html'>Quatro horas da manhã, um carro parado perto da praia. Tudo estava deserto, exceto por uma mulher de trinta e sete anos, pele morena, cabelos castanhos e longos, os olhos penetrantes nas estrelas do céu. Estava deitada na areia, os pés encostando na água, que tentava incansavelmente alcançar seu corpo. As ondas pareciam tornar-se mais fortes, como se quisessem cobri-la inteira com seu sal, para poder sentir sua pele macia e acariciar seus cabelos bagunçados. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;O mar é realmente solitário&lt;/span&gt;, pensou. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas quem sou eu para julgá-lo, afinal?&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;Sentou-se, a fim de tirar a areia de suas pernas. Não ligava nem um pouco para aquele vestido caro que seu caro marido havia comprado em uma loja caríssima. Não, nem um pouco. Queria que esse vestido sentisse o que é a sujeira, o pó e até mesmo a areia. Na verdade, ela não agüentava mais as coisas limpas, a casa arrumada e a janta feita. Não agüentava mais sua filha mimada pelo pai, não agüentava a solidão, de passar todos os dias sozinha e nos finais de semana ter que fazer sexo sem amor, sem palavras carinhosas, sem um como você está?, está bem?, como foi a semana?, senti sua falta, querida.&lt;br /&gt;NÃO! Ela queria sentir algo senão esse sentimento de... nada, vazio, falta de. Sentia profundamente sua vida indo embora, sua vida sendo vivida sem ela, pois não era ela que se encontrava em seu corpo quando estava dentro daquela maldita casa, e sim o que mais tinha de falso dentro de si. Forçava tanto o sorriso naquelas reuniões de família, que seu marido tanto insistia em fazer, que à noite não conseguia mudar a expressão. E ele achava que ela não percebia os olhares entre ele e sua irmã. Uma parte do seu sangue estava tendo um caso com seu marido, e provavelmente estas eram as horas extras que ele fazia no trabalho. Mas não ligava. Não hoje. Não há alguns anos. Tudo se tornara insuportável, para ter ciúmes inúteis. O pior é que não conseguia olhar para nenhum homem, sentia nojo de todos eles, rancor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Moça? Está tudo bem?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele tinha os olhos mais azuis de todo o universo, e eram transparentes como água cristalina. Sua pele era morena, da cor da areia e seus cabelos eram negros como a noite.  Ele era o mar. Só poderia ser.&lt;br /&gt;Estava a praia deserta, por isso arrepiou-se por uma outra pessoa encontrá-la ali. Sentiu um pouco de medo mas tentou afastar essa sensação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Sim - continuou olhando para o mar, tentando ignorar aquele homem com ar de inteligente. Ele também usava um par de óculos que o deixava com uma seriedade compulsiva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele sentou-se ao lado dela. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Como? Ele... por quê? Preciso sair daqui! &lt;/span&gt;Ele ficou a olhar para as ondas batendo em umas pedras um pouco à direita, parecia encantado com aquilo. Estava descalço, com uma calça branca dobrada, para não sujar na areia e tinha uma mochila jeans surrada junto de si.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Então, qual é seu nome, dama do mar? - disse, à vontade, com um doce sorriso no rosto. Seus dentes eram tão brancos, como pérolas encontradas nas profundezas dos oceanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Clara -  e sentiu vergonha de si mesma, por ter falado seu nome tão deliberadamente para um estranho qualquer. Sentiu-se com mais horror de si mesma, quando logo em seguida perguntou: - E o seu?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tenho vários nomes, minha dama - Clara enrusbeceu e sentiu uma pontada de raiva. - Mas pode me chamar de Miguel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Miguel. Este era realmente um nome bonito, diferente. Sentiu-se atraída pelo corpo e pela voz e pelo nome daquele estranho, filho do mar. Pensou que já devia ser quase cinco horas da manhã, logo deveria retirar-se dali, se não quisesse que dessem por sua falta em casa. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mas realmente se importariam?&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Ele a olhava de lado. Aquela mulher, com os olhos fixos na água, o vestido vermelho meio molhado meio sujo, um corpo atraente, perguntou-se se não estava se apaixonando. Talvez estivesse, pois esta deveria ser realmente uma mulher especial. De madrugada, sozinha, na praia, despreocupada.&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;- O que faz aqui, além de contemplar as águas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah, fugindo de casa, do marido e da filha. Todos me sugam e me tiram de dentro de mim e... - sabia que não deveria ter dito isso. - Vim jogar minha aliança no mar, como forma de morte total de casamento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Respirou fundo. A raiva veio para dentro de si. &lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que ótimo, solto tudo que me aflinge para o primeiro estranho que cruza meu caminho.&lt;/span&gt; Fraqueza maldita, solidão contínua. Agarrou um pouco da areia que tocava seus dedos.&lt;br /&gt;Ele ficou surpreso com sua extrema sinceridade. Pensou que ela diria logo em seguida que era uma brincadeira, mas isso não ocorreu. Mordeu os lábios um pouco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não imaginei que fossem esses os seus motivos, talvez não devesse ter-lhe perguntado, não é mesmo? - fez uma longa pausa, onde o silêncio apossou-se completo de ambos. - Mas... tenho algo para você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele abriu a mochila e tirou um papel bem grande, um papel de pintura. Entregou para a mulher. Antes de abri-lo, ela o ficou olhando, olhando, olhando. Viu seu piscar de olhos calmos, seus lábios sendo mordidos de vez em quando, mostrando sua ansiedade. E olhou para o papel. Teve um sobressalto, chegou a arregalar tanto os olhos que até mesmo ele se assustou. Havia um desenho dela ali; ela estava sentada na areia, olhando para o mar, os olhos molhados de lágrimas, e a praia inteira, todo o resto, parecia curvar-se em sua homenagem, por trazer-lhes o calor de sua presença.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eu moro aqui perto, e, um dia quando estava passando por aqui, te vi ao longe. No dia seguinte, você estava no mesmo lugar, na mesma hora. Passei a vir vê-la todos os dias, e comecei a trabalhar neste desenho. Hoje decidi entregar-lhe - ele falou tudo sem pausa, atropeladamente, cheio de arrepios e um pouco de vergonha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela não pensou duas vezes. Puxou-lhe para perto de si e cravou-lhe um beijo nos lábios. Um beijo mesclado de emoções, de sentimentos que acabavam de nascer. Um beijo com "sentires" que há muito não sentia ou talvez nunca houvesse sentido.&lt;br /&gt;Quando parou de beijá-lo, percebeu uma luz começando a aparecer mínima na linha do oceano, e levantou-se rápida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Amanhã. Você sabe que horas e onde encontrar-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E saiu correndo em busca de seu carro com uma alegria que há muito não sentia.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-4857612097939167920?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/4857612097939167920/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=4857612097939167920&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4857612097939167920'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4857612097939167920'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/02/mar-mar-mar-venha-me-encontrar.html' title='Mar, mar, mar, venha me encontrar!'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-1685677634719539380</id><published>2008-02-15T17:49:00.001-08:00</published><updated>2008-02-15T17:53:49.054-08:00</updated><title type='text'>_²</title><content type='html'>Piscava os olhos, bem de leve, e tentava apertar o lençol. Na verdade, só conhecia o que apertava pois estava deitada, seu tato havia sumido por completo. Onde estava não sabia. Ou não lembrava. Talvez as duas opções unidas; poderia não saber, mas sentia que sabia de alguma forma e poderia ter esquecido o conhecimento. &lt;br /&gt;A sensação era estranha demais. Quando piscava os olhos, poucas vezes, tão pesados como toneladas de chumbo, só via o branco, o branco completo, a alvidez contrastante, se é que isso era possível com nenhuma outra cor por perto. Mas era, pensava. Era branco contrastando com branco e um fio de vermelho escorrendo. Mas nunca as cores diferentes se misturavam.&lt;br /&gt;E então, após um segundo de imobilidade e agonia, desesperadamente, uma parte de sua alma foi arrancada. Arrancada infinitas vezes, pedaço por pedaço, constante por constante. Ela gritava; um grito surdo, mas ainda assim um grito com a força do pensamento, com a força de toda a dor que emanava de si mesma, dor esta que ela não sabia que possuia. Pois a dor vem de dentro de nós para o mundo, arrebatando e destruindo todas as moléculas pelo caminho, para ocupar seu devido espaço. E mesclado com a dor, de alguma forma, vinha o arrependimento. Não sabia, não se lembrava... por quê. Por que a consciência sussurrava os pecados e a maldade de destruir-se a si mesma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou em meio à tempestade. Estava deitada no parapeito da janela, a risco de cair enquanto dormia. Algumas lágrimas saltaram-lhe dos olhos. Novamente, dia após dia, o mesmo pesadelo. A sala branca, os olhares estranhos e sorrateiros, a dor e a culpa. Estava acorrentada e sabia disso. Não havia chave ou arma que a soltasse deste inferno. Aprisionada na própria mente e no passado, sorriu desgostosa.&lt;br /&gt;As lembranças começaram a jorrar...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era noite. Uma noite sombria, a noite que mais viria a odiar em sua vida. Ela estava amando um menino inteligente e calculista de 19 anos. Ele também a amava de volta. Estavam em sua casa, sozinhos... ela sentia que este seria o dia em que se entregaria por completo, colocaria sua alma nas mãos dele, e certamente confiaria cegamente. Ele não sabia como isto foi acontecer, mas estava amando uma menina de 13 anos, e sentia-se tão absurdamente bem perto dela... não, não queria machucá-la. Realmente, o amor fluía. &lt;br /&gt;Escutaram um barulho na parte de baixo da casa, mas não ligaram. Somente quando ele notou os passos na escada é que percebeu o que fizera: a tranca, a maldita tranca. Esquecida. Rapidamente, empurrou a menina para dentro do armário, para logo depois dar de cara com um homem corpulento, portando uma arma... assustadora. Seu corpo tremeu, ao ver o sorriso de lado do gigante [gigante, pois ele se diminuiu inconscientemente para dentro de si, tal como uma fuga, tornando-se quase uma bactéria invisível]. O homem não pensou duas vezes, começou a espancá-lo, como se sentisse prazer naquilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Onde está o dinheiro? - perguntou demasiadamente calmo, para os segundos anteriores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O menino apenas balbuciou coisas sem sentido, e o homem voltou a chutá-lo. Ela não agüentou ver tudo aquilo, as lágrimas eram incontáveis, transformara-se em um rio. Escancarou a porta do armário e saiu gritando NÃONÃONÃO POR FAVOR NÃO O MACHUQUE. NÃO, PARE!&lt;br /&gt;O gigante mordeu os lábios e aproximou-se da menina em apenas um passo, empurrou-a contra a parede e arrancou-lhe a blusa. Ela chorava, soluçava, perdia a respiração. Não podia fazer nada. E ele, seu amor, vomitava sangue e chorava por vê-la assim. O homem abriu seu zipper e ela gritou, desta vez de fora para dentro, sugou todo o ar, negou-se a abaixar as calças. Levou tapas, até ficar com o rosto roxo. E o homem, enfim, apagou seus sonhos. &lt;br /&gt;O gigante, após usar seu corpo, deu um tiro nos dois braços e pernas do menino. Viu-o agonizar, e depois começou a revirar a casa inteira. Após dez minutos, pareceu ter encontrado o que queria e fugiu.&lt;br /&gt;Ela desmaiou. Ele deixou de respirar. Quando acordou, estava na cama de um hospital. A agonia foi como o universo e mais além. A garganta entalou. &lt;br /&gt;Porém, após três meses, aconteceu o desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava grávida, recordou-se. Grávida da dor, grávida de um monstro, grávida do dia em que perdera o seu amor. &lt;br /&gt;Voltou à sala branca. Voltou à perda de um pedaço de si mesma, que tentava excluir de sua vida: a criança que viria a nascer. Mas que foi morta, por sua própria escolha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabia exatamente por que esse pesadelo sempre voltava: alguma parte de si sentia a falta do que nunca viveria. E, principalmente, ela sentia a falta da parte que se deixou morrer antes mesmo de vir a viver.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acendeu o cigarro. O que está feito está feito, balbuciou. Mas sentia que isso não valia nada. Suas escolhas, após anos, ainda a afetavam. E isso era algo que devia aceitar. E, enquanto não se perdoasse, os pesadelos do passado continuariam a assombrá-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desceu da janela e abriu a cortina. Hoje talvez seja um novo dia...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-1685677634719539380?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/1685677634719539380/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=1685677634719539380&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1685677634719539380'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/1685677634719539380'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/02/blog-post.html' title='_²'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-8923411383800992867</id><published>2008-01-30T14:50:00.000-08:00</published><updated>2008-01-30T15:02:56.880-08:00</updated><title type='text'>Dias sem Inspiração.</title><content type='html'>há dias terríveis,&lt;br /&gt;enigmáticos e sem sentido,&lt;br /&gt;quando sofro de alucinações&lt;br /&gt;todas mentalmente visualizadas,&lt;br /&gt;mas sem palavra e papel.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quando penso em tocá-las,&lt;br /&gt;as idéias,&lt;br /&gt;sim, elas fogem de mim,&lt;br /&gt;e me perco no mundo real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;perder-se nesse mundo é&lt;br /&gt;de terrível pouco,&lt;br /&gt;pois o meu verdadeiro lar,&lt;br /&gt;ao que sempre almejo voltar&lt;br /&gt;é como a saudade latente,&lt;br /&gt;os dias em  pasárgada,&lt;br /&gt;os meus oito anos,&lt;br /&gt;uma canção do exílio cheia de falta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;alguém me traga de volta!&lt;br /&gt;abduzida, puxada, desmaiada,&lt;br /&gt;não me importo&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ao mundo das palavras preciso retornar.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-8923411383800992867?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/8923411383800992867/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=8923411383800992867&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8923411383800992867'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8923411383800992867'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/01/dias-sem-inspirao.html' title='Dias sem Inspiração.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-2067359535559304229</id><published>2008-01-05T10:29:00.000-08:00</published><updated>2008-01-05T10:56:06.949-08:00</updated><title type='text'>a falta de.</title><content type='html'>Sentia a falta. Falta de quê, perguntava-se. Mas sabia que simplesmente era a falta em si, e não algo que por si só poderia desesperadamente almejar. Desesperadamente: eis a palavra que envolve. A falta batia dentro de seu peito e procurava subir por todo seu corpo, como um inseto maldito, corrompendo-a por completo.&lt;br /&gt;Acordou naquela manhã ensolarada e fechou a cortina, tinha horror ao lado de fora, ao mundo, ao exterior de dentro de si. Começou a andar em círculos, círculos que se fechavam e círculos que se abriam. A mão repuxando os cabelos, de onde vinha aquela abstinência? Ela apenas sabia que algo fora arrancado de dentro de sua mente, e agora estava sozinha, sem rumo, sem saber por que não tinha a vontade que movia todas as pessoas.&lt;br /&gt;De alguma forma, tinha medo de viver. Sabia que sentiria falta do ar que respirava agora futuramente, por isso tinha receio de respirá-lo. Porque a falta cresceria ainda mais, e, com razão, a falta de, finalmente, algo. Entenderia a falta de. E essa falta seria do tempo em que ela era, porque agora ela é, e amanhã será. Mas nunca mais voltaria ao que já foi, e isso a deixava entristecida.&lt;br /&gt;Parou e fixou o olhar em um porta-retrato. Fixou-o bem, queria lembrar desse momento eternamente, em que ela conseguiu olhar para dentro de sua própria alma e ver um sorriso crescente. Mas sabia que dentro de alguns dias esqueceria esta lembraça, tal como já fizera tantas e tantas vezes a respeito de outras imagens, e tons e cores.&lt;br /&gt;Queria impressionar-se com as notas musicais, com o amor e com a vida, não obstante, pensava se já não era tarde demais. Sabia que, uma vez dentro deste conhecimento obscuro, desta virtude contrária, não havia mais volta, e chorava com a boca, com a mente, com as mãos, mas não com os olhos. Estava cansada do costume, de ter visto o que não queria ver, desta falta de.&lt;br /&gt;Às vezes pensava em suicidar-se, mas achava essa idéia tão sem nexo, que respirava mais e mais fortemente para sentir-se viva [ou simplesmente para... viver].&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia estava chegando ao fim, e ela sabia que a falta de não cessaria, somente em alguns momentos conseguia esquecer dela e sorrir realmente, gargalhar e não pensar em mais nada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Este é o problema: os segundos de ser livre desta consciência eram raros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ela sentia inveja de qualquer pessoa, que não fosse ela.&lt;br /&gt;Porque conseguiam ser plenamente livres.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-2067359535559304229?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/2067359535559304229/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=2067359535559304229&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2067359535559304229'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2067359535559304229'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2008/01/falta-de.html' title='a falta de.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-5528526358796563448</id><published>2007-12-22T16:03:00.000-08:00</published><updated>2007-12-22T16:08:32.359-08:00</updated><title type='text'>ao</title><content type='html'>deitada na cama&lt;br /&gt;os sonhos vertendo&lt;br /&gt;o abismo surgindo&lt;br /&gt;o final, então&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;a música sem fim&lt;br /&gt;do sentimento certeiro&lt;br /&gt;o motivo ao ermo&lt;br /&gt;a dor da luz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;feche a cortina&lt;br /&gt;o sol fere&lt;br /&gt;o mundo se abre&lt;br /&gt;o medo surge&lt;br /&gt;para dentro e para fora de mim&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;quero acabar com isso&lt;br /&gt;queimar as palavras&lt;br /&gt;os pensamentos e as idéias&lt;br /&gt;o nada e o tudo&lt;br /&gt;ao fogo abrasador!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;é completamente desgastante&lt;br /&gt;e degradante&lt;br /&gt;assim como &lt;strong&gt;ante&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;antes e após&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;se pudesse sumir&lt;br /&gt;mas fugir do abismo&lt;br /&gt;se pudesse correr&lt;br /&gt;mas não alcançar o nada&lt;br /&gt;eu...&lt;br /&gt;quero...&lt;br /&gt;que isso volte a transformar-se&lt;br /&gt;em matéria nenhuma.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-5528526358796563448?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/5528526358796563448/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=5528526358796563448&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5528526358796563448'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5528526358796563448'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2007/12/ao.html' title='ao'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-7840002611223335743</id><published>2007-12-13T14:08:00.000-08:00</published><updated>2007-12-13T14:48:02.131-08:00</updated><title type='text'>... como o vento que as traz. [ as memórias ]</title><content type='html'>Abriu seu &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_0"&gt;bauzinho&lt;/span&gt; de pequenos tesouros, um velho mundo se abria da escuridão para a luz. Ficou a olhá-los decididamente por horas, passando os dedos delicados por cada imagem, &lt;span class="blsp-spelling-error" id="SPELLING_ERROR_1"&gt;objeto&lt;/span&gt; e palavra. &lt;span class="blsp-spelling-corrected" id="SPELLING_ERROR_2"&gt;Possuía&lt;/span&gt; ali, e bem sabia, muito mais que ouro vivo e orgulhava-se disso, deixando algumas lágrimas sorrateiras, mescla de alegria e saudade, caírem levemente por seu rosto cansado. Havia tempo que não retirava a chave do esconderijo para ver suas preciosidades. Porém, agora que as tinha nas mãos, não as queria devolver para o escuro do baú nunca mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou, muito bem, por... ele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Era um jardim maravilhoso, em plena primavera. As flores sorriam para o céu radiante, mesmo que nublado, um céu com histórias fantásticas. Ela estava no balanço, uma chuva gostosa se deixava cair em seus cabelos longos e dourados, balançava devagar, devagar, a tristeza em seu rosto. Era seu aniversário de dezessete anos e ninguém havia lembrado, exceto sua mãe e uma amiga. E agora estava só, completamente.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Então, ele apareceu. Pisava devagar no verde e na lama, estava ofegante, havia corrido, corrido muito e agora tentava não ser descoberto. Chegou à frente do balanço, levantou seu queixo delicado e, então, a rosa.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;- Para você.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;Ai, como chorava de falta. Limpou as gotas no rosto, parecia que ainda podia sentir a chuva daquele único dia de primavera, e abanou a cabeça: a rosa murchara. Como tudo que é efêmero vai e não volta. Apertou a si mesma, sentia a vontade desesperadora de que ele estivesse ali, agora... o corpo se foi, todavia o sentimento permaneceu, e isto era tudo que ela possuía.&lt;br /&gt;Demorou muito tempo para separar-se do balanço, da rosa e daqueles olhos molhados. Os olhos que a vigiavam, cheios de amor e sonhos a ser realizados. Ah, que daria a vida parar tocar-lhe por um único segundo de realidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A seguir, tocou no rosto deles, seus pais, imagens vivas de afeto e carinho, palavras cortantes, perfuradoras, mas sempre verdadeiras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(153, 0, 0);"&gt;Sua mãe chorava no quarto desesperadamente, dolorasamente, chutava e socava os lençóis, os travesseiros, e tudo que se encontrava pela frente.  Ela podia sentir a dor emanar de toda aquela raiva, de toda aquela tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não! Por quê, por quê, por quê?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela também não entendia por quê, mas sabia da realidade desde pequena, enquanto segurava com as mãozinhas tão frágeis a beirada da porta. Tinha seis anos e acabara de perder o pai, e sua mãe acabara de perder o amor de sua vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Querida... - a dor aumentou ao ver aqueles olhinhos lacrimejando - Venha cá. - abraçou-a. Tudo vai dar certo, a mamãe promete.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;Mães sempre são fortes. E ela se sentia agradecida por ter tido aquela mãe tão esplêndida e dedicada.  Lembrava-se pouco de seu pai, mas sempre o vira com um sorriso no rosto, exceto quando ia dar-lhe bronca. Mais lágrimas vieram, ao lembrar que nunca pôde ter filhos. Eram apenas os dois, ela e o magnífico homem da rosa. Mas eram felizes, ah, se o eram!&lt;br /&gt;Mais um pouquinho, pensou, e tocou em mais um vagalume cintilante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color: rgb(153, 0, 0);"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sua formatura, seus desejos, seus sonhos, seus medos antigos. Tudo veio esvoaçando até sua mente. Sua vida inteira, incrivelmente sólida e vivida. Sim, uma vida vivida, deliciosa, cheia de alegrias e decepções, cheia de perdas e ganhos. Estava feliz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;Fechou o bauzinho, enfim, mas antes fez questão de pegar tudo de dentro dele, tudo que brilhava e pulava para dentro de si, sugou cada pó, cada pequena partícula e voltou à vida de agora. Talvez outro dia fosse buscar mais e mais felicidade naquela caixa magnífica. Mas, para isso, precisava enchê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E o fez.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;span style="color: rgb(0, 0, 0);"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-7840002611223335743?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/7840002611223335743/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=7840002611223335743&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7840002611223335743'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7840002611223335743'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2007/12/como-o-vento-que-as-traz-as-memrias.html' title='... como o vento que as traz. [ as memórias ]'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-8289033387070009971</id><published>2007-12-04T18:55:00.000-08:00</published><updated>2007-12-05T16:06:53.403-08:00</updated><title type='text'>Sentir.</title><content type='html'>E, então, as lágrimas voltavam-lhe aos olhos, tão azedas, tão doloridas, queimavam-lhe a face enquanto desciam; ela sabia que não queria chorar, mas já o estava fazendo. Não conseguia impedir o sentimento que vinha arrepiando todos os seus fios de cabelo, os pêlos, a roupa, e até mesmo os olhos, que se abriam de medo diante da perda de controle. Sua fragilidade começava no momento em que se deixava ler: abria-se o livro de sua alma, e as palavras nele escritas não se passavam de chaves para abrir sua consciência.&lt;br /&gt;Ela não agüentava mais, alguns detalhes já a matavam, sugavam todo seu sangue. Tentava fechar os olhos para fechar também a mente, o coração e... o pulso que passeava dela para o resto do mundo. Em um pleonasmo exato e vicioso: o pulso pulsava pulsante dentro de seu pulsante coração para o resto do mundo que pulsava quando abria os olhos novamente. Aquele pulso a controlava.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava sozinha, definitivamente ao ermo e vazio. Ele a deixara. Não é simplesmente mais um caso de paixão mal-correspondida, não, é mais sério, vem do amor, o amor que vive as pessoas, que as faz sentir algo mais. E como ela amava! O amor a movia, dava-lhe a vontade de seguir em frente, de ter alguém e algo por que lutar. O amor havia dominado o pulso, em verdade, havia-se-o tornado.&lt;br /&gt;Porém, em um dia sem data, começaram-se as malditas. Ela passou a sentir o gosto delas constantemente, salgado, amargo de tristeza. Estava tão absurdamente feliz, não obstante, com a tristeza estava sempre de mãos dadas, anéis trocados, e, se não fosse a loucura do paradoxo, diria que as duas eram felizes.&lt;br /&gt;Nunca exigiu nada, nunca disse nada, apenas era magoada e morta todos os dias. Por coisas pequenas, por bactérias invísiveis a olho nu, mas sentia tudo cravando-lhe uma estaca no peito. Ele não era culpado, e ela repetia isso sempre, todos os dias, meu amor, sou eu, o problema sou eu, não, não se chateie, não vá embora, não... E uma porta era batida. Ela ia para o banheiro, abaixava a tampa da privada e sentava-se em cima, agarrando-se ferozmente a seus joelhos, soluçando demais, indefesa, perdida, desiludida. Quase uma constante.&lt;br /&gt;Uma vez foi até o espelho do quarto de sua mãe, um bem grande e límpido, e perguntou ao seu reflexo, encostando a pontinha dos dedos em sua própria imagem: "O que é o amor?" Não veio resposta, mas ela não cansava de olhar para seus olhos, eles pareciam tão decididamente expostos, tão pequenos diante de tudo. Ela quis agarrar sua imagem, mas não conseguiu. Chorou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele foi embora de vez no verão. Ela odiava o verão, talvez ele quisesse que ela também o odiasse. Mas ela só pensava que ele havia ido embora e deixado a estação quente, queria sua primavera de volta, de qualquer forma. Mas não conseguiu. Sabia que nunca conseguiria, pois ela era como uma flor frágil e efêmera, logo se murcharia à visão de seu possuidor.&lt;br /&gt;A verdade é que ele não conseguia entendê-la, qualquer coisa, qualquer ato, feria-a de uma forma bruta e desconexa. Não podia fazer nada sem que a doesse na alma. Odiava machucá-la e, desta forma, entendeu que seria melhor deixá-la sozinha, desamparada, mas sem a dor que lhe causava todos os dias, incontavelmente.&lt;br /&gt;Ele também sofreu, o amor era dois, mas aquilo não poderia prosseguir. Ele, agora, não conseguia mais agüentar. E se foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltamos ao momento. Ela se odiava, sabia que seus sentimentos incontroláveis eram o motivo para sua eterna escassez. Nunca o teria de volta. O desespero se lhe tomava conta. E era realmente desesperador sentir de uma forma tão incrivelmente surreal e avassaladora. O sentir, esse maldito sentir, fê-la subir extremos, fê-la viva. Ao passo que também a fez morta.&lt;br /&gt;Mas a certeza que sobrevoa sua mente é que, se não sentisse, tudo seria pior, sua loucura, pois já estava enlouquecendo de tanto sentimento, seria a loucura das mentes vazias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chorou mais uma vez, enquanto um pequeno sorriso aparecia em seu rosto.&lt;br /&gt;Quase imperceptível.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-8289033387070009971?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/8289033387070009971/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=8289033387070009971&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8289033387070009971'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/8289033387070009971'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2007/12/sentir.html' title='Sentir.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-6497092043948453216</id><published>2007-11-23T10:31:00.000-08:00</published><updated>2007-11-23T10:37:33.871-08:00</updated><title type='text'>~</title><content type='html'>&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Um dia, a Lua veio até mim&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;E, no seu mais íntimo ser,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Mostrou-me os segredos &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sussurrados entre os ventos.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Contou-me sobre terras distantes,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Inteiramente belas,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Cuja alma canta um soneto de alegria.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Seus pássaros e pássaros a cantar,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Com suas asas de ouro e cetim,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que me encantavam à luz da eternidade!"&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Sobre mais meralíssima inteligência,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Senti-me apenas uma estrelinha ofuscada,&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;Que necessita de sua lua para brilhar.&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-6497092043948453216?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/6497092043948453216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=6497092043948453216&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6497092043948453216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6497092043948453216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2007/11/blog-post.html' title='~'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-7027808305901339620</id><published>2007-11-21T15:00:00.000-08:00</published><updated>2007-11-21T15:57:32.533-08:00</updated><title type='text'>Era-se uma vez.</title><content type='html'>Estava em pé, apoiada em um dos lados daquela ponte há horas. Era uma ponte pequena e gasta, mas incrivelmente maravilhosa. As plantas haviam-se apossado de sua madeira, misturando-se meramente como matéria em matéria, ocupando um mesmo espaço. Abaixo de si havia um lago com milhares de gigantescas Vitórias-Régias. Verde, baixa, verde: lembrava-lhe um quadro de Monet.&lt;br /&gt;Seus olhos brilhavam e parecia ansiosa. Não, definitivamente estava ansiosa, passava os dedos pelos cabelos, enrolando-os bem de leve. Estava em uma floresta conhecida, porém pouco visitada, e sentia-se como uma adolescente. Vento fresco, fios voando, segure o vestido. Ajeitou o chapéu de veraneio, caía-lhe bem com aquele leve vestido bege e sandálias brancas e baixas. Seu rosto representava vinte e um anos de vida, mas possuía trinta e três, às vezes as marcas não se mostravam na face. Carregava uma bolsa grande e bonita, e um guarda-sol estava apoiado na ponte, cheio de bordados e mimo. Na mão direita segurava com força um livro vinho: "Olhos de Lucy"; mostrava uma grande paixão e cuidado por ele.&lt;br /&gt;Tocou no pingente de coração que estava pendurado entre seus seios, e o apertou lentamente. Abriu-o e encarou os ponteiros: cinco horas e dezessete minutos. Agarrou o livro junto a si e quedou-se por um instante em uma página. Fechou-o logo a seguir. Começou a andar ansiosa pela ponte, um nervosismo repreendido pelo bom senso. Tacou pedrinhas no lago, fechou os olhos, bateu o pé, arrancou o chapéu!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Nada - passou a mão pelo cabelo dourado e longo. - Oh, onde! Para onde? É aqui, estou certa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhou novamente a hora. Ficou vermelha de raiva. Gritou ferozmente e sussurrou devagar, gritou e sussurrou. "Stevan, oh, Stevan!" Tirou as sandálias, derrubou o guarda-sol e correu com o livro nas mãos até a clareira da floresta. Nada, ninguém, absolutamente vazio. Ajoelhou-se um pouco e algumas lágrimas pareceram escorrer de seus olhos: havia chuva, pequenas gotículas finas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Não, não se pode haver chuva! Não!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levantou-se rapidamente e correu de volta para a ponte. Arrancou o vestido raivosamente, despiu-se por completo. Sentia um frio terrível pela chuva que agora tocava seu corpo nu. Mas não se importava. Arrebentou o cordão com o pingente e o jogou no lago. Estava desesperada, o coração sumiu na água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Adeus, Stevan! Engula seus presentes!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abriu o livro e começou a rasgá-lo página por página, as letras ficando embaçadas pela chuva, até chegar... ali.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;"Então Lucy estava bela, realmente bela, muito mais do que jamais a vira. Quando cheguei à ponte, olhava aquelas plantas aquáticas. O sol forte, mas faltando pouco para pôr-se, iluminava seus cabelos sedosos e dourados. Ela me olhou, com aquele olhar vidrante, aquele olhar de sempre, e eu fui magnetizado, correndo até ela... minha Lucy, seu Stevan."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chorou desesperadamente. Oh, que não havia de ser assim. Mas era! Era, e a raiva lhe subia. Jogou o que restou do livro no lago e abriu sua bolsa, apenas para pegar uma camiseta e um short jeans meio surrado. Puxou um livro de dentro da bolsa, e jogou-a logo após na água.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seu nome agora é Sheila. Iria para a África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Folheava as páginas enquanto andava de uma nova maneira, com novos tiques e novas letras...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-7027808305901339620?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/7027808305901339620/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=7027808305901339620&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7027808305901339620'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7027808305901339620'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2007/11/era-se-uma-vez.html' title='Era-se uma vez.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-5536869941860462302</id><published>2007-11-06T11:41:00.000-08:00</published><updated>2007-11-06T12:28:30.124-08:00</updated><title type='text'>Verdade injusta.</title><content type='html'>Perdia-se incontavelmente no mundo dos sonhos, naqueles que devolviam-lhe a alegria e a doce juventude para dentro de seu corpo. Não havia mais muita coisa para ela. Acordava tarde e chorava sempre que o fazia; as imagens que pareciam tão reais, o afeto que morava apenas dentro de sua oniricidade, sumiam de seus olhos, e as lágrimas de dor e desespero vinham incontáveis.&lt;br /&gt;Estava sozinha. As pessoas de branco entravam, saíam, limpavam, bom dia, boa noite, adeus. Nenhuma pergunta sobre como fora o seu dia que, apesar de exatamente igual ao anterior e ao anterior do anterior, era existente assim como qualquer outro.&lt;br /&gt;Quando acordava, além de chorar e abraçar-se junto ao seu corpo, indefesa, andava lentamente até o banheiro e todos as manhãs tinha a vontade pulsante de quebrar aquele maldito espelho. Era um espelho grande, embaçado e com uma parte quebrada, todavia mostrava-lhe a face flácida e cheia de rugas. E aquilo causava-lhe repulsa, apesar de ser uma dor mínima comparável aos pensamentos que a controlavam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Mamãe, mamãe! Era Júlia gritando ferozmente, chegava da escola faminta e cansada. A casa limpa, e aqueles tênis, malditos tênis, entravam correndo e sujando todo o chão de lama. Lúcio vinha logo a seguir, sempre calado, frio, distante. E assim pode-se dizer que continuou sendo para sempre. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Essas crianças nunca tiveram um pai. A mãe se chama Maria, porém tem alma de Madalena. Prostituía-se, e como isso doía dentro de si! Mas precisava de sustento, não se importava em vender o corpo em troca de comida para seus filhos, de dinheiro para dar-lhes o melhor. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Fez tudo por eles, até mesmo o impossível. &lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Et Voilá:&lt;/em&gt; o abandono em troca do amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém mais a visitava. Diziam que estava velha, louca, já estava na hora de partir. Já fizeram demais por ela, pagando o asilo. Por que deveriam perder seu precioso tempo falando com uma pessoa que não tinha o que falar? Além do mais, as crianças não gostavam de ir vê-la.&lt;br /&gt;Ela acordava, chorava, comia e voltava a dormir. Os dias todos iguais, a tristeza na alma. As enfermeiras eram secas, rudes, fingiam não ligar para o desapontamento daquela senhora, que às vezes tinha o olhar longe, fixo no teto.&lt;br /&gt;Estava esquecida. Era realmente uma pessoa quase inexistente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentada na cama, as pernas inchadas, penduradas entre o chão e seu corpo, olhava para suas próprias mãos e arrastava o dedão por entre elas. Rezava à noite, não conseguia entender por quê, já que estava perdida, e a dor era incontrolável. Mas rezava arduamente, como se fosse fazer efeito. Porém hoje rezava por perdão.&lt;br /&gt;Ela queria morrer há muito, sua existência não tinha mais sentido. Estava tudo acabado, ela era apenas uma parasita no mundo... apenas uma velha idiota jogada num asilo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomou remédios demais. E assim se foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo que restou foi o aviso de que sua mãe morreu. Ambos os filhos sentiram um alívio imenso, mas as lágimas, simplesmente, rolaram-lhes pelo rosto no dia do enterro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Oh, mamãe!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E flores caíram. E terra caiu, e tudo caiu, o corpo, o medo, a dor.&lt;br /&gt;E todos continuaram com suas vidas, até que tudo desapareceu: o túmulo, as letras do epitáfio. Maria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perderam-se no esquecimento.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-5536869941860462302?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/5536869941860462302/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=5536869941860462302&amp;isPopup=true' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5536869941860462302'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/5536869941860462302'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2007/11/verdade-injusta.html' title='Verdade injusta.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-3026927406624281901</id><published>2007-10-18T07:14:00.000-07:00</published><updated>2007-10-18T10:13:38.157-07:00</updated><title type='text'>Superação.</title><content type='html'>Era um dia frio, um outono meio inverno, onde havia folhas caídas no concreto, e outras flutuando lentamente. As pessoas andavam apressadas, empurrando umas às outras, quase correndo para o pagamento de fim de mês. Ele, escondido, definitivamente apagado, dava passos doídos, deixando pegadas falsas no chão úmido. Mexia com o anel dourado entre os dedos, e sua calça, de tão comprida, arrastava-se no chão.&lt;br /&gt;Ela o seguia. Um seguimento logo ao lado, os olhos vermelhos de raiva (ou ao menos é como queria que estivessem...). Reparava no anel, passando por entre os dedos dele, o homem absorto em pensamentos. Sentiu o egoísmo adentrar em seu corpo-alma. Soltou um grito de dor, mas ninguém a escutou. Sentiu-se indefesa, solitária. Por um momento,  e riu-se consigo mesma,  achou ter sentido frio.&lt;br /&gt;Ele parou em frente a uma loja de vestidos de noiva. Ficou observando, tão atencioso, os vários modelos que ali se encontravam. Tocou na vitrine, a palma da mão em mira de uma brancura: véu até os pés, flores bordadas em sua ponta, alças para os lados, aveludadas. Suspirou tão profundamente que o tempo pareceu parare, e ela pode sentir o seu coração suspirado e exalado ao frio.&lt;br /&gt;Continuou  seu caminho, o anel agora em volta do dedo. Ela queria chorar e abraçá-lo, gritar que o amava, que ele estava livre, que seguisse com a vida! Mas não conseguiu. Ela precisava sentir a dor da verdade, por isso ainda o seguia há seis meses. Passo-por-passo, dizia e se apertava com toda a força que conseguia obter.&lt;br /&gt;Parou, novamente, em frente a um café. Respirou fundo inúmeras vezes, tinha um ar indeciso. Ela ficou esperando uma reação (decisão!), e ele resolveu que entraria. Realmente entrou.  O ar de dentro do recinto estava mais quente, aconchegante, ele se sentiu bem, acolhido, mas ansioso. Apesar do frio, ele suava, suava muito. Foi-se para uma mesa no fundo e pediu um chocolate quente.&lt;br /&gt;Ela se sentou em frente a ele. Estavam cara-a-cara, não obstante ele olhava para suas próprias mãos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Vamos, faça o que você quer fazer, eu sei o que está dentro de seus pensamentos, pedindo para ser expurgado! - ela gritou, mas ele não mexeu um músculo ou sequer respondeu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas lágrimas escorreram do rosto dele, tardias, gotículas de alma cortada. E, com um movimento raivoso, ele tirou o anel. Ela se tremeu por dentro: o anel que estava em seu dedo, idêntico ao que agora estava adormecido na mesa, desfez-se em pó. Gritou. E seu grito foi surdo para o mundo, ela sabia disso, mas continuou a gritar.&lt;br /&gt;A porta do café abriu e fechou, uma bela mulher de vinte e cinco anos adentrou sorridente, doce olhar sensual, e foi em direção ao homem abatido e à mulher que parecia engasgada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Eduardo! - e deu-lhe um beijo longo e demorado na bochecha. - Desculpe o atraso, encontrei uma velha amiga na rua... - sentou-se ao lado da mulher, cujo nome revela-se agora: Sophie. Porém não a cumprimentou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Tudo bem, Val... tudo bem. Eu mal cheguei, de qualquer forma. - ele parecia querer chorar como uma criança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sophie quis arrancar todos os fios de cabelo daquela vadia, de nome Val. Tentou cravar-lhe os dentes no rosto, mas não conseguia tocar-lhe. Quanta intimidade eles já tinham! Val, Val, Val!     Beijo demorado, ele com certeza estava sem ação.&lt;br /&gt;Valéria pegou suas mãos, ele a olhou de volta nos olhos, assustado, queria correr, fugir e enterrar-se vivo. Sophie tornou-se confusa, ao olhar para aqueles olhos perdidos, e sentiu um penar imenso em sua cabeça. Por quê, por que ela o perseguia e fazia com que aqueles pensamentos cruéis lhe voltassem à mente? Por que não o deixava em paz? Em seis meses, desde o ocorrido, era a primeira vez que se encontrava com uma mulher, e ainda sentia o pesar na consciência. Oh, que ela era injusta e egoísta! Ele precisava seguir em frente. E não só ele precisava fazê-lo...&lt;br /&gt;Levantou-se e passou decididamente pelos dois. Chorava muito, de alguma forma, por dentro de si mesma, porém continuou a andar. Ao chegar à porta, olhou para trás e viu Eduardo, seu Eduardo, o amor de toda sua existência, olhá-la em absoluto surpreendimento, as gotas nos olhos. Ele conseguia vê-la agora. Conseguia sentir-lhe a tristeza.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela fez fez um adeus com as mãos e sorriu. Saiu pela porta, antes que ele pudesse correr até ela, e desapareceu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Era hora de seguir em frente.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-3026927406624281901?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/3026927406624281901/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=3026927406624281901&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3026927406624281901'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3026927406624281901'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2007/10/superao.html' title='Superação.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-3989018573566654691</id><published>2007-10-16T13:37:00.000-07:00</published><updated>2007-10-16T14:02:16.231-07:00</updated><title type='text'>Um segundo de atenção.</title><content type='html'>E, então, mais um ano se renova, escapando por entre a sua pele todo o tempo que já se passou. Você quer segurar as horas, os minutos e, por deus!, até mesmo os segundos(pequenas partes de mim, que cobrem toda a pintura da minha alma), mas você não consegue. Parece que o universo resolveu atuar contra você, em função do tempo.&lt;br /&gt;O que eu vejo é meu corpo sozinho, estático, em algum lugar entre lá e aqui; as estrelas bilhantes ao meu redor, girando, girando, como se eu fosse o centro de tudo. Eu disse tudo? Tudo o que não existe e aquilo que as mentes apagaram. Mas o maldito e meu mais temeroso medo parece ter-se extingüido por completo, já que aqui não há tic-taquear. Ou melhor dito: lá.   &lt;br /&gt;Olho para trás e os olhos reluzem: nada volta, os sentimentos (talvez apenas fantasiados, mas sentidos) sumiram-se  todos, as mãos que me encostavam os cabelos tonaram-se pó, e o vento que dantes trazia o cheiro de verão tornou-se água, incolor, sem forma.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, com as lembranças, minha realidade volta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estou aqui, agora, respirando, pensando no que escrever, escutando sonidos difusos. Mas o agora já se foi, já me estou no depois, que agora é agora, mas acaba de tonar-se antes.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada disso faz sentido, eu sei, obrigada. Mas é o que foge de minhas mãos para as palavras, o zunido tão irritante de minha mente, também com a mesma característica ruidosa. Eu não queria, e muitos eus de mim também não, não, definitivamente não, sentir o tempo assim, sem poder situar-se nem por um momento, por um milésimo de... segundo?&lt;br /&gt;Segundo minhas mãos, e também a energia que emana da ponta de meus dedos, segundo, segundo elas, o segundo não existe. Não pode existir. Como poderia existir um segundo qualquer, como?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O confomismo do não-saber às vezes é completo em mim, mas dura apenas um... segundo.&lt;br /&gt;Logo poderia dizer-lhe que, agora que já é depois, meu pensamento não-existe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Adeus, segundo passado.&lt;br /&gt;Amanhã talvez seja outo segundo,&lt;br /&gt;de um segundo-décimo-sexto-aniversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parabéns para mim.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-3989018573566654691?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/3989018573566654691/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=3989018573566654691&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3989018573566654691'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3989018573566654691'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2007/10/um-segundo-de-ateno.html' title='Um segundo de atenção.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-4512948128730818042</id><published>2007-10-04T12:53:00.000-07:00</published><updated>2007-10-04T13:34:49.802-07:00</updated><title type='text'>Mundo de Papel.</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 0, 0);"&gt;"Tinha mania de morder a tampa da caneta enquanto escrevia. Mordia também o lápis, o papel e principalmente as palavras. Isso, exatamente isso. Elaine costumava morder as palavras de tal forma, até que o universo ficasse de cabeça para baixo para estas a morderem de volta. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 0, 0);"&gt;Irritava-se com o barulho que faziam ao seu redor, às vezes queria matar mesmo uma criança, pois seu choro a arranhava por dentro. Além de ser mordida por palavras, Elaine era arranhada pelo barulho. Isso era realmente um problema."&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Pronto. Cessou a inspiração, ele estava há dias tentando escrever sobre... Elaine. Uma mulher egoísta, que achava-se superior às pessoas e que tinha manias consideravelmente peculiares.  Mas não conseguia criar mais que isso. Não conseguia dar-lhe um rosto, uma expressão, cabelos ou roupas que usaria se realmente existisse.&lt;br /&gt;Além disso, começou a achar que suas personagens eram verdadeiramente apenas feitas de palavras, somente isso, não lhe pareciam reais. E também não entendia por que diabos escrevia detalhes banais com os quais ninguém se importaria, apenas ele, é claro, e suas personagens de veludo, que de alguma forma agradeciam pela importância que este dava para suas vidas tão cotidianas e banais.&lt;br /&gt;Ninguém entendia que ele precisava transportar os sentidos para o papel, mas que, ao mesmo tempo, não agüentava mais fazê-lo. Queria basear-se na vida, na realidade, mas não conseguia, as sardas, as ruguinhas, um fio de cabelo branco de Elaine o perseguia.&lt;br /&gt;Exatamente! E seu coração acelerou: sardas... ruguinhas... um fio branco... trinta e dois anos?!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desclareou-se. Mulheres de trinta e dois anos não costumam ser tão Elaine. Não costumam ter tantos detalhes, elas apenas são mulheres de trinta e dois anos. Não que pensasse que elas eram banais, não, não é nada disso, ele apenas pensava a verdade, como em sua maioria todos pensam.&lt;br /&gt;Não sabia mais o que fazer. Tirou os sapatos. Ainda estava de sapatos porque ficou com preguiça de tirá-los quando voltou da padaria. Seus dedos eram horríveis, fez uma cara de nojo e  apoiou-se na mesa.  Dedos horríveis, dedos horríveis... talvez ela tivesse dedos horríveis! Oh, não, meu caro,  mulheres de trinta e dois anos fazem as unhas.&lt;br /&gt;Por que mulheres de trinta e dois anos fazem as unhas? Ele ficou com raiva de todas as manicures e pedicures: queria matá-las, vagabundas, vaidosas fedorentas. Ele não queria Elaine de unhas feitas, mas não queria dar-lhe unhas não-feitas. Enraivou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pro inferno! Declarou e decidiu continuar a escrever. Ele precisava dar-lhe mais vida, nem que fosse um dia, nem que fosse uma morte. Apenas algumas linhas, alguns suspiros, algumas raivas e algumas unhas!&lt;br /&gt;Malditas unhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 0, 0);"&gt;Ela caminhava pela rua tão lentamente que parecia quase cair, mas não se importava, tinha ódio das pessoas que andavam apressadas. Ó que não conseguia entender por que aquelas pessoas precisavam ser rápidas. Era o sustento de muitas delas e de suas famílias, mas Elaine não se importava, queria chegar em casa e escrever sobre o quanto é sofredora e o quanto a depressão a alastra pouco a pouco. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 0, 0);"&gt;Vivia em um abismo, sem saber por quê. Bem, talvez porque era uma mulher de trinta e dois anos que vivia em um apartamento onde a luz não entrava e passava todo o dia lendo, absorvendo, esquecendo do mundo real. O mundo em que há pessoas sofrendo muito mais do que ela, sofrendo de fome, de miséria e de falta. Falta de tudo que possivelmente ela possui.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div style="text-align: left;"&gt;&lt;span style="font-style: italic; color: rgb(102, 0, 0);"&gt;&lt;/span&gt;Ele agora odiava Elaine. Odiava com todas as forças. Quão mesquinha, irredutivelmente ingrata e egoísta ela era! E isso tudo vinha de dentro dele? Cuspiu em seus dedos: estava morrendo de repugnância de si mesmo. Foi até o espelho do banheiro e olhou  fixamente para seus olhos. Podia vê-la ali dentro, presa em suas palavras, em suas folhas, apenas esperando para que ele lhe desse outras características odiosas  e mesquinhas.&lt;br /&gt;Voltou à sala e rasgou as folhas, abriu a janela e jogou os pedacinhos de Elaine no ar, não saiu  do umbral até que todos os pedaços quedassem no chão, seis andares para baixo. Sentou-se no sofá, sentiu-se um pouco livre, calmo e solvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabara de matar uma personagem, sentia-se um assassino. Não obstante, a repugnância passara.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-4512948128730818042?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/4512948128730818042/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=4512948128730818042&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4512948128730818042'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4512948128730818042'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2007/10/mundo-de-papel.html' title='Mundo de Papel.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-4277402792022615178</id><published>2007-10-01T18:03:00.000-07:00</published><updated>2007-10-01T18:16:14.217-07:00</updated><title type='text'>Ah.</title><content type='html'>Por quê, sinceramente, e digo sinceramente mais uma vez, por que agarro-me tão ferozmente aos detalhes? Por que acho que vejo certas coisas, e essas coisas me atormentam de tal forma que a alma parece querer afogar-se em angústia?&lt;br /&gt;Eu digo por quê: pois você não passa de uma guardadora, exatamente isso. Você guarda o pisque dos olhos e o roçar dos dedos, o olhar de lado, e o movimento dos lábios. Isso te rasga de uma forma surda, e sangrar-se sem barulho dói. Dóis tanto, que você esquece completamente da dor, pois você se acostuma. E então não sabe para quem virar o rosto, pois estão todos apontando-lhe o dedo, gritando, gritando... e sussurrando, sussuros estrondosos, tão piores quanto os gritos. Como se a dor fosse pecado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então chega o segundo ato de tudo. Você sente a repugnância de si mesma, ninguém consegue alcançá-la. Seus olhos perdem o foco, você está caindo naquele abismo, tudo por causa do excesso de sentimento, antes tão escasso. Você cai. Parece nunca ter fim, parece que suas lágrimas formarão um mar, e sua pele tornar-se-á seca, sem o efeito da hipérbole. &lt;br /&gt;Você percebe, então, que de alguma forma você está sozinha. Porque talvez nunca ninguém vá entender esse sentir tão avassalador que explode de dentro de você.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por isso você chora, menina.&lt;br /&gt;De medo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De tanto medo...&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-4277402792022615178?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/4277402792022615178/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=4277402792022615178&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4277402792022615178'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/4277402792022615178'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2007/10/ah.html' title='Ah.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-7816135472197653421</id><published>2007-09-28T18:22:00.000-07:00</published><updated>2007-09-28T18:34:37.772-07:00</updated><title type='text'>Caixinha de Música.</title><content type='html'>Abriu-se o mundo,&lt;br /&gt;A bailarina dançou.&lt;br /&gt;A música tocou,&lt;br /&gt;Musiquinha,&lt;br /&gt;Devagar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina girou,&lt;br /&gt;A bailarina piscava,&lt;br /&gt;Que mundo gigante,&lt;br /&gt;Essa menina tem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;As notas avançaram, &lt;br /&gt;Entraram em cada pó,&lt;br /&gt;Em cada fresta,&lt;br /&gt;Do universo desconhecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a menina cansou,&lt;br /&gt;Não queria mais a música,&lt;br /&gt;Nem o pequeno mundinho &lt;br /&gt;Da linda bailarina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fechou-se a caixa de veludo,&lt;br /&gt;A dançarina se foi, caída,&lt;br /&gt;Quase a morte musical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A menina jogou o pequeno átomo,&lt;br /&gt;Do inteiro infinito,&lt;br /&gt;Em uma galáxia fechada,&lt;br /&gt;Onde a música, assim como nada,&lt;br /&gt;Não se propagava no vácuo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-7816135472197653421?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/7816135472197653421/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=7816135472197653421&amp;isPopup=true' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7816135472197653421'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7816135472197653421'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2007/09/caixinha-de-msica.html' title='Caixinha de Música.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-7111137997330702351</id><published>2007-09-24T17:00:00.000-07:00</published><updated>2007-09-24T17:03:13.224-07:00</updated><title type='text'>Final Ao Vento.</title><content type='html'>E então ela abriu os olhos. Mas não viu nada, nem mesmo um borrão em sua frente. Estava anestesiada, dolorida, não-sentida. Tentou levantar, mas o peso de seus longos cabelos a jogou no chão. É estranho pensar em o quanto um cabelo pode pesar, assim, e levar em si toda a consciência e carga de sentimentos de alguém. Seus fios eram grossos, mas lisos, lisíssimos, tão lisos que o vento conseguia passar por eles sem levantá-los. Na verdade, lá não ventava. Nem fazia frio ou calor. &lt;br /&gt;Apenas nada. Demorou um pouco para perceber que não estava respirando. Estava apenas... deitada, sem forças, onde? Na escuridão, no completo ermo e vazio. Arranhou o corpo sem as unhas, apenas com a mente, mas não conseguiu sangrá-lo. Lembrou-se que sempre o sangrava, sempre, escorria o sangue de sua alma para seu corpo; tal como as lágrimas. Porém agora não conseguia fazê-lo: desesperou-se.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, o desespero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fez forças. Fez forças. Fez forças. Tanto fez que conseguiu sentar-se. Seu corpo inteiro doía, e doía muito. Não compreendia. Como se poderia doer se estava morta? Foi a única explicação que conseguiu encontrar: a morte. Não respirava, não se arranhava. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se doía. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ela nunca havia se doído antes, mas já ouvira muito falar em pessoas que sentiam tal dor. A dor corporal. A dor que não sangra. Esta segunda lhe era a mais espetacular, a mais especial, a que nunca imaginara, a que sempre almejara. Queria realmente ser parte do filme de pessoas sorridentes, tristes. Sorridentes e tristes. Um equilíbrio. Mas por que ela não podia ser equilibrada? Por que ela não tinha peso? Oh, meu deus! Ela não tinha peso, como podia ter uma balança sem pesos?!&lt;br /&gt;Ela não sabia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas estava ali, e isso importava. Importava a dor que sentia e que, por alguma razão anexada, ninguém nunca entenderia. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E as pessoas passavam, olhando-a, extremamente entediados. &lt;br /&gt;Apenas mais uma perdida, louca, mulher. &lt;br /&gt;Menina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Doendo, sangrando com a mente e com as unhas, doendo muito. &lt;br /&gt;Mas ela nem piscava. E eles nem olhavam, mas respiravam. &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto era apenas aquilo, sorriu sinceramente, sem nexo, sem sentido, apenas sentida e escondida. Sorriu, sorriu.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E não enxergava nada.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-7111137997330702351?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/7111137997330702351/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=7111137997330702351&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7111137997330702351'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/7111137997330702351'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2007/09/fim.html' title='Final Ao Vento.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-6845362951261839243</id><published>2007-09-12T09:13:00.000-07:00</published><updated>2007-09-12T10:13:13.648-07:00</updated><title type='text'>Dor... assim.</title><content type='html'>Ele se levantou bem lentamente, os olhos pregados de sono. Não queria acordar, definitivamente o mundo onírico estava melhor do que essa realidade: o cotidiano às vezes é duro. Calçou as pantufas, enquanto olhava o espelho que cobria uma porta inteira do armário; não se reconheceu. Estava com algumas rugas e vários fios de cabelo branco, parece que o tempo passou e esqueceu de avisá-lo. Ao seu lado, a cama estava vazia, apenas restava a marca de um corpo recente. Ele suspirou... &lt;em&gt;as coisas realmente mudam&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;Ela estava sentada na rede da varanda, quando ele adentrou na cozinha. Fazia um frio de congelar a alma, naquela cobertura, mas a mulher de cabelo longo e castanho escuro vestia apenas uma camisola de alcinha, segurava uma caneca com um líquido forte. Estava bebendo logo de manhã, ele pareceu não importar-se, não soltou nenhuma palavra, apenas sentou-se e começou a passar a manteiga no pão. Aquele barulho de faca a irritou, aquele mínimo barulho a fez ranger os dentes. Como ela odiava o fato de ele ter fome e ter sono. Como ela odiava aquela maldita indiferença.&lt;br /&gt;À noite ela não havia conseguido dormir. Quando fechava os olhos, via sombras, sentia-se observada, angustiada, quase como se a atacassem no escuro. E então ela abria os olhos e olhava o ventilador, olhava fixamente para o teto. Não sabia para onde escapar e sentia repulsa daquele corpo, dormindo tão bem ao seu lado, &lt;em&gt;oh, como podia dormir assim... como conseguia? &lt;/em&gt;Ela havia levantado na madrugada e sentado-se na rede. Olhando... olhando para absolutamente nada.&lt;br /&gt;- Então - ele disse suavemente, cortando seus pensamentos. Ela se virou e percebeu, surpreendida, que ele já havia-se trocado para o trabalho. Estava bonito, pensou, bonito demais. - Eu já vou.&lt;br /&gt;E bateu a porta. Ela sabia por que ele estava indo mais cedo. Ela sabia por que ele estava tão bonito. &lt;em&gt;Desgraçado, desgraçado... e aqueles olhos, aquelas mãos... aquele rosto. Bonito, bonito. &lt;/em&gt;Ela jogou a caneca na parede ferozmente, o líquido escorreu livre, quase sorridente. Oh, o líquido sorria. Os cacos cairam tristemente no chão. E... de repente, como em transe, ela esqueceu de seus ciúmes e de sua raiva. Começou a chorar, chorar alto, e arranhou todo o corpo até sangue sair em suas unhas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Havia acontecido há três anos. Eles se amavam tanto, pareciam dois adolescentes em plena paixão. E Verônica corria pela casa. Verônica, verdadeira, videira, cheia de vida. Ela tinha quatro anos e brincava e pulava e sorria. Oh, como sorria!&lt;/em&gt; &lt;strong&gt;Sorria como o líquido que agora escorria pela parede. &lt;/strong&gt;&lt;em&gt;Sorria e fazia com que sorrissem consigo. Naquele dia, eles se destraíram, fazia calor, a porta da varanda estava aberta, eles conversavam, eles se olhavam e se amavam.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Verônica brincava. E queria brincar que era pássaro. Queria voar, por que ela não poderia ser um bem-te-vi? Bem te vi, Verônica, mas você se foi... E ela subiu na pequena grade, olhou um momento para baixo. Era tão alto! Mas ela ia voar, o papai e a mamãe ficariam tão felizes! E...&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Ela viu a menina pendurada na varanda. Gritou! Gritou tão alto, que, com o susto, a menina a olhou, seus olhos meio sorridentes, meio medrosos. E desiquilibrou-se, Desiquilibrou-se para sempre, como um bem te vi que um dia se é visto e nunca mais volta para o ninho.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;E os dois, estáticos, nunca mais foram os mesmos.&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ele estava no escritório, bonito, estava impecável. Uma mulher morena acabara de entrar. Tinha os olhos grandes... tão grandes que lhe causavam medo. Ela sorriu. Ele ajeitou os óculos. Ela tirou a roupa. Ele tirou os óculos. E ele estava bonito, tão bonito...&lt;br /&gt;Uma hora depois, a mulher se retirou. O homem que se encontrava lá dentro não estava mais bonito. Estava triste, acabado. Por um momento, as lágrimas vieram-lhe aos olhos. Mas ele engoliu em seco, voltou ao trabalho, esquecendo do mundo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem poderia dizer que são fracos? Que se deixaram levar pela dor? Quem, quem poderia julgá-los a ponto de apontar-lhes os erros? Deveriam superar e juntar-se para criar forças. Não obstante, as ações se mostraram exatamente contrárias.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;- Cada um cura a dor de uma forma. &lt;/em&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-6845362951261839243?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/6845362951261839243/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=6845362951261839243&amp;isPopup=true' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6845362951261839243'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/6845362951261839243'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2007/09/dor-assim.html' title='Dor... assim.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-2780595782435935331</id><published>2007-09-04T16:13:00.000-07:00</published><updated>2007-09-05T09:56:30.187-07:00</updated><title type='text'>A forma de viver.</title><content type='html'>Estava sentada naquela escada há horas. Quem a percebesse, por alguma fração de tempo, veria apenas uma sombra sem vida, cuja essência parecia ter sumido há muito. Já havia-se passado um masso inteiro de cigarros, estava intoxicada pela fumaça, até mesmo para pôr os pensamentos em devida ordem. Sua mente divagava, enquanto gotas finas e grossas de chuva, alternando-se, tocavam sua pele quase de mármore. Queria... não, não queria nada, apenas que o tempo passasse logo, e que logo tudo desaparecesse.&lt;br /&gt;Algumas pessoas quase a atropelavam, quando subiam pela escada tão movimentada. Era uma grande escada, branca, solitária às vezes. Ela sabia o momento em que... bem, ela apenas sabia. Uma mulher alta a empurrou friamente quando passou, resmungando, &lt;em&gt;maldita gente!&lt;/em&gt;, e continou sua vida vazia, vazia, vazia vida. Na verdade, ela nunca soube se aquela mulher vivia ou sobrevivia, mas não viu luz em seus olhos, e, muitas vezes, o egoísmo a levava a crer que apenas ela poderia ter a capacidade de enxergar e sentir certas coisas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Começou a bater os pés: estava ansiosa. Não sabia exatamente por quê, parecia-lhe que sempre esquecia tudo que vivenciara, para que pudesse vivenciar tudo novamente com a mesma intensidade. E isso a fazia sentir-se bem, uma incrível chama de felicidade que brotava em seu peito, em contrapartida à sua aparência de nada com nada, e até mesmo à sua forma de razão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mais um trago. Fumar fazia-lhe mal, e sabia disso. Mas não se importava, não pretendia viver muito, e não tinha para quem viver. Ela só tinha... isto.&lt;em&gt; A chuva apartou cada vez mais, estava trazendo a tarde, mas, não, ainda era cedo... &lt;/em&gt;Roçou sua mão pelos seus cabelos curtos, bem curtos, mas que voavam com a ventania. Apesar de todo o aguaceiro, o Sol podia-se ver dominante no céu, lutando com as nuvens.&lt;br /&gt;Mais algumas horas se passaram, mais cigarros foram-se amontoando no chão, como um pequeno morro. Agora a escada estava deserta, a não ser &lt;span style="color:#000000;"&gt;por &lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;ela.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt; &lt;/em&gt;Ninguém atrevia-se a passar por ali, depois das cinco horas da tarde. Era um lugar perigoso. &lt;em&gt;Quase um lugar esquecido&lt;/em&gt;. Ela levantou-se finalmente, balançou sua roupa, e pôs-se a subir a escadaria. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Foi até o lugar que marcara com a alma, há muitos e muitos anos, e que, agora, representava toda a sua vontade de viver. &lt;em&gt;Era um lugar especial.&lt;/em&gt; Era onde o tinha visto uma última vez, seu amor, seu único amor e também suas lembranças felizes. Lembrou-se das promessas que fizeram ali, das luas que tanto viram crescer, de tudo que ele lhe havia dito. Foi há tanto tempo... Uma eternidade atrás. &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Ela apoiou o cotovelo na ponte. Estava quase na hora. Quase na hora. Ela estava ansiosa. Definitivamente, todos os dias ela ansiava por isso.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;E... finalmente.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;Seus olhos encheram-se de lágrimas, abriu um imenso sorriso e não parecia mais ser quem era. Parecia uma jovem de dezesseis anos, intocada pelo tempo, em um certo mês de maio de um certo ano distante... Não parecia mais aquela mulher de trinta e nove anos e sem esperanças, de olhar sombrio. Não! Definitivamente não.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;em&gt;O que via era simplesmente o que elevava todos seus sonhos por alguns simples minutos: era o sol pondo-se em encontro ao oceano.&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;E de lá ela podia lembrar-se dele tocando suas mãos enquanto viam aquela magnitude emanando da natureza ocorrer. Podia senti-lo tocando-lhe os lábios. E, finalmente, podia sorrir sem medo, sem medo algum.&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Quando tudo ocorrou e acabou, ela suspirou e acendou outro cigarro. Se as lembranças e aquela mágica faziam-na de alguma forma feliz, ela poderia dizer que, sim, estava viva. &lt;/p&gt;&lt;p&gt;Mesmo que por alguns momentos. &lt;em&gt;Em um lugar esquecido.&lt;/em&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="color:#990000;"&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="color:#000000;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-2780595782435935331?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/2780595782435935331/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=2780595782435935331&amp;isPopup=true' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2780595782435935331'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/2780595782435935331'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2007/09/forma-de-viver.html' title='A forma de viver.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-3771080816471960091</id><published>2007-08-21T16:54:00.000-07:00</published><updated>2007-08-21T17:11:16.777-07:00</updated><title type='text'>Tempo em ponto.</title><content type='html'>Sonhei que não mais sonhava: era tudo real.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu era uma fada e tinha os cabelos longos, atés os pés, trançados, muito trançados. Eu conhecia o passado, o presente e o futuro, meus olhos eram como priscas. Estava com um longo vestido, o mundo girava, girava tanto que as cores misturavam-se com os sons, e estes, por sua vez, mesclavam-se com as palavras.&lt;br /&gt;Você não estava lá. Não, não havia ninguém. Eu estava só e eu era o mundo, todos estavam em mim. Cada átomo do meu corpo era sentido exatamente como o infinito de pensamentos existentes. Oh, eu estava envolta em pensamentos! Pensamentos inigualáveis, sensíveis, intocáveis!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E, de repente, sim, tão momentâneo, eu desapareci, eternamente, não sentia mais nada, nem o vento, nem a dor de simplesmente não existir. Eu me tornei plena, ao mesmo tempo de não poder tornar-me mais coisa alguma! Eu me fui e deixei de ser, ainda sendo, sendo todas as coisas e o nada.  &lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Desencontrei-me e encontrei-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sorri.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas sorrisos existiam?&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-3771080816471960091?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/3771080816471960091/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=3771080816471960091&amp;isPopup=true' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3771080816471960091'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/3771080816471960091'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2007/08/tempo-em-ponto.html' title='Tempo em ponto.'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-33186342.post-746375263973768954</id><published>2007-08-08T20:27:00.000-07:00</published><updated>2007-08-08T20:39:06.668-07:00</updated><title type='text'>|</title><content type='html'>Eu sonho demais, romantizo tudo à minha volta. Acredito em tudo e em todos, não me importo em quantas vezes eu vou bater a cara, não me importo se vai sangrar, doer ou machucar, não me importo se vão-se abrir cicatrizes que nunca mais desaparecerão.&lt;br /&gt;Não acredito em amores. Não consigo acreditar em vários que passam, vêm e ficam por algum tempo: somente o que é eterno é amor. Eterno agora e depois, além da vida, sem medo das lágrimas, sem medo do que é humano e defeituoso. Sem medo da carne e da alma. Apenas flui como água em movimento, mas nunca seca.&lt;br /&gt;É doloroso pensar em qualquer outra forma, e essa dor é insuportável, é quase como sonhos que são quebrados, é quase como trair a minha fé, minha pouca fé e quase escassa. Não sei o que entendem que é para sempre, mas o meu para sempre é literal. Não é apenas coisa de momento: é independente, incondicional.&lt;br /&gt;Não preciso de aprovação, às vezes acho que não preciso ser amada para meu amor continuar, não, realmente não preciso. Virar-se-ia algo platônico, inalcançável, incorpóreo. Bem, voltamos ao meu lado romantizador de tudo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não acreditar nisso e não senti-lo é quase como deixar de viver, como perder-me nas trevas, num barco no meio do oceano.&lt;br /&gt;Inexplicável.&lt;br /&gt;E não peço que haja explicação, mas às vezes não queria sentir dessa forma, que me parece tão avassaladora, tão amedrontadora. Dessa forma que é tão incomum, tão irracional, mas que é minha forma de amar.&lt;br /&gt;E agradeço por sê-la.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre como me sinto: controlada pelo sentimento, pisando na razão. Com medo de você, de suas palavras.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Com medo, só isso. Com medo.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/33186342-746375263973768954?l=palavras-nuas.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/feeds/746375263973768954/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=33186342&amp;postID=746375263973768954&amp;isPopup=true' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/746375263973768954'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/33186342/posts/default/746375263973768954'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://palavras-nuas.blogspot.com/2007/08/eu-sonho-demais-romantizo-tudo-minha.html' title='|'/><author><name>priscila b.</name><uri>http://www.blogger.com/profile/00905265956860600872</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='31' height='13' src='http://1.bp.blogspot.com/-FBcQjBrTmu8/Tt1XsEXJpoI/AAAAAAAAAJo/ecev1xaLAos/s220/Clipboard02.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry></feed>
